10 fevereiro 2006

Quando pensava que já tinha visto tudo...

... dou de caras com isto. O post merece link e citação. Aqui ficam as partes mais interessantes.
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«Na Rússia, Zhirinovsky afirmou que os cartoons ofensivos constituem uma planeada "psyop" (operação, na qual, informação fabricada para influenciar a opinião pública é disseminada em território inimigo) levada a cabo pelos Estados Unidos com o objectivo de provocar um contencioso entre a Europa e o Mundo Islâmico».
Comentário: Quem diria: ao fim e ao cabo eram os americanos que estavam por detrás de isto tudo. (Para quem não conhece, Zhirinovsky é um cientista político que há coisa de um ano defendeu que o «11 de Setembro» tinha sido planeado pelos EUA para legitimar a invasão do Iraque).
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«Os três cartoons mais ofensivos que causaram a indignação nem sequer foram publicados no jornal "Danish Jyllands-Posten" mas foram acrescentados e distribuídos por imãs dinamarqueses que circularam as imagens pelos seus irmãos nos países muçulmanos – segundo o London Telegraph».
Comentário: como é óbvio, foram os americanos que pediram aos imãs dinamarqueses que pusessem a circular as imagens nos seus países de origem. Apenas um ingénuo poderia pressupor que os autores da brincadeira tivessem sido líderes muçulmanos.
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«É também muito suspeito que Muçulmanos na cidade de Gaza e noutros lados tenham tido acesso a um fornecimento completo de bandeiras dinamarquesas para queimar em frente dos media mundiais logo que a controvérsia rebentou».
Comentário: e aqui está a prova cabal do envolvimento americano. Que outra potência teria poderio económico suficiente para pôr a circular, num país estrangeiro, milhares e milhares - sublinho: milhares e milhares - de bandeiras da Dinamarca? De referir que as bandeiras em causa não eram bandeiras quaisquer: a haste era de um plástico de boa qualidade e o pano é impermeável à água. Não, não há outra conclusão possível.
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No final, o autor do texto deixa a interrogação no ar: «Será que existe de facto uma enorme maquinação por forma a preparar um ataque ao Irão?».
Comentário: é que não há outra hipótese...
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Ou seja, a culpa da polémica dos cartoons é... dos EUA. Mas que originalidade.

Comentários

5 Comments:

At sexta-feira, fevereiro 10, 2006 6:43:00 da tarde, Blogger Sofocleto said...

O Pedrinho pensava que já tinha visto tudo? Desengane-se meu caro. Você ainda não viu rigorosamente nada. E você, com a internet, tem acesso à informação. De forma que das duas, uma:

a) Ou você não sabe ainda pesquisar a internet.

b) Ou sabe pesquisar mas não entende os conteúdos que vai encontrando.

Deixo-lhe aqui um pequeno excerto de um artigo de Michel Chossudovsky, autor de «A globalização da pobreza e a nova ordem mundial». Acho que pode servir de ponto de partida para dar um abanão nessa ingenuidade. Desde que se esforce, claro!

Num extenso artigo Michel Chossudovsky explica a preparação do ataque americano ao Irão e conclui:

O mundo encontra-se numa importante encruzilhada. A Administração Bush embarcou num aventura militar que ameaça o futuro da humanidade.

O Irão será o próximo alvo militar. A planeada operação militar, que não está de forma nenhuma limitada a ataques punitivos contra instalações nucleares no Irão, faz parte de um projecto de domínio mundial começado no fim da Guerra Fria.

Uma acção militar contra o Irão envolve directamente a participação de Israel, o que, por seu lado, pode despoletar uma guerra mais ampla no Médio Oriente, já para não falar na implosão dos territórios palestinianos ocupados. A Turquia está associada com os ataques aéreos propostos.

Israel é uma potência nuclear com um arsenal nuclear sofisticado. O uso de armas nucleares por Israel ou pelos Estados Unidos não pode ser excluída, sobretudo pelo facto das armas nucleares tácticas foram agora reclassificadas como uma variante das bombas convencionais estoira-abrigos (bunker buster) e são autorizadas pelo Senado norte-americano para uso em teatros de guerra convencional. (“São inofensivas para os civis porque a explosão é subterrânea”). A este respeito tanto os Estados Unidos como Israel constituem uma ameaça nuclear muito maior do que o Irão.

O ataque planeado contra o Irão deve ser compreendido no quadro dos actuais teatros de guerra existentes no Médio Oriente, nomeadamente o Afeganistão, o Iraque e a palestina.

