31 janeiro 2006

The Lunatic is on the run


Há um ano atrás realizei um trabalho para a cadeira de "Técnicas de Expressão" intitulado "Esta Imagem".
O objectivo era, a partir de uma imagem, descrever uma série de emoções que essa mesma imagem despoletava em mim. Na busca por uma imgem que tivesse tal efeito, decidi recorrer à capa de um dos meus álbuns favoritos: The Dark Side of the Moon, dos Pink Floyd.
Não é nem minha intenção nem meu dever iniciar aqui uma ode à beleza da música dos Pink Floyd e à sua singularidade.
Neste momento, a única coisa que me interessa é destacar o brilho, a incerteza, a beleza e o mistério que esta imagem coloca aos olhos de quem a vê. Portanto, não se trata aqui de elevar ninguém, nem fazer apologia a determinado estilo musical. Simplesmente trata-se de olhar, ver e analisar uma imagem.
Nem mais, nem menos.

29 janeiro 2006

A rir

Estou desde ontem à noite a rir com este post do Esplanar. Um must!

Reduccionismos

- Este quadrado é cinzento.

- Não é nada, é preto e branco.
- É cinzento.
- Não é, é preto e branco.
- É cinzento.
- Se reparares bem, é composto por pequenos pontos brancos que alternam com pequenos pontos pretos. É branco e preto. Basta ampliar um bocadinho. Olha:

- Lá estás tu a defender o atomismo reduccionista. Só consegues ver o mundo a preto e branco. Ignoras sempre os tons de cinzento.
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João Miranda, no Blasfémias.

28 janeiro 2006

Hamas: tragédia ou oportunidade?

O Hamas chegou ao poder. Em eleições livres - e com direito a mais de 70 lugares (num total de 132). Isto significa duas coisas. Primeiro: problemas. Segundo: o Hamas não é, como por aí se dizia, apenas um grupelho terrorista marginalizado; pelo contrário: tem uma forte implementação na sociedade (o que não deixa de ser compreensível: constroem hospitais, prestam auxílio a desfavorecidos, enfim, uma espécie de estado social versão light). E é como se costuma dizer: se um Hamas-associação chateia muita gente, um Hamas-Governo chateia muito mais.
Acontece que o cenário não é tão simples assim. E, ao contrário do que agora se ouve, não são só coisas más; está bem que pior do que as coisas já estavam era difícil, mas a subida do Hamas ao lugar máximo da hierarquia abre algumas novas perspectivas. Em primeiro lugar, o Hamas tem, a partir de agora, responsabilidades. Já não joga por fora, como contra-poder - joga por dentro, como autoridade; uma força externa consegue capitalizar o descontentamento - um poder legítimo é culpabilizado pela má governação.
Claro que é possível - talvez provável, até - que o «programa» do Hamas se resuma a isso mesmo: a destruição do inimigo. Plausível, mas a verdade é que a situação agora mudou. Isto porque, com o Hamas no poder, ataques contra Israel deixam de ser considerados terrorismo para passarem a entrar na categoria da agressão entre entidades políticas. Também se lhe dá outro nome: guerra. Ora, em Israel não há, ao contrário do que acontece aqui na Europa, uma grande quantidade de intelectuais pró-diálogo (não digo que seja bom ou mau; estou a constatar um facto e não a fazer julgamentos normativos). Lá, os nervos estão à flor da pele - e, normalmente, uma opinião pública com a corda na garganta não tem, em regra, as mesmas preocupações com o inimigo que tem uma sociedade que já não sabe o que é a guerra há 55 anos. A reacção militar israelita fica, assim, mais fácil e mais legítima.
Mas um Governo do Hamas abre ainda outro campo que pode ser explorado: um acordo. Isto porque, até agora, um acordo entre os Governos Israelita e Palestiniano era pura miragem. A liderança de um Estado só pode ser efectivada quando há mecanismos que possibilitem ao Governo em acção deter o poderio militar - ou, mais simples, o monopólio da força. E isso até agora não acontecia, com uma Autoridade Palestiniana incapaz de controlar o Hamas, numa eterna dependência. Arafat beijava e abraçava os amigos, prometia paz e prosperidade e o que acontecia? O Hamas rasgava o papel e fazia birra. Agora, isso acabou. A força volta a ter um dono e a autoridade - que antes apenas estava politicamente legitimada - torna-se, neste momento, militarmente legitimada.
Decerto que o diálogo com a Fatah seria mais simples - mas não dava garantias. A partir de ontem, o diálogo pode ser mais difícil, mas é seguramente mais proveitoso. Até porque, nesta nova situação, é mais conveniente para a Palestina seguir a via do diálogo do que entrar numa guerra que não pode vencer. Isto, claro, admitindo que um Hamas mais «polido» e razoável não gera dissensões internas capazes de voltar a desestabilizar a nova ordem agora conseguida. Porque, de facto, as coisas estão agora mais estruturadas e organizadas (politicamente falando, claro) do que antes.
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P.S.- E isto são apenas questões externas. Quanto à política interna, essa levanta ainda mais interrogações... e conjecturas.

27 janeiro 2006

O derby


É já amanhã que os dois clubes com mais história em Portugal se juntam em mais um derby de Lisboa.
De um lado o Sport Lisboa e Benfica, actual campeão nacional e a passar pelo melhor momento da época. Tem como pontos fortes uma defes sólida, com dois excelentes centrais brasileiros, e dois laterias bem rápidos. Se, Koeman optar por Alcides em detrimento de Leo e colocar Nélson na esquerda, ganahrá mais consistência defensiva, contra um Sporting que aposta tudo no contra-ataque. O meio-campo e ataque do Benfica estão também em forma com legítimas referências a Petit, Simão Geovanni e Nuno Gomes.
Do outro o Sporting Clube de Portugal, a seis pontos do Benfica e a passar por um mau momento tanto a nível de exibições como de resultados. O seu ponto forte é o temível Liedson, mas nomes como João Moutinho, Custódio e Abel são também importantes no Sporting de hoje. É nitidamente uma equipa à deriva que precisa de um bom resultado para engrenar para o que falta da liga. Aposta tudo neste jogo.
Espero que seja uma boa partida, e que no final vença o melhor e... que o melhor seja o Benfica, nem que seja com um golo do Luisão aos 83 minutos, como no ano passado.

