O Número Primo
«O conhecimento infundado é frequentemente pior do que a ignorância completa» {Thayer} Comentários, reparos, críticas e conselhos para onumeroprimo@portugalmail.pt
27 Fevereiro 2006
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3 Comments:
Quer concorrência entre salários que permitem uma vida digna e salários próximos da escravatura? Quer concorrência entre sociedades onde existe segurança social efectiva e outras onde ela não existe? Fala nos benefícios da concorrência na determinação de preços mais baixos. Para quê, se o poder de compra desaparece? O que é que o salário médio de um polaco ou de um eslovaco permite comprar?
Muitos concordam que a economia não é uma ciência exacta. Há escolas (a austríaca por exemplo) que defendem que a economia não é sequer uma ciência, mas uma teoria.
Portanto quem está a parafrasear Dirac é você.
Penso que ninguém considera a economia uma ciência exacta. Está mais do lado das ciências sociais, ainda que ocupe um lugar especial no seu seio - enfim, contas, números, etc.
Não entendo o que quer dizer ao equiparar a economia a uma teoria e não a uma ciência. O que é a ciência? Um ramo do saber com um objecto e um método. E uma teoria? Um quadro explicativo capaz de prever (com grau de certeza variável) um fenómeno; e, se possível, torná-lo compreensível. As teorias integram um corpo ciêntifico, não se-lhe opõem. A única excepção é a matemática, onde não há teorias mas teoremas.
Agora, se quiser debater o grau de exactidão de uma ciência, isso é outra estória. É evidente que a economia não está ao lado da física, ou da química - embora ainda não tenha descambado para o lado da actual sociologia.
Em todo o caso, os princípios sobre os quais a economia se funda não costumam ser discutidos - a existência de escassez, o desejo da empresa de obter maiores lucros, o desejo do consumidor de pagar o menor preço possível, etc. É nesse sentido que as declarações da Ilda Figueiredo punham em causa a teoria económica.
Quanto àquilo que o salário médio de um polaco permite comprar, confesso que não sei. Mas presumo que chegue para mais do que na década de 80.
Talvez presuma mal. Um economista da Academia de Ciências russa interpreta a situação actual (pós-tratamento do FMI) da seguinte maneira:
«com o sistema comunista, o nosso padrão de vida nunca foi muito alto. Mas toda a gente tinha emprego e as necessidades humanas básicas e serviços essenciais, embora fossem de segunda categoria pelos padrões ocidentais, eram grátis e universais. Agora, as condições sociais na Rússia são semelhantes às do Terceiro Mundo.»
Chama-se a isto globalização da pobreza.
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