O conflito pode espalhar-se facilmente do Médio Oriente para a bacia do mar Cáspio. Pode ainda envolver a participação do Azerbeijão e da Geórgia, onde tropas americanas estão estacionadas.

Um ataque ao Irão teria um impacto directo no movimento de resistência dentro do Iraque. Faria também pressão nas já esticadas capacidades e recursos militares tantos nos palcos de guerra iraquianos como afegãos. (Os 150 000 soldados americanos no Iraque não podem ser utilizados numa guerra contra o Irão.)

Por outras palavras, a geopolítica instável da região Ásia Central – Médio Oriente, os três teatros de guerra nos quais os Estados Unidos estão neste momento envolvidos, a participação directa de Israel e da Turquia, a estrutura de alianças militares patrocinadas pelos Estados Unidos, levanta o espectro de um conflito mais alargado.

Mais ainda, uma acção militar dos Estados Unidos no Irão ameaça os interesses russos e chineses, que possuem interesse políticos na bacia do mar Cáspio e que têm acordos bilaterais com o Irão. Por outro lado, vai contra os interesses petrolíferos europeus no Irão e pode criar maiores divisões entre os aliados Ocidentais, entre os Estados Unidos e os seus parceiros bem como entre os países da União Europeia.

Através da sua participação na NATO, a Europa, não obstante a sua relutância, será envolvida na operação iraniana. A participação da NATO está bastante dependente de um acordo de cooperação militar conseguido entre a NATO e Israel contra a Síria e o Irão. Este acordo obrigará a NATO a defender Israel contra a Síria e o Irão. A NATO apoiará, portanto, um ataque preventivo contra as instalações nucleares iraquianas, e poderá ter um papel mais activo se o Irão retaliar contra os ataques aéreos americanos e israelitas.

Desnecessário é dizer que a guerra contra o Irão é parte de um longo programa militar americano que procura militarizar toda a zona da bacia do Cáspio e levando provavelmente à desestabilização e conquista da Federação Russa.

Teerão confirmou que retaliará se for atacado, sob a forma de ataques com mísseis balísticos contra Israel (CNN, 8 de Fevereiro de 2005). Estes ataques podem também alvejar instalações militares americanas no Golfo Pérsico, que imediatamente nos conduziria a um cenário de escalada militar e a uma guerra total.

Chossudovsky afirma ser necessário revelar o verdadeiro objectivo do Império Americano e a sua criminosa política externa, que utiliza a “guerra ao terrorismo” e a “ameaça da Al-Qaeda” para galvanizar a opinião pública no suporte ao seu programa de guerra global.

 
At sexta-feira, fevereiro 10, 2006 7:01:00 da tarde, Blogger pedroromano said...

Caro Sofocleto

Que tem tudo isto que ver com 9 cartoons do Maomé?

 
At sexta-feira, fevereiro 10, 2006 7:55:00 da tarde, Blogger Sofocleto said...

No primeiro comentário «forneci-lhe» o pano de fundo sobre o qual se desenvolvem os principais acontecimentos mundiais.

Mas, pergunta você, que tem tudo isto que ver com 9 cartoons do Maomé? Tem a ver com a manipulação que é exercida sobre as pessoas, e que transforma um episódio idiota - como nove cartoons - numa guerra de palavras (e não só) envolvendo milhões de pessoas.

Deixo-lhe outro pequeno excerto de Chossudovsky sobre este assunto:

Texto de de Michel Chossudovsky, professor de Economia na Universidade de Ottawa:

Os arquitectos militares do Pentágono estão perfeitamente conscientes do papel central da propaganda de guerra. Engendrada pelo Pentágono, pelo Departamento de Estado e pela CIA, já foi lançada uma Campanha de medo e desinformação [fear and disinformation campaign (FDC)] . A distorção grosseira da verdade e a manipulação sistemática de todas as fontes de informação constituem uma parte integral da estratégia de guerra. Em consequência do 11 de Setembro, o secretário da Defesa Donald Rumsfeld criou o Gabinete de Influência Estratégia [Office of Strategic Influence (OSI)] , ou Gabinete de Desinformação" ["Office of Desinformation"] como foi rotulado pelos seus críticos:

"O Departamento da Defesa afirmou ter necessidade de fazer isso, e estavam realmente a caminho de espalhar histórias falsas em países estrangeiros — num esforço para influenciar a opinião pública por todo o mundo. (Entrevista com Steve Adubato, Fox News, 26 Dezembro de 2002.)