26 janeiro 2006

Chamados a formar Governo


Da direita para a esquerda: primeiro-ministro, ministro da Economia, ministro da Administração Interna, ministro dos Negócios Estrangeiros e ministro das Finanças. O novo Executivo, composto exclusivamente por membros do Hamas, já prometeu abertura ao diálogo.

25 janeiro 2006

E fica a vénia

A circular pelo google (numa das curtas pausas enquanto estudo para a frequência de Geografia Humana) dei de caras com um extraordinário post de Luís Aguiar Conraria, que merece reprodução integral. Leiam tudo e, se possível, os respectivos comentários, aqui. Vale a pena.
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Recebo uma bolsa de estudos do Ministério da Ciência, Inovação e Ensino Superior. Apesar de ser uma bolsa bastante generosa, é tão dispendioso estudar nos EUA que me vi obrigado a ser teaching assistant. Comecei em Setembro de 2002, no meu segundo ano de doutoramento. No primeiro ano passei por alguns testes de "aptidão pedagógica". Dois testes, para ser mais preciso. Como o inglês não é a minha língua mãe, sujeitei-me a uma entrevista com o objectivo único de avaliar a minha capacidade de expressão oral. Tive depois de simular 30 minutos de uma aula para avaliaram as minhas capacidades pedagógicas. Com a experiência que levava do Minho não foi difícil passar este teste. Quem chumbou, a maioria, teve de passar o mês de Agosto em acções de formação (remuneradas). Antes do início das aulas, todos os novos teaching assistants tiveram mais três dias de acções de formação. Discutiu-se o código de conduta da universidade, alguns .case studies., visionámos vídeos reais de boas e de más aulas.
Para o último dia estava reservado o melhor. De manhã, enquanto éramos filmados, cada um de nós teve de simular 15 minutos de aula. No fim recebíamos, por escrito, as críticas dos nossos colegas. À tarde, em conjunto, visionámos os vídeos de cada um, e discutimos as críticas que tínhamos recebido. Terão sido poucos os aspectos que não foram cobertos. Colocação de voz, uso correcto e não caótico do quadro, como evitar estar sempre à frente dos alunos quando estes tentam copiar algo do quadro, as nossas reacções a perguntas mais estúpidas, etc.
A meio de cada semestre, entregamos uns inquéritos aos alunos. Somos avaliados numa série de itens: uso correcto do quadro, disponibilidade para responder a perguntas, assiduidade, etc. O mais interessante são as perguntas de campo aberto, onde temos a ocasião de ver os nossos pontos fracos. Ao longo do ano são imensas as workshops opcionais dedicadas a professores e assistentes sobre técnicas de ensino.
Os inquéritos são, posteriormente, entregues ao coordenador dos teaching assistants. Esse coordenador irá filmar as aulas dos teaching assistants mais problemáticos, analisando com eles quais os aspectos que podem, e devem, ser melhorados. No fim do ano, outros inquéritos são distribuídos. Os alunos avaliam os professores e os teaching assistants, com perguntas que cobrem diversos aspectos pedagógicos. Os docentes são avaliados com base nestes inquéritos.
São poucas (nenhumas?) as universidades portuguesas que têm estas preocupações pedagógicas. Talvez por isso os meus melhores mestres tenham sido os do ensino secundário. Estes têm de passar por um estágio no início da carreira e, nalguma fase das suas carreiras, também acabam por ser orientadores de estágio. Poderia destacar vários professores que tive no liceu, mas seria injusto com muitos outros. Refiro apenas dois. O professor Rito, de matemática, e a dra. Dora Caeiro, de história. Claro que tive bons professores na universidade. A dra. Maria dos Anjos Saraiva, que me devolveu o gosto pela matemática, o doutor Adelino Fortunato, que quase me roubou da Macroeconomia para a Economia Industrial.
Acho sempre notável que alguns professores se recusem a ser avaliados pelos alunos. O principal argumento é o medo do espírito mesquinho e de vingança dos estudantes, a par com a subjectividade que qualquer avaliação encerra. E o contrário? Não é verdadeiro? Quantos de nós não conhecem casos de pura mesquinhez de alguns professores quando avaliam os alunos? E a subjectividade na avaliação dos alunos, não existe? Pessoas que se recusam a ser avaliadas, deviam, por coerência intelectual, recusar-se a avaliar, pelo que não deviam ser professores.
Pergunto também, qual a defesa dos alunos contra as arbitrariedades dos professores? Lembro-me de, no último ano da licenciatura, ter perdido um valor no exame de "Gestão Financeira" porque a professora não sabia distinguir uma taxa de juro efectiva de uma nominal. Estive uma tarde a discutir com ela este assunto. A minha média final de curso não ficou afectada. Mas podia ter ficado. Aliás, quando isto se passou, eu ainda estava a lutar para chegar ao 15.5 que me daria 16 de nota final. Na altura senti-me mesquinho em discutir uma nota. Hoje, quando percebo que pelo critério de atribuição de bolsas do MCIES (pelo menos na área de economia), quem não tem média de 16 na licenciatura tem muito mais dificuldades em obtê-las. Hoje, quando me lembro que no meu primeiro emprego, em Lisboa, quatro recém-licenciados em economia foram contratados, todos com média de 16. Hoje, quando percebo que se não tivesse tido média de 16 nunca tinha sido contratado pela Universidade do Minho. Hoje, penso que devia ter protestado muito mais.
Em Portugal os alunos não têm o poder para despedir os professores. Não existe esta ditadura dos alunos. Os professores têm medo do espírito mesquinho e de vingança dos estudantes. Claro que pode haver um outro aluno ressabiado e mesquinho. Isso nunca é suficiente para despedir alguém. Mas quantos professores não há que são, pura e simplesmente, detestados por quase todos os alunos? Espírito mesquinho destes? Por favor, sejamos mais humildes. Há professores maus, que dão mau nome aos bons. Se quase ninguém gosta de um professor, então com certeza que estamos perante um mau professor. E mesmo que, por absurdo, se argumente que é um bom professor, de que adianta isso se ninguém gosta dele?
O que é um bom professor? A resposta a esta pergunta não é assim tão complicada. O que é um bom estudante? A resposta à primeira pergunta está na resposta à segunda. Um bom estudante estuda. Um bom professor estuda também. Um bom aluno sabe a matéria que lhe ensinaram. Um bom professor percebe o que ensina. Um bom aluno questiona o professor. Um bom professor estimula as questões do aluno. Um aluno deve ser curioso e fazer perguntas e questionar certezas. Um professor deve ficar contente de cada vez que não sabe responder a uma questão.
Se a principal função de um professor é ensinar os alunos e nenhum aluno gosta dele, porquê insistir? Nem os alunos estão contentes nem o professor se sente realizado. Não era melhor para todos se o professor se dedicasse a exercer o que estudou? Se é professor de economia vá ser economista nalguma empresa, ou organização governamental. Se é professor de química pode ir para um laboratório farmacêutico. Qual é o drama? Tenho consciência que não é fácil avaliar a qualidade pedagógica de um professor. Compreendo também que haverá alguns bons professores que serão injustiçados se um sistema de avaliação pedagógica, com consequência, for levado avante. Mas não nos esqueçamos de quantas injustiças são criadas ao não haver uma avaliação séria dos professores. É injusto para os alunos. É injusto para os pais. É injusto para os bons professores. É injusto para os potenciais bons professores que não encontram colocação nem nas universidades nem nos politécnicos (e, já agora, nem nas escolas secundárias).
Sabemos que muitas instituições de ensino superior são instituições acomodadas. Sabemos também que há muitos professores acomodados e desencantados. A mudança não partirá da universidades e politécnicos. Terão de ser os alunos a ser mais exigentes e reivindicativos. Terão de ser os alunos a revindicar mais qualidade, em vez de menos propinas.
Acredito que resposta à questão .Como se altera esta situação?., está na resposta a outras perguntas:
- Como tornar os estudantes muito mais exigentes?
- Como obrigar as Universidades a escutarem essas exigências?
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É uma perspectiva. Corajosa e responsável, por vir de um professor. Mas a exigência dos alunos para com os professores também tem de ser, muitas vezes, remetida a outros destinatários. Como a eles (nós) mesmos.

