16 fevereiro 2006

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«O assassínio de Gaspar Castelo-Branco pelas FP 25 de Abril teve uma única causa: a coragem de um alto funcionário do Estado português que tomou uma decisão exemplar - contra ameaças, pressões, a opinião pública e a falta de apoio da tutela. Recordá-lo vinte anos depois é recordar o que foi (e que existiu) o terrorismo em Portugal.
Otelo Saraiva de Carvalho, fundador, dirigente e cúmplice das FP, foi entretanto amnistiado pela mesma democracia à qual não reconhecia legitimidade. Hoje é um empresário de sucesso: o capitalismo nem sempre trata mal os seus bastardos.Não sei de onde lhe veio o capital. Sei, porém, que o dinheiro reunido pelas FP nos assaltos a vários bancos - em nome (muito a propósito) da libertação das massas - nunca mais apareceu.Em tribunal, Otelo compararou a morte de Gaspar Castelo-Branco e de outras vítimas das FP 25 ao "terrorismo" do Estado português, responsável pelo desemprego, por salários em atraso e pela crise económica. Eduardo Prado Coelho e Boaventura Sousa Santos foram testemunhas abonatórias de Otelo. Mário Soares foi o Presidente da República que o amnistiou.Hoje, estes e outros culpam a "arrogância" do Ocidente pelo terrorismo islâmico.
Gostaria que não fosse assim, mas é. Gostaria de esquecer, mas não posso.A história fará justiça aos homens que, nas palavras de Tocqueville, não trocaram a liberdade pelos seus benefícios
».
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Um dos melhores da blogosfera: Pedro Picoito, do Mão Invisível.

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