12 janeiro 2006

Profecias

As crónicas diárias de Alexandre Pais no «Record», jornal cujo cargo de director ocupa, oscilam frequentemente entre o elogio fácil e a crítica desbragada, forma escorreita de debitar conhecimentos técnicos acerca do mundo da bola e passar a pente fino os principais protagonistas, separando o trigo do joio como apenas os especialistas sabem fazer.
A realidade é outra. Se como cronista Alexandre Pais não é mais do que sofrível, já como analista é, na melhor das hipóteses, incompetente. Vaticínios furados, análises enviesadas, previsões não cumpridas, tudo isto marca, de uma forma ou de outra, a actividade jornalística do director do «Record». O caso mais flagrante terá sido quando, em meados do ano passado, e após uma série de más exibições do Sporting, Alexandre Pais dizia que José Peseiro, à altura treinador dos leões, não era homem para ocupar o lugar. Não sei se era, se não era. Sei que, meses mais tarde, Alexandre Pais emendava a mão e - alto lá! - Peseiro já era homem para o Sporting. Aproximava-se então o final da época e o Sporting estava em boa posição para se sagrar campeão e ganhar a taça Uefa. Perdidos os dois troféus, o sagaz e arguto personagem era de novo iluminado pela luz da sabedoria: afinal, Peseiro não prestava. Ele «sempre dissera isso», como chegou a frisar à altura. Grandioso.
Agora, mais uma pérola: Paulo Bento «pode ter azar»; mas «que temos treinador, lá isso temos» (apetece perguntar: e por quanto tempo, Alexandre?). Motivos: «aposta nos jovens». Prezado cronista, os bons treinadores por norma apostam nos jovens (ainda que nem isso seja certo); mas nem todos os que apostam nos jovens são bons treinadores. É possível – não arrisco dizer «provável» - que Paulo Bento se venha a revelar um bom treinador. Mas não serão duas substituições – ainda para mais quando foram extraordinariamente condicionadas pela escassez de soluções no banco – a conceder-lhe esse título.
Enfim, com uma coluna para preencher todos os dias também não se lhe pode pedir muito mais.

Comentários

2 Comments:

At quinta-feira, janeiro 12, 2006 6:18:00 da tarde, Blogger Hélder Beja said...

Penso, amigo Pedro, que podemos e devemos exigir mais de um director do "Record".
Vem de longe o desacerto do homem. Já aquando da passagem de Del Neri pelo porto, o arguto Alexandre teve momentos ‘brilhantes’, ficando famosa a expressão "Tótó Del Neri" com que tantas e despropositadas vezes fez questão de encher a sua coluna diária.
Uma figura, o Sr. Pais.

 
At sexta-feira, janeiro 13, 2006 1:12:00 da manhã, Blogger Alexandre Carvalho said...

Digamos que eu também concordo com a tua opinião Pedro, sendo é deploravel que personagens com esta "classe", estejam no comando de um jornal (que apesar de eu achar pouco informativo), um jornal com tiragem a nivel nacional.

 

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