24 janeiro 2006

Discriminação

«Todos aqueles que se dirigiram ao cinema Moderníssimo, em Nápoles, Itália, para assistir à estreia do último filme de Ang Lee e admitiram ser homossexuais tiveram direito a uma redução de 50 por cento no preço do bilhete. «O segredo de Brokeback Mountain», o mais recente trabalho do autor de «O Tigre e o Dragão» e «Hulk», retrata o amor proibido entre dois cowboys na América profunda das décadas de 60 e 70. Luciano Stella, proprietário da sala de projecção e promotor da iniciativa, explicou que se «alguém se declarar gay só para pagar menos, isso deixá-lo-á bastante feliz porque significa que a homossexualidade é cada vez menos um tabu». (Via Assur).
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E se o cliente for bissexual, paga 75% do preço?

23 janeiro 2006

Os «inigmas» de Vital Moreira

No Causa Nossa, a azia é grande. O mau perder também:
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«O problema com Cavaco Silva não é só ele ser o primeiro presidente oriundo da direita política, nem o inigma (sic) sobre a sua prática presidencial. É ele suceder a quem sucede: 10 anos de um presidente maior do que o País (Mário Soares); 10 anos de um dos presidentes mais cultos e "aristocratas"(no verdadeiro sentido da noção) que já tivemos (Jorge Sampaio). Ter agora um presidente que não ultrapassa os limites de uma cultura economista e tecnocrática é uma enorme sensação de despromoção...»
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«A vitória de Cavaco Silva é obviamente inatacável sob o ponto de vista da sua legitimidade democrática. Mas é uma vitória politicamente fraca. Foi uma vitória à tangente, a mais magra de todos presidentes até agora; foi uma vitória assente numa forte abstenção, principalmente no campo socialista; foi uma vitória em queda acentuada, ficando a anos-luz das expectativas de vitória esmagadora do início (basta reler os bloggers e colunistas do campo cavaquista de há umas semanas). Dá a impressão de que com mais uns dias de campanha e a vitória escaparia.Esta vitória fraca não lhe deixa grande margem para o intervencionismo presidencial que ele e os seus apoiantes acalentavam. Se a política tivesse lógica, seria de esperar uma moderação dos propósitos de activismo presidencial do candidato eleito. Tal como Mário Soares no seu primeiro mandato, o mais lógico seria uma presidência contida, sem obstaculizar o governo de Sócrates, esperando tirar proveito próprio do previsível sucesso deste na superação da crise económica e financeira. Mas será que Cavaco Silva é previsível?»
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Em casa onde não há pão...

22 janeiro 2006

A ler

Os últimos três posts do Bloguitica.

