20 fevereiro 2006

Politicamente correcto

«1. O politicamente correcto é (foi) a oficialização da vitória dos anos 60, da “Nova Esquerda”, dos revolucionários sem revolução, como diria Nelson Rodrigues. O termo surgiu na academia americana depois da fúria, durante os decadentes anos 70.
2. O politicamente correcto está ligado a duas coisas: a culpa pós-colonial e a deferência total pela vitimização de minorias. A minoria é sempre uma vítima. O Ocidente é sempre culpado; o Outro é sempre um anjo. Eis, sucintamente, o politicamente correcto.
3. O pior: há uma proibição de crítica em relação ao elemento que representa a fusão das duas componentes: o Outro que vive no Ocidente, isto é, as minorias étnicas e religiosos que vivem em estados ocidentais. A ordem é esta: não se pode criticar qualquer manifestação conduzida por não-brancos a viver no Ocidente. E, com isto, os caros politicamente correctos julgam que estão a ser tolerantes. Lamento! Isto não é tolerância; é suspensão do juízo crítico em nome de uma concepção bíblica de culpa. Não, muito obrigado. Gosto muito da bíblia, mas é só para ler.
4. O politicamente correcto é um eficaz auto-politicamente. Politicamente Correcto é auto-censura baseada na cor da pele. Não, muito obrigado. Isto é racismo simpático, orientalismo invertido, racismo altruísta. O politicamente correcto é o velho paternalismo europeu em roupagens cool. É o velho fardo do homem branco revestido por uma overdose de culpa. Quando a culpa passar (sim, meus caros, ela não é eterna) descobriremos que o velho paternalismo nunca foi erradicado.
5. Sim, auto-censura. Hoje, todos temos medo de pensar em certas coisas. Todos temos medo de criticar o Outro. É o medo de sermos apelidados de racista. Este racista, constantemente atirado à cara das pessoas por tudo e por nada, é o fascista do politicamente correcto. Antigamente, quando a Esquerda era mesmo de Esquerda, todos aqueles que não concordavam com a Luz na terra eram apelidados de fascista. Era a linguagem do Comintern: havia esquerdistas e fascistas. Mais nada. Hoje, quem ousa pisar os dogmas do politicamente correcto corre o risco de ser apelidado de xenófobo. Foi isso que sucedeu com os cartoons. Há um novo Comintern. E mais eficaz. Não é preciso uma URSS no financiamento. Basta a culpa.6. O argumento, a razão e o juízo foram substituídos pela emoção da culpa. Peço imensa desculpa, mas já tenho emoção que chegue».
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Mais uma do Henrique Raposo.

Comentários

2 Comments:

At segunda-feira, fevereiro 20, 2006 11:53:00 da tarde, Blogger Sofocleto said...

Um bonito discurso. E tão politicamente incorrecto! Tão out of the mainstream! Tão cool!

 
At domingo, fevereiro 26, 2006 9:59:00 da tarde, Blogger sabine said...

Sim, de factom, só o Henrique Raposo tem razao (LOL LOL).

 

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