10 fevereiro 2006

Eu apoio o Irão!

Depois do muito dignificante pedido de desculpas do nosso MNE aos fundamentalistas muçulmanos parece-me óbvio que mais cedo ou mais tarde a mesma via - a da compreensão e do respeito - não poderá deixar de ser aplicada ao resto da malta lá da zona, nomeadamente ao Irão. Porque, parecendo que não, isto das especificidades culturais não é brincadeira, e, afinal de contas, quem somos nós para impor os nossos valores aos estrangeiros? Se eles querem o nuclear, em que medida isso nos diz respeito? É preciso respeitar o outro; e, além do mais, se o «outro» diz que a energia não é para fins militares, não há razões para duvidar. Temos de ser tolerantes. Presumir que a energia nuclear pode ser usada para fins militares é ceder à xenofobia e ao facilitismo racista, e nisso não podemos cair. Todas as civilizações estão em pé de igualdade. Aliás, como dizia Ângelo Correia no «Prós e Contras» de segunda-feira, terrorismo e intolerância não são apanágio exclusivo do Oriente; aliás, as imagens televisivas têm vindo a mostrar que o «muçulmano médio» é um tipo tolerante e civilizado (por cá, infelizmente, os «etarras» pululam pelos campos verdejantes e os tipos do IRA são cada vez mais numerosos). Ah, sim, e não nos esqueçamos nunca dessa última frase de Ângelo Correia, um verdadeiro iluminado das correntes intelectuais mais sábias da nossa cultura: «impedir o Irão de ter armas nucleares quando o Ocidente as possui é moralmente muito complicado».
É interessante, caro Ângelo Correia. Mas não há moral que resista a uma bomba atómica.

Comentários

4 Comments:

At sexta-feira, fevereiro 10, 2006 8:28:00 da tarde, Blogger Sofocleto said...

Não há moral que resista a uma bomba atómica. É verdade. Os habitantes de Hiroxima e Nagasáqui confirmam-no.

Quanto a tolerância e a bons costumes é bom lembrar o terrorismo de estado americano levado a cabo em todo o mundo.

Estude o que aconteceu na Argentina, Granada, Panamá, Salvador, Nicarágua, Guatemala, Chile, Brasil e Uruguai. E isto para falar apenas na América Central e do Sul.

Quanto ao que fizeram «os tolerantes» noutros continentes, fica como trabalho para casa.

 
At sexta-feira, fevereiro 10, 2006 9:12:00 da tarde, Blogger pedroromano said...

Sofocleto, está a fugir com o rabo à seringa. Eu escrevi sobre o Irão; o meu amigo responde com o Nicarágua, Guatemala, Chile, Panamá, Granada, Argentina, Hiroxima e Nagasáqui. Nem sequer definiu posição: concorda com um Irão nuclear?

 
At sábado, fevereiro 11, 2006 12:47:00 da manhã, Blogger Sofocleto said...

Não estou, de forma nenhuma, a fugir com o rabo à seringa.

Limitei-me a afirmar que um estado que você considera "responsável" já utilizou bombas atómicas contra populações civis, além de ter organizado golpes de estado em dezenas de países.

Eu preferia que nenhum tivesse armas nucleares. Mas se Israel as tem (cerca de 500, segundo consta), porque não as há-de ter o Irão?

O ditador paquistanês Pervez Musharraf, amigo de Bush, também as possui. Acaso, Ariel Sharon, o carniceiro de Sabra e Chatila, era incapaz de as usar? Ou o seu seguidor?

 
At sábado, fevereiro 11, 2006 1:16:00 da manhã, Blogger pedroromano said...

Caro Sofocleto

Já está para além de qualquer ajuda. Nada do que eu possa dizer ou argumentar o fará reconsiderar a sua posição (quanto mais mudar de ideias). Abstenho-me, por isso, de entrar numa discussão que não levaria a lado nenhum.

Saudações sinceras e cordiais

 

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