Presidenciais 2006

A fiar nas sondagens o próximo Presidente da República vai mesmo ser Cavaco Silva. Algumas considerações:
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1. Vencedores: Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa, Manuel Alegre (ordem arbitrária). Derrotados: Mário Soares, o Bloco de Esquerda, Mário Soares e, por arrasto, o PS. Surpresas: a diferença entre Manuel Alegre e Mário Soares, entre Mário Soares e Jerónimo de Sousa, e entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã; a vitória tangencial (e apenas bastante provável, por agora) de Cavaco Silva.
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2. Não entendo as teses de António Vitorino e Marcelo Rebelo de Sousa, que acabaram agora de dizer na RTP1 que Manuel Alegre teria sido uma melhor escolha do PS. A diferença de votos entre Soares e Alegre é avassaladora, certo. Mas a questão é outra: será que algumas das causas da grande votação de Manuel Alegre não são inerentes ao próprio estatuto da sua candidatura? Por outras palavras: com Alegre e Soares a votação socialista dessa área atingiu mais de 30%; caso o candidato apoiado tivesse sido Manuel Alegre, haveria apenas um candidato desta área - porque Soares nunca se candidataria - e muito dificilmente Alegre acabaria com uma votação de 30%. Creio eu (até porque sem um «discurso anti-sistema» - em que se baseou a sua candidatura - a massa política do poeta reduz-se a uma densidade ao nível das pipocas).
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3. Não sei o que é um movimento de «alargamento da cidadania». Não sei o que é «o abrir de um novo espaço de intervenção». Convinha, pois, que os responsáveis da segunda candidatura fossem capazes de consubstanciar os conceitos em algo mais palpável, mais substancial. Se for possível, claro.
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4. Não vou ganhar a BlasfemAndWin. Isso é certo. Mas ainda posso, segundo os meus cálculos, ficar nos 50 primeiros lugares. Ou talvez não. Quem me manda a mim apostar em Mário Soares em segundo?...
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5. O «Choque Tecnológico», prometido pelo PS, está cada vez mais perto. Depois do choque de hoje, já só falta o «tecnológico».
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6. Cavaco Silva ainda não falou. Tomou-lhe o gosto na campanha?
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7. Presumo que este tenha sido o último dia de vida de um dos melhores blogs que já tive o prazer de visitar: o Pulo do Lobo.
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8. A votação de Francisco Louçã supreende-me. É o líder que melhor comunica, o candidato com melhor intervenção em debates, aquele que mais entusiasma nos comícios, o mais telegénico. O extremismo não explica tudo; realmente, explica muito pouco: a votação do Bloco de Esquerda nas legislativas conseguiu exceder estes parcos 4/5%. Mesmo admitindo que desta vez o voto de protesto não tenha tido eco, por muitas alternativas (e porque uma figura individual de candidato presidencial não causa o repúdio que o bloco central tem vindo a granjear junto dos eleitores de centro), fica sempre a imagem de que a votação foi baixa. Demasiado baixa. Não entendo, confesso.
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9. O candidato «simpático» está, neste momento, a fazer o discurso mais intolerante de todos. A velha ladainha das políticas de direita, dos pobres e excluídos, da instabilidade política, etc. O PCP mudou o formato, trocando a cassete pelo DVD, mas o conteúdo é o mesmo. Seria talvez sensato que alguém explicasse a Jerónimo que, por muito que lhe custe, o povo pode, realmente, não querer um Presidente de Esquerda.
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10. Garcia Pereira é uma paródia absoluta. O momento em que criticou o PS por ter rejeitado apoiar a sua candidatura foi sublime. Mr. Bean tem concorrência.

The Moral Matrix




















Via aforismos e afins encontrei mais um «teste político» - The moral matrix. Os resultados (expostos abaixo) foram bastante parecidos com os de um outro teste que fiz há tempos (o que significa que são relativamente fiáveis, com tudo o que de ambíguo a palavra «falibilidade» comporta, especialmente na classificação política de uma pessoa). As diferenças - para lá da conotação partidária (no teste anterior estava mais perto do Partido Republicano do que do Partido Democrata, e agora as coisas inverteram-se, ainda que muito ligeiramente) são mais ao nível da categorização do que do conteúdo: antes fui classificado como centrista e agora como liberal moderado, mas a posição no gráfico é idêntica (além do mais, as classificações neste teste são mais específicas do que as do outro - que era bastante generalista -, o que permite matizar conceitos como liberalismo, socialismo, etc.). É um teste interessante e rápido que qualquer um pode fazer em dois minutos (mais um minuto para deixar a respectiva orientação na caixa de comentários, claro!).
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Moral order = Moral rules = -1,5
System: Liberalism
Variation: Moderate Liberalism
Ideologies: Capital democratism
US Parties: Democratic party
Presidents: Gerald Ford (90,62)%

21 janeiro 2006

E se fosse com o Belmiro de Azevedo?

No «Expresso»:
Entrevistador: como reagiria se a sua filha casasse com um extremista muçulmano?
Francisco Louçã: qualquer pai deseja a felicidade dos filhos.
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É um caso de felicidade mútua: da filha e do pai.

19 janeiro 2006

A queda de um mito

Aquele tipo que fazia de Mitch Buchanon (é assim que se escreve) na série das Marés Vivas decidiu lançar-se na música. O vídeo é absolutamente delirante.

18 janeiro 2006

Será este?

