27 fevereiro 2006

Já dizia Paul Dirac: se os factos não se ajustam à teoria, tanto pior para os factos

A Directiva Bolkestein já levou Ilda Figueiredo, do PCP, a pôr em causa um dos fundamentos da ciência económica - particularmente os benefícios da concorrência na determinação de preços mais baixos. Foi hoje, na SIC Notícias. Parabéns.
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P.S.- Já agora: os «quizzes» voltaram.

Comentários

3 Comments:

At segunda-feira, fevereiro 27, 2006 4:04:00 da tarde, Blogger Sofocleto said...

Quer concorrência entre salários que permitem uma vida digna e salários próximos da escravatura? Quer concorrência entre sociedades onde existe segurança social efectiva e outras onde ela não existe? Fala nos benefícios da concorrência na determinação de preços mais baixos. Para quê, se o poder de compra desaparece? O que é que o salário médio de um polaco ou de um eslovaco permite comprar?

Muitos concordam que a economia não é uma ciência exacta. Há escolas (a austríaca por exemplo) que defendem que a economia não é sequer uma ciência, mas uma teoria.

Portanto quem está a parafrasear Dirac é você.

 
At terça-feira, fevereiro 28, 2006 12:57:00 da manhã, Blogger pedroromano said...

Penso que ninguém considera a economia uma ciência exacta. Está mais do lado das ciências sociais, ainda que ocupe um lugar especial no seu seio - enfim, contas, números, etc.
Não entendo o que quer dizer ao equiparar a economia a uma teoria e não a uma ciência. O que é a ciência? Um ramo do saber com um objecto e um método. E uma teoria? Um quadro explicativo capaz de prever (com grau de certeza variável) um fenómeno; e, se possível, torná-lo compreensível. As teorias integram um corpo ciêntifico, não se-lhe opõem. A única excepção é a matemática, onde não há teorias mas teoremas.

Agora, se quiser debater o grau de exactidão de uma ciência, isso é outra estória. É evidente que a economia não está ao lado da física, ou da química - embora ainda não tenha descambado para o lado da actual sociologia.
Em todo o caso, os princípios sobre os quais a economia se funda não costumam ser discutidos - a existência de escassez, o desejo da empresa de obter maiores lucros, o desejo do consumidor de pagar o menor preço possível, etc. É nesse sentido que as declarações da Ilda Figueiredo punham em causa a teoria económica.

Quanto àquilo que o salário médio de um polaco permite comprar, confesso que não sei. Mas presumo que chegue para mais do que na década de 80.

 
At quarta-feira, março 01, 2006 11:04:00 da manhã, Blogger Sofocleto said...

Talvez presuma mal. Um economista da Academia de Ciências russa interpreta a situação actual (pós-tratamento do FMI) da seguinte maneira:

«com o sistema comunista, o nosso padrão de vida nunca foi muito alto. Mas toda a gente tinha emprego e as necessidades humanas básicas e serviços essenciais, embora fossem de segunda categoria pelos padrões ocidentais, eram grátis e universais. Agora, as condições sociais na Rússia são semelhantes às do Terceiro Mundo.»

Chama-se a isto globalização da pobreza.

 

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