07 janeiro 2006

Fumar é feio

Se um cidadão de pleno direito, maior de idade e mentalmente são, tomar uma decisão que não prejudique terceiros, não há razão alguma para que deva ou possa ser impedido - mesmo que a eventual proibição aparente actuar «no melhor interesse do visado». As crianças são proibidas de brincar com armas e os bichinhos de estimação andam de coleira na rua; os homens, não. Por uma razão simples: actuando de livre vontade, podem ser responsabilizados pelos seus actos. A liberdade anda a par da responsabilidade; se não se pode exigir a segunda quando a primeira não está presente, também é verdade que quem assume as consequências dos seus actos - pelo menos os que não prejudicam terceiros - deve ter a liberdade de os praticar.
Vem a isto a propósito do recente fetiche espanhol pelo vício do tabaco. É legítimo - mais: correcto e justo - salvaguardar os direitos de quem, não fumando, é afectado pela baforada do vizinho do lado. É razoável exigir a criação de espaços de não fumadores, mesmo a privados. Mas é tenebrosamente totalitário que se proíba a criação de espaços para fumadores em determinados locais, algo muito bem parodiado pelo Cláudio Tellez no Insurgente.
Sim, o tabaco faz mal, o tabaco mata, o tabaco não é amigo dos pulmões. Ok, e o açúcar faz mal aos dentes. E não é por isso que se proíbe o consumo de açúcar. Desde que a cárie não dê direito a subsídio, deixem a malta estragar os dentes à vontade. E os pulmões também, se faz favor.

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