04 janeiro 2006

Pessimismo

«"Lá se vai andando", "faz-se o que se pode", "isto vai de mal a pior"etc... (um longo etc...) são expressões que podem ser ouvidas em qualquer lado e a toda a hora neste nosso país.
Ver um telejornal em qualquer canal português, onde o que vende é a desgraça alheia e onde está na moda introduzir uma estatística sobre como Portugal é o "lanterna vermelha" da União Europeia, é como comprar uma depressão de 30 minutos.
As fontes deste pessimismo crónico são com certeza variadas, mas eu interrogo-me até que ponto a nossa imprensa - com toda a sua falta de qualidade - desempenha um papel fulcral nesta conspiração negativista (incluindo Miguel Sousa Tavares, Vasco Pulido Valente e outros que tais).
Na Índia a situação é o oposto: num país que tem todos os problemas que a civilização pode enfrentar - terrorismo e separatismo, poluição, pobreza, descriminação e racismo,etc...- a tónica é o optimismo. Dá muito que pensar ver a forma como principalmente as pessoas que menos têm encaram a difícil vida que têm com um sorriso. Ler um jornal como o "Times of India" é uma experiência peculiar: as notícias de foco são o crescimento económico, o resultado do jogo de cricket, a melhoria das relações com o Paquistão (isto se o Paquistão não tiver vencido a Índia no jogo de cricket) e a mais recente operação da Britney Spears, enquanto que o desastre (quase diário) de um autocarro ou comboio no qual morreram centenas de pessoas ou o as monções que já fizeram mais de não sei quantos mortos ocupam as últimas páginas quase em nota de rodapé.
É evidente que é necessário um certo equilíbrio analítico, e também não estou a discutir o grau de isenção e de liberdade da imprensa em questão, mas tenho a certeza que ambos os casos deste oito ou oitenta influenciam a forma como as pessoas encaram o dia-a-dia. Tudo na vida é uma questão de perspectiva e não há nada como a natural tendência do homem para se fechar sobre si próprio e sobre os seus problemas para perder a visão do quadro maior
». Tirado d'O Sinédrio.

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