12 fevereiro 2006

O Irão também quer desculpas

A Embaixada do Irão enviou uma carta ao «Expresso» a exigir (surpresa...) um pedido de desculpas. Espero que Freitas do Amaral não tenha lido o jornal - ficava logo com ideias, certamente. Mas adiante. As razões do protesto são óbvias: a publicação das caricaturas do Profeta num «texto analítico» do semanário (sábado anterior) são «a demonstração da sua vontade de provocar os muçulmanos residentes em Portugal e os milhões de muçulmanos residentes no mundo, mas também a criação de um grande choque cultural entre o Islão e o Ocidente». E a carta continua: «não podemos, em nome da liberdade, insultar a religião e a fé dos outros».
Só alguns pontos a reter:
1) O número de muçulmanos que foram humilhados pelo «Expresso» foi de milhões e milhões. A Marktest já veio repreender o jornal por este lhe ter escondido a verdadeira triagem, ocultando assim os milhões e milhões de exemplares que, todos os sábados, envia, à socapa e por correio azul, a «milhões de muçulmanos residentes no mundo».
2) A publicação das caricaturas são a demonstração da vontade de criar «um grande choque cultural entre o Islão e o Ocidente». O que é uma chatice, porque por aquelas bandas a última coisa que se deseja é um choque cultural entre o Ocidente e o Islão. Ahmadinejad que o diga.
3) «Não podemos, em nome da liberdade, insultar a religião e a fé dos outros». Eu diria mais: não podemos, em nome da Liberdade, tolerar a «licenciosidade» ocidental. Enfim, a confusão semântica da Embaixada tem explicações: só se pode usar correctamente uma palavra quando se a conhece.
4) Ana Gomes e Vitalino Canas, do PS, António Filipe, do PCP, Daniel Oliveira e Joana Amaral Dias, do Bloco de Esquerda (e inquilinos dos blogs Aspirina B e Bichos carpinteiros), entre outros intelectuais da nossa praça, já prometeram fazer uma manifestação contra a xenofobia e intolerância europeia em frente à Embaixada de Irão em Lisboa. Apenas através da tolerância e do diálogo podemos ultrapassar este conflito, que tem vindo a ser instigado pelos EUA, pela extrema-direita europeia, pelo grande capital, pelo José Pacheco Pereira, pelo Pato Donald e pelo João Ratão. Felizmente, há sempre senhores deste género para acalmar os ânimos. O Islão é uma religião de paz. Imaginem se não fosse!

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