24 janeiro 2006

Discriminação

«Todos aqueles que se dirigiram ao cinema Moderníssimo, em Nápoles, Itália, para assistir à estreia do último filme de Ang Lee e admitiram ser homossexuais tiveram direito a uma redução de 50 por cento no preço do bilhete. «O segredo de Brokeback Mountain», o mais recente trabalho do autor de «O Tigre e o Dragão» e «Hulk», retrata o amor proibido entre dois cowboys na América profunda das décadas de 60 e 70. Luciano Stella, proprietário da sala de projecção e promotor da iniciativa, explicou que se «alguém se declarar gay só para pagar menos, isso deixá-lo-á bastante feliz porque significa que a homossexualidade é cada vez menos um tabu». (Via Assur).
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E se o cliente for bissexual, paga 75% do preço?

Comentários

14 Comments:

At terça-feira, janeiro 24, 2006 12:31:00 da tarde, Blogger ovelha_negra said...

Se existem estereótipos em relação às minorias, se a forma como fomos educados não tem em conta a diversidade e a diferença, há uma necessidade de recorrermos à discriminação positiva.Não basta cosagrar o direito hà diferença na constituição, é preciso dar uma pequena ajuda.

As políticas de Acções Afirmativas têm como objetivo principal à inclusão. Inclusão no mercado de trabalho, na educação, nos meios de comunicação, na saúde, na política, enfim, a inclusão das minorias na condição de pleno cidadão da sociedade Portuguesa.

São exemplos de discriminação positiva ou politicas de acção afirmativa, a existência de quotas para as mulheres na politica, as Scuts no interior do país, os fundos Europeus de apoio às zonas mais pobres, a existência de fila (nos supermercados, repartições públicas) exclusiva para grávidas, idosos, e pessoas com deficiências, e até os lugares de parque de estacionamento reservado a pessoas com deficiências.


Agora pergunto-te Pedro Romano, o teu problema é com todo o tipo de discriminação positiva, ou apenas com a discriminação positiva para os homossexuais?

 
At terça-feira, janeiro 24, 2006 1:41:00 da tarde, Blogger Filipe Alves said...

Quanto ao Pedro não sei, mas o meu "problema" é com todas as discriminações positivas. O Estado deve zelar para que exista efectiva igualdade de oportunidade, mas a discriminação positiva não é solução. Por exemplo, eleger uma mulher deputada apenas por ser mulher - sem ter em conta que a competência deve ser o principal critério para qualquer cargo público ou privado - é errado e injusto. No entanto, concordo com os lugares de estacionamento para deficientes, que não vejo como discriminação positiva mas sim como uma forma de determinados cidadãos poderem usar a via pública. Tem a ver com mobilidade e não com "afirmative action".

 
At terça-feira, janeiro 24, 2006 2:11:00 da tarde, Blogger pedroromano said...

Ovelha, o post e a indagação subsequente tinham um tom marcadamente humorístico. Limitei-me a ironizar com uma situação que julguei engraçada; e, de facto, é um acontecimento tão irrelevante que nem pensei nele como um caso de discriminação efectiva.

Mas adiante. Os exemplos dos parques de estacionamento para deficientes, fundos de apoio às zonas mais pobres, etc., são formas de discriminação positiva que se justificam pela necessidade de suprir necessidades inerentes à condição de um grupo. É legítimo que um deficiente tenha lugar no autocarro porque, pura e simplesmente, pode não estar apto a permanecer levantado durante muito tempo; uma grávida numa fila, idem aspas: a sua CONDIÇÃO dificulta-lhe a permanência na fila.
Neste caso as diferenças são óbvias, porque de facto a condição 'ser homossexual' não traz desvantagens financeiras (lacuna que ESTA discriminação positiva permite suprir). Por exemplo, presumo que também não estejas de acordo com um lugar de estacionamento para homossexuais, ou com filas mais rápidas nos supermercados para homossexuais.

P.S. Penso que o nick ovelha negra é utilizado por mais do que uma pessoa; se é realmente assim, acho que cada um devia assinar com o nome em baixo, ainda que mantendo o nick. apenas para sabermos com quem falamos :)

 
At terça-feira, janeiro 24, 2006 6:17:00 da tarde, Blogger Elise said...

brokeback mountain foi um flop. se calhar a redução do preço dos bilhetes foi uma forma de atrair espectadores. :P

sou a favor do casamento entre homossexuais, mas a discriminação positiva está a assumir contornos muito contraproducentes.

 
At terça-feira, janeiro 24, 2006 9:29:00 da tarde, Blogger Filipe Alves said...

Concordo com o Pedro. Os deficientes devem ter lugares próprios porque a via pública é de todos e precisam de certas facilidades para dela poderem usufruir. Ja a carreira política deve ser para os melhores (em termos de competencia) e não para determinados grupos.

 
At terça-feira, janeiro 24, 2006 11:12:00 da tarde, Blogger Bruno JSM said...

"Por exemplo, eleger uma mulher deputada apenas por ser mulher - sem ter em conta que a competência deve ser o principal critério para qualquer cargo público ou privado - é errado e injusto."

Filipe, em Portugal as mulheres são o maior número de licenciados, de quadros superiores técnicos, e de estudantes universitários.

No entanto, se olhares para o parlamento, elas estão em clara minoria. Achas mesmo que tem a ver com competências?

 
At quarta-feira, janeiro 25, 2006 3:44:00 da tarde, Blogger Filipe Alves said...

Eu sei que elas são a maioria dos licenciados (mas repara que ser licenciado não significa que se é competente...). Mas o machismo da classe política não é a única razão para lhes ser vedada a carreira política; acontece que muitas mulheres continuam a ver a política como algo reservado apenas aos homens. De qualquer modo, independentemente das razões, acho que as quotas não resolvem nada. As quotas para mulheres no Parlamento têm como única consequência o facto de muita gente ser eleita apenas pelo facto de ser mulher - independentemente da competência - e de ser submissa às hierarquias partidárias. Porque os homens que mandam nos partidos vão escolher mulheres que "não atrapalhem" para preencher os lugares que a lei determina.

 
At quarta-feira, janeiro 25, 2006 6:34:00 da tarde, Blogger Bruno JSM said...

examente por as mulheres também não olharem para a politica como uma actividade feminina, são as quotas essênciais.
Quantas mais mulheres estiverem a representar a população, mais essa ideia da politica ser para os homens diminui.

Quanto à questão de os homenss escolherem as mulheres que menos atrapalham. Isso acontece essencialmente no PS, onde nas ultimas legislativas houve grande contesação por parte das mulheres.

 
At quarta-feira, janeiro 25, 2006 6:58:00 da tarde, Blogger pedroromano said...

Um partido político pode ter dois objectivos: promover o bem da sociedade através da participação na Assembleia (ou até na governação, caso lá chegue) ou instalar-se no poder para satisfazer caprichos pessoais e usar o poder em proveito próprio. Num Estado com eleições livres, em ambas as situações a salvaguarda dos direitos das mulheres estão asseguradas, mesmo sem quotas.

Se:
1) O Executivo eleito quer de facto promover o bem comum, então vai defender os direitos das mulheres, da mesma forma que defende os direitos dos homens.

2) O partido eleito apenas quer satisfazer caprichos pessoais - e consequentemente não está a defender os direitos das mulheres (ou outra classe) - então as mulheres (que não são nenhuma minoria...) podem votar num partido que pensem poder representá-las melhor. Caso considerem que esse hipotético partido não existe, então são livres de formar o seu. Se realmente houver tantas mulheres descontentes com o actual estado de coisas podem facilmente virar-se para o novo partido, composto por - ou integrando - mulheres.

 
At quarta-feira, janeiro 25, 2006 11:32:00 da tarde, Blogger Filipe Alves said...

Completamente de acordo, Pedro. Os governos existem com o objectivo de governar e não para conceder cargos seja a quem for. O governo é um meio e não um fim. Até porque por esse argumento da representação, depressa poderíamos pedir quotas para gays e lésbicas, transexuais, gordos, carecas, feios, bonitos, teenagers, mineiros coxos, transmontanos, alentejanos, etc. Na realidade não importa se somos governados por mulheres ou homens: o que interessa é que todos tenham as mesmas oportunidades de participar na vida política (todos votam e podem ser eleitos) e que quem nos governa seja escolhido pela sua competência. O resto é folclore.

 
At quinta-feira, janeiro 26, 2006 12:55:00 da manhã, Anonymous The Studio said...

Todas as discriminações são simultaneamente positivas e negativas. São positivas para os beneficiados e negativas para aqueles que são prejudicados. Curiosamente, oiço frequentemente os activistas do BE defender que "todos devem ser tratados da mesma forma independentemente da sua orientação sexual". O ovelha negra está agora a defender o oposto. Se pessoas com orientação sexual diferente pagam preços diferentes é evidente que não estão a ser tratadas da mesma forma. Afinal, a vossa posição, que varia de dia para dia, depende de quê? Da fase da Lua?

 
At quinta-feira, janeiro 26, 2006 9:04:00 da manhã, Blogger ZéLuís said...

50% de desconto? 75% para os bis?humm ...e para os transexuais? ora bem...se eu mudar de sexo e for lésbica tenho CINEMA À BORLA, pois acumulo duas pensões : transsexual e homossexual.
Como o "cinema gay" até costuma ser de alta qualidade e a crise anda aí...é um caso a pensar...

 
At quinta-feira, janeiro 26, 2006 9:21:00 da manhã, Blogger ZéLuís said...

Mt sinceramente acho que se trata de uma iniciatica simbólica, legítima, e não vejo sinal de qualquer tipo de discriminação.

Não há clubes que oferecem entradas às mulheres para assisterem a jogos de futebol? Ou descontos para os namorados no dia 14 de Fev em diversas iniciativas?

No entanto, pesno que também não se trata de promover a ida de de gays ao cinema, mas de comemorar o suposto sucesso de um filme junto de uma comunidade.

 
At quinta-feira, outubro 23, 2008 11:58:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

A discriminação positiva defende a igualdade entre as pessoas, agindo de forma desigual para tentar promover a igualdade, pois cria condições para favorecer aqueles que são vítimas de desigualdades

 

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