Um certo número de agências governamentais e informação - com ligações ao Pentágono - estão envolvidas em várias componentes da campanha de propaganda. A realidade é apresentada de pernas para o ar. Actos de guerra são anunciados como "intervenções humanitárias" destinados a uma "mudança de regime" e à "restauração da democracia". A ocupação militar e o massacre de civis são apresentados como "manutenção da paz". A abolição de liberdades civis - no contexto da assim chamada "legislação anti-terrorista" - é retratada como um meio para proporcionar "segurança interna" e promover liberdades civis. E subjacentes a estas realidades manipuladas, declarações sobre "Osama bin Laden" e "armas de destruição em massa", que circulam abundantemente nas cadeias noticiosas, são apresentadas como a base para um entendimento dos acontecimentos mundiais.

Para sustentar a agenda de guerra, estas "realidades fabricadas", canalizadas numa base diária para o interior das cadeias noticiosas devem tornar-se verdades indeléveis, tornando-se parte de um vasto consenso político e dos meios de comunicação. Desta forma, os media corporativos - embora actuando independentemente do aparelho militar de informações - são um instrumento desta evolução totalitária do regime.

Em estreita ligação com o Pentágono e a CIA, o Departamento de Estado montou também a sua própria unidade de propaganda "soft-sell" (civil), dirigida pelo subsecretário de Estado para Diplomacia Pública e Negócios Públicos, Charlotte Beers, uma figura poderosa na indústria da publicidade. Trabalhando em ligação com o Pentágono, Beers foi nomeado para chefe da unidade de propaganda do Departamento de Estado logo após o 11 de Setembro. O seu mandato é "para actuar contra o anti-americanismo no exterior" (Sunday Times, Londres 5 de Janeiro de 2003). O seu gabinete no Departamento de Estado destina-se a:

"assegurar que a diplomacia pública (cativar, informar e influenciar audiências públicas internacionais) seja praticada em harmonia com os negócios públicos (estendendo-se a americanos) e com a diplomacia tradicional para promover os interesses e a segurança dos EUA e proporcionar a base moral para a liderança americana no mundo".

A componente mais poderosa da Campanha de Medo e Desinformação (FDI) pertence à CIA, a qual secretamente subsidia autores, jornalistas e críticos por intermédio de uma rede de fundações privadas e organizações patrocinadas pela CIA. A CIA influencia também o âmbito e a direcção de muitas produções de Hollywood. Desde o 11 de Setembro, um terço das produções de Hollywood são filmes de guerra. "As estrelas de Hollywood e os autores de guiões apressam-se a reforçar a nova mensagem de patriotismo, aconselhando-se com a CIA e inspirando-se junto dos militares acerca de possíveis ataques terroristas na vida real". "O Verão de todos os medos" ("The Summer of All Fears") , dirigido por Phil Alden Robinson, que pinta o cenário de uma guerra nuclear, recebeu o endosso e o apoio tanto do Pentágono como da CIA.

A desinformação é rotineiramente "espalhada" pelos operacionais da CIA nas redacções do principais diários, revistas e canais de TV. Firmas de relações públicas externas são frequentemente utilizadas para criar "falsas histórias". Isso foi cuidadosamente documentado por Chaim Kupferbert em relação aos acontecimentos do 11 de Setembro: "Alguns, relativamente poucos, correspondentes bem relacionados forneciam os 'furos de reportagem', que obtinham cobertura nas relativamente escassas fontes de notícias dos principais meios de comunicação, onde os parâmetros de debate são ajustados e a "realidade oficial" é consagrada.

Iniciativas de desinformação encoberta, sob os auspícios da CIA, também são canalizadas através de vários "procuradores" de informação noutros países. Desde o 11 de Setembro essas iniciativas resultaram numa disseminação diária de informação falsa referente a alegados "ataques terroristas". Em virtualmente todos os casos relatados (na Grã Bretanha, França, Indonésia, Índia, Filipinas, etc.) afirmam que os "supostos grupos terroristas" têm "ligações à Al-Qaeda de Osama bin Laden" sem naturalmente admitir o facto (amplamente documentado por relatórios de agências de informações e documentos oficiais) que a Al-Qaeda é uma criação da CIA.

 
At sexta-feira, fevereiro 10, 2006 9:01:00 da tarde, Blogger pedroromano said...

O diabólico plano americano de domínio do mundo desvendado por Chussodovsky. Tudo on-line, para quem quiser ver.

Como fui cego todos estes anos.

 
At sexta-feira, fevereiro 10, 2006 11:38:00 da tarde, Blogger Sofocleto said...

É verdade Pedro. Como foi possível, todos estes anos...

 

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