Como todos nós sabemos, os globos de ouro são um óptimo prenúncio para aquilo que vai acontecer nos Óscares. Regra geral, aqueles que se safam aqui têm uma boa noite nos prémios “oficiais” da Academia.
Ora, este ano o filme vencedor foi o polémico “Brokeback Mountain” que arrecadou 4 prémios: “Melhor filme”, “Melhor Banda Sonora”, “Melhor Realizador” (Ang Lee) e também “Melhor Drama”.
A grande controvérsia em torno deste filme é que, em traços gerais, relata a angústia de dois cowboys americanos que procuram, com todas as suas forças, reprimir o desejo que têm um do outro. Por outras palavras, são dois cowboys que se apaixonam e não sabem como lidar com a situação.
Este foi um filme que desde a sua génese levantou muita polémica, mas agora Ang Lee está a ver essa polémica a resultar em prémio e reconhecimento pelo seu trabalho, ma também pelos desempenhos sólidos de Heath Ledger e Jake Gyllenhaal.
O filme é a adaptação para o cinema do livro da autora Annie Proulx. Embora a maioria reconheça que o livro é superior ao filme, todos admitem a boa forma do mesmo.
Num ano que foi marcadamente mediano em termos de lançamentos do cinema, será sempre uma edição fraca dos Óscares, mas este filme é, a partir de agora, o principal favorito a sair vencedor no final do mês.

D'zrt

Parece que o primeiro lugar do top de vendas de música portuguesa está ocupado pelos D'zrt. Sou sincero: não fazem o meu género. Mas, por favor, não é preciso tanta exaltação, como a que por aí se vai sentindo. Decerto que a melodia pode não ser muito elaborada, as letras oscilam entre o simples, o rasco e o panfletário e o próprio grupo não tem cara de banda de música. So what? Deixem a rapaziada cantar à vontade, eles amealham uns tostões e as nossas crianças ficam entretidas. Claro que, depois do espanto inicial, o choque dá lugar à inquietação - e surge a pergunta: como explicar? Alguns avançam pelo golpe publicitário; outros, por seu lado, apontam o baixo nível cultural do povo.
Confesso que não sei bem o que é um golpe publicitário. Se, por norma, tudo aquilo que vende é «comercial» (desde Britney Spears até U2) e tudo o que é comercial é publicitado, então 99,9% da música que ouvimos (lá de fora, sim, mas também a nacional) é um tremendo golpe publicitário. Atenção, não enalteço os D'zrt; mas em capítulo tão relativo e subjectivo como a música (e, em geral, a arte), traçar fronteiras e definir o que é «bom» e «mau» é impossível. Uma música pode ser bem sucedida devido à publicidade (no sentido em que apenas conseguiu vender devido à publicidade) - mas isso não faz dela um golpe de publicidade; um aspirador pode ser um «golpe de publicidade» - porque, tendo um fim (aspirar), pode ser qualificado numa escala ordinal de acordo com a sua eficácia, estando, por isso, sujeito a testes objectivos (e uma boa campanha de publicidade pode «enganar» o público); na música, isso não acontece: se os gostos são função do contexto social em que vivemos - e a publicidade faz necessariamente parte desse contexto social -, então uma obra de arte não é nunca um golpe de publicidade. Um exemplo bastante concreto é o da arte pós-moderna - como a que está em exposição no museu Guggenheim, em Bilbao. Há lá de tudo: desde bugigangas enroladas até vídeos semi-pornográficos, passando por vassouras (não omiti nada: a «obra de arte» em causa é, simplesmente, uma vassoura de plástico castanho; nada mais). É interessante ver a cara das pessoas ao olharem para as obras: espantadas, curiosas, intrigadas. Algumas, mais persistentes, procuram encontrar alguma espécie de sentido naquilo - afinal de contas, se as obras lá estão, alguma razão deve haver. Há, realmente, uma grande razão para o Museu estar a expor coisas daquelas: dá dinheiro. A economia de mercado tem destas coisas. Aparentemente, poucos se apercebem de que, se aquilo é arte, então todos somos tão artistas quanto os «génios» pós-modernos, todos fazemos arte todos os dias e absolutamente todos temos arte em casa, até na casa de banho! Manzoni, por exemplo, autor de «Merda de artista» (caso raro de um título extraordinariamente bem atribuído, ainda que fique a dúvida: está classificar o artista ou a atribuir-lhe a paternidade do rebento?), justificava o sentido profundo da obra no curto e sintético enunciado: «é uma obra de arte, porque é minha». A arte de facto tem destas coisas; e não é - ou não é só - a publicidade que faz com que as pessoas se desloquem aos museus para perder tempo com este tipo de coisas: é, acima de tudo, um meio cultural que valoriza este género de arte. As pessoas vão ver as telas, apesar de já saberem o tipo de arte que as espera; apesar de não encontrarem sentido naquilo, apesar de, provavelmente, não reconhecerem sequer talento aos autores, a verdade é que elas vão. Consomem. E não é um spot que as obriga: vão porque, em última análise, querem realmente ir, seja por que razão for. Aparentemente, até os eruditos «gostam» de... publicidade. Seja lá o que isso for.
Mas, acontece às vezes, perdi-me no raciocínio. Falava dos D'zrt. Não há, dizia, mal qualquer em que a turma dos «Morangos com açúcar» venda discos que nem ginjas. Não é bem assim. Não há, de facto, mal nenhum em que «x» % dos portugueses prefiram D'zrt a Beethoven - a arte é relativa e até os eruditos entram em confronto acerca do que é a «arte» (ok, há casos demasiado evidentes, e é impossível que alguém possa olhar para uma Gioconda e não ver arte naquilo; mesmo quem não gosta não pode deixar de considerar que de facto é preciso talento - muito talento - para fazer uma coisa daquelas); mas quem normalmente ouve D'zrt não é, por norma, um público muito culto. É um caso evidente de correlação entre duas variáveis - a música ouvida e o nível cultural. O lugar dos D'zrt no ranking não levanta problemas a não ser por aquilo que indica. E o facto de uma «boys-band» produzir a música mais ouvida em Portugal e Manzoni ser considerado artista não é, em si mesmo, uma coisa má. Mas é sintomática.
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P.S.- «Mas a mim tanto me faz».

15 janeiro 2006

Criminalidade

Penso que foi Rudolph Giuliani quem implementou em Nova-Iorque um apertadíssimo sistema de combate ao crime que se baseava numa espécie de «tolerância zero» aos criminosos (salvaguardadas as devidas distâncias, os criminosos de lá são quase tão problemáticos quanto os condutores de cá, o que em boa parte abonava em favor da medida em causa). Foi uma tomada de posição corajosa e determinada que, não obstante ter tido impacte nas estatísticas criminais, não foi vista com muito bons olhos, nem pelos intelectuais americanos nem pelos comentadores europeus. Os criminosos, esses, também não receberam as notícias com entusiasmo. Compreensível.
As coisas por aqui ainda não chegaram a esse ponto, mas, convenhamos, já faltou mais. Os crimes violentos multiplicam-se, as agressões proliferam, andar à noite em certas zonas de Lisboa e Porto é quase um atentado à inteligência, o «Correio da manhã» faz manchestes e notícias com a desgraça alheia, os miúdos são assaltados dia sim, dia não, a polícia já nem pode entrar em determinadas áreas mais complicadas. O crime, por fim, banalizou-se. Do mais abjecto homicídio ao mais indigente vandalismo, do mais violento espancamento ao mais vil assalto, não há palavra que se ouça de quem de direito. Entre a resignação, laxismo ou irresponsabilidade, não sei qual apontar.
Exposto o problema, proponham-se soluções. Primeiro: abandonar a auto-mutilação da sociedade de bem-estar tão cara à Esquerda caviar, para quem não há bandidos, só vítimas. Entendamo-nos: é óbvio, lógico e sensato admitir que o criminosos tem razões para fazer o que fazem. Acreditar, digamos assim, que há qualquer coisa por detrás do seu comportamento. É igualmente lógico, sensato e óbvio admitir que não é o cidadão inocente que tem de pagar por isso (raciocínio extensível às minorias étnicas). Segundo e último ponto: dar às forças da autoridade os meios de que necessitam. E este problema é, mais do que financeiro, cultural. É completamente inaceitável que seja aberto um processo a um polícia por simplesmente empunhar a arma, seja em que situação for (é verdade, por incrível que pareça). É absurdo que um agente policial tenha medo de usar a força contra um criminoso por receio de acabar com uma acusação a pender sobre os ombros. E é incompreensível o discurso da vitimização do criminoso que, concomitantemente, persiste em ver os polícias como os maus da fita (ainda se lembram da «carga policial indiscriminada»?).
Se as coisas continuarem assim quem se poderá espantar se cada vez mais pessoas marcarem presença nas manifestações «contra a criminalidade» da insípida Extrema-direita portuguesa? Caso para dizer: volta Giuliani, que estás perdoado.

13 janeiro 2006

Referendar a OTA?

Um «grupo de cidadãos» decidiu agora pedir, em carta aberta à Assembleia da República, um referendo «em seu nome, dos seus filhos e dos filhos dos seus filhos». A causa de tão invulgar encomenda é, ao que parece, o projecto da OTA, que os signatários calorosamente apodam de «investimento megalómano».
Descasquemos a questão. O que resta, escalpelizado o pedido, é o seguinte: a possibilidade de referendar uma obra pública. E não é uma obra pública qualquer: é uma obra que envolve considerações do foro geográfico, problemas de engenharia, questões de colocação, impactes ambientais. Não é um assunto leve - é complexo e, pior, técnico. Colocar a decisão nas mãos do povo - estatisticamente pouco informado, para usar um eufemismo - é, ainda que «simpático», irresponsável. Além de, obviamente, abrir um grave precedente.
No Semiramis já se deu uma resposta. E o outro lado ripostou: «1) A decisão de fazer a Ota e o TGV é política. Foi óbvio para toda a gente que o Ministro Mário Lino tomou a decisão e depois foi à procura de argumentos técnicos para a justificar. E encontrou-os, como teria encontrado argumentos para justificar o contrário. 2) A Ota e o TGV não são o resultados de necessidades técnicas mas das fantasias políticas daqueles que acreditam que o estado é o motor do desenvolvimento. 3) Não existem questões puramente técnicas. Se as questões públicas se resumissem a decisões técnicas seriamos melhor governados por técnicos. Mas as questões públicas vão muito para além das questões técnicas. Os técnicos podem dizer-nos o que acontecerá ao tráfego da Portela, ou qual será o custo e o impacto da Ota. Mas não nos podem dizer que investir na Ota é melhor que baixar os impostos ou que construir hospitais porque essas questões dependem das preferências individuais de cada cidadão. 4) A questão da Ota é essencialmente política. Quem a considera exclusivamente técnica é porque já fez uma opção política. Optou por considerar que numa sociedade não existe diversidade de preferências (um erro técnico) para concluir que devemos ser governados por técnicos (uma má opção política). É a tese de Cavaco Silva, para quem duas pessoas de boa fé com a mesma informação técnica têm obrigatoriamente que concordar». O Estado não conhece as preferências individuais de cada português; mas o Estado tem a legitimidade para fazer uma obra que julgue poder concretizar-se numa situação globalmente mais positiva. Poder-se-á discutir se cabe ao Estado fazer isso. Mas a verdade é que um partido foi votado para governar, com uma matriz ideológica razoavelmente conhecida e com uma linha de acção previsível. Além do mais, a justificação dada serve, de qualquer das formas, para rejeitar a priori qualquer intervenção estatal - e, estranhamente, esta é a primeira vez que o «grupo de cidadãos» se junta para exigir um referendo.
Não, o verdadeiro problema aqui é, mais uma vez, o medo do papão Estado. Algo bem expresso no ponto dois, quando se diz que «a Ota e o TGV não são o resultados de necessidades técnicas mas das fantasias políticas daqueles que acreditam que o estado é o motor do desenvolvimento»...

12 janeiro 2006

Profecias

As crónicas diárias de Alexandre Pais no «Record», jornal cujo cargo de director ocupa, oscilam frequentemente entre o elogio fácil e a crítica desbragada, forma escorreita de debitar conhecimentos técnicos acerca do mundo da bola e passar a pente fino os principais protagonistas, separando o trigo do joio como apenas os especialistas sabem fazer.
A realidade é outra. Se como cronista Alexandre Pais não é mais do que sofrível, já como analista é, na melhor das hipóteses, incompetente. Vaticínios furados, análises enviesadas, previsões não cumpridas, tudo isto marca, de uma forma ou de outra, a actividade jornalística do director do «Record». O caso mais flagrante terá sido quando, em meados do ano passado, e após uma série de más exibições do Sporting, Alexandre Pais dizia que José Peseiro, à altura treinador dos leões, não era homem para ocupar o lugar. Não sei se era, se não era. Sei que, meses mais tarde, Alexandre Pais emendava a mão e - alto lá! - Peseiro já era homem para o Sporting. Aproximava-se então o final da época e o Sporting estava em boa posição para se sagrar campeão e ganhar a taça Uefa. Perdidos os dois troféus, o sagaz e arguto personagem era de novo iluminado pela luz da sabedoria: afinal, Peseiro não prestava. Ele «sempre dissera isso», como chegou a frisar à altura. Grandioso.
Agora, mais uma pérola: Paulo Bento «pode ter azar»; mas «que temos treinador, lá isso temos» (apetece perguntar: e por quanto tempo, Alexandre?). Motivos: «aposta nos jovens». Prezado cronista, os bons treinadores por norma apostam nos jovens (ainda que nem isso seja certo); mas nem todos os que apostam nos jovens são bons treinadores. É possível – não arrisco dizer «provável» - que Paulo Bento se venha a revelar um bom treinador. Mas não serão duas substituições – ainda para mais quando foram extraordinariamente condicionadas pela escassez de soluções no banco – a conceder-lhe esse título.
Enfim, com uma coluna para preencher todos os dias também não se lhe pode pedir muito mais.

09 janeiro 2006

Autárquicas

Um pouco atrasado mas... a não perder!

07 janeiro 2006

A apropriação musical

No excelente Pulo-do-Lobo.

E esta, hein?

«Mais de mil beneficiários do subsídio de desemprego foram «apanhados» pela Segurança Social a trabalhar. De Abril a Novembro de 2005 foram realizadas 19 200 inspecções feitas. A notícia é avançada este sábado pelo Jornal de Notícias que escreve ainda, que o próprio ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva acredita que o verdadeiro número "seja superior".
Apesar de apenas 5 por cento dos fiscalizados terem sido apanhados em situação ilegal, o ministro reconhece que o valor está ligado ao método "pouco rigoroso" que é usado e acrescenta que "a capacidade de detecção é pouco eficaz por comparação com outras prestações sociais, como o subsídio de doença".
A suspensão do pagamento da prestação de todos os falsos desempregados permitiu ao Estado poupar 1,5 milhões de euros.
Ainda assim, o aumento da taxa de desemprego fez disparar os gastos públicos com este subsídio. Ou seja, segundo o Jornal de Notícias a prestação implicou pagamentos no valor de 1,790 mil milhões de euros em 2005, mais 151 milhões que em 2004.
Em 2004 foram realizadas 7 471 inspecções contra 19 200 feitas em 2005. O executivo liderado por José Sócrates promete continuar este trabalho no decorrer deste ano. E, vai contratar, este ano, 40 novos trabalhadores para as secções de processo, que tratam os processos em fase de execução judicial
». Via Portugaldiário.

Fumar é feio

Se um cidadão de pleno direito, maior de idade e mentalmente são, tomar uma decisão que não prejudique terceiros, não há razão alguma para que deva ou possa ser impedido - mesmo que a eventual proibição aparente actuar «no melhor interesse do visado». As crianças são proibidas de brincar com armas e os bichinhos de estimação andam de coleira na rua; os homens, não. Por uma razão simples: actuando de livre vontade, podem ser responsabilizados pelos seus actos. A liberdade anda a par da responsabilidade; se não se pode exigir a segunda quando a primeira não está presente, também é verdade que quem assume as consequências dos seus actos - pelo menos os que não prejudicam terceiros - deve ter a liberdade de os praticar.
Vem a isto a propósito do recente fetiche espanhol pelo vício do tabaco. É legítimo - mais: correcto e justo - salvaguardar os direitos de quem, não fumando, é afectado pela baforada do vizinho do lado. É razoável exigir a criação de espaços de não fumadores, mesmo a privados. Mas é tenebrosamente totalitário que se proíba a criação de espaços para fumadores em determinados locais, algo muito bem parodiado pelo Cláudio Tellez no Insurgente.
Sim, o tabaco faz mal, o tabaco mata, o tabaco não é amigo dos pulmões. Ok, e o açúcar faz mal aos dentes. E não é por isso que se proíbe o consumo de açúcar. Desde que a cárie não dê direito a subsídio, deixem a malta estragar os dentes à vontade. E os pulmões também, se faz favor.

05 janeiro 2006

O melhor de sempre





Uma das lembranças que recebi neste natal foi um livro, de uma tal Mark Winegardner, de nome " O Padrinho - O Regresso" (The Godfather Returns").
Ora este livro relata episódios da saga de Mario Puzo que não estão retratados nos filmes de Francis Ford Coppola.
No livro Michael Corleone é o don após substituir o seu pai, Vito. O livro descreve acontecimentos surgidos entre o I e II filmes.
Para quem conhece vale a pena ler pois agora muitas coisas que apenas estão subentendidas no filme são explicadas no livro. Por exemplo, como chega Michael a Las Vegas? Onde começaram os problemas entre ele e Kay? Que se passa com Fredo? E Connie? E os inimigos das famílias rivais? Como tentaram matar Michael?
Sou um fã deste tipo de filmes e de leitura e não pude deixar de partilhar uma história tão interessante e bem contada com todos vós.

Será desta?





Há uns tempos atrás escrevi aqui neste espaço que os palestinianos ainda não se tinham visto livre do forte líder israelita, Ariel Sharon.
Pois parece que desta é mesmo de vez. Os médicos garantem que mesmo que Sharon sobreviva, algo que ainda não é certo, ele nunca mais poderá exercer as funções de primeiro-ministro.
Ora, as questões que se levantam: E agora? Conseguirá Israel encontrar um líder tão forte e destemido quanto este? Conseguirá encontrar um líder capaz de continuar o processo de paz?
De referir que o Presidente iraniano afirmou desejar que Sharon morra. Só lhe fica bem ... para dar continuidade à sua tão famigerada coerência.

04 janeiro 2006

O «Código DaVinci», versão Saraiva

Anda por aí muita gente indignada com a sondagem do «Expresso» desta semana, acerca da orientação sexual dos portugueses. O reconhecido Margens de erro também já deu o seu parecer - desfavorável, claro. É pena. É pena que nenhum tenha reparado na evidente componente «cabalista» da coisa. E é pena que nenhum tenha tido a argúcia de notar que José António Saraiva decidiu, na sua última semana à frente do semanário, revelar aos portugueses os segredos a que teve acesso durante os últimos 22 anos. É verdade, experimentem retirar da capa a pergunta «Casamento entre pessoas do mesmo sexo?». Revelador, não é?

Pessimismo

«"Lá se vai andando", "faz-se o que se pode", "isto vai de mal a pior"etc... (um longo etc...) são expressões que podem ser ouvidas em qualquer lado e a toda a hora neste nosso país.
Ver um telejornal em qualquer canal português, onde o que vende é a desgraça alheia e onde está na moda introduzir uma estatística sobre como Portugal é o "lanterna vermelha" da União Europeia, é como comprar uma depressão de 30 minutos.
As fontes deste pessimismo crónico são com certeza variadas, mas eu interrogo-me até que ponto a nossa imprensa - com toda a sua falta de qualidade - desempenha um papel fulcral nesta conspiração negativista (incluindo Miguel Sousa Tavares, Vasco Pulido Valente e outros que tais).
Na Índia a situação é o oposto: num país que tem todos os problemas que a civilização pode enfrentar - terrorismo e separatismo, poluição, pobreza, descriminação e racismo,etc...- a tónica é o optimismo. Dá muito que pensar ver a forma como principalmente as pessoas que menos têm encaram a difícil vida que têm com um sorriso. Ler um jornal como o "Times of India" é uma experiência peculiar: as notícias de foco são o crescimento económico, o resultado do jogo de cricket, a melhoria das relações com o Paquistão (isto se o Paquistão não tiver vencido a Índia no jogo de cricket) e a mais recente operação da Britney Spears, enquanto que o desastre (quase diário) de um autocarro ou comboio no qual morreram centenas de pessoas ou o as monções que já fizeram mais de não sei quantos mortos ocupam as últimas páginas quase em nota de rodapé.
É evidente que é necessário um certo equilíbrio analítico, e também não estou a discutir o grau de isenção e de liberdade da imprensa em questão, mas tenho a certeza que ambos os casos deste oito ou oitenta influenciam a forma como as pessoas encaram o dia-a-dia. Tudo na vida é uma questão de perspectiva e não há nada como a natural tendência do homem para se fechar sobre si próprio e sobre os seus problemas para perder a visão do quadro maior
». Tirado d'O Sinédrio.

03 janeiro 2006

Boas razões para não votar Bloco

«O Pacheco Pereira sabe muito bem que uma segurança social que só serve para pobres é uma má segurança social». Autor: Miguel Portas. Para o eurodeputado pelo Bloco de Esquerda, a forma de resolver a insustentabilidade da segurança social e promover a criação de emprego é tão simples como «retirar os previlégios à burguesia». Fantástico. Já o sociólogo Boaventura Sousa Santos, apoiante do mesmo partido e forte entusiasta de operações de charme com terroristas islâmicos, bem como de diálogos com terroristas franceses (no escalão sub-16), disse que o mundo Ocidental de hoje explora os países africanos e asiáticos de forma ainda mais pornográfica do que no tempo dos Descobrimentos. Brilhante.

Prós e contras

Está-me a dar um gozo especial ver Pacheco Pereira desmontar o discurso do populista Miguel Portas.

02 janeiro 2006

Miterrand

Os franceses já escolheram o melhor Presidente dos últimos 50 anos. Surpresa, surpresa... Miterrand. Sim, à frente (até) de Charles de Gaulle. A excelente classificação nasce de uma apreciação muito positiva em temas como a integração dos imigrantes, a defesa da democracia e a luta contra o desemprego. Mário Soares já veio dizer que concorda em absoluto com a escolha do povo francês e referiu que ele próprio foi em tempos um grande amigo de Miterrand, um factor que deveria pesar na hora de os portugueses assinalarem a cruzinha na cabine de voto.
Nota: a sondagem foi feita pelo «Libération» com base numa amostra de 952 pessoas.

01 janeiro 2006

E coisas que vale a pena ler

Coisas como esta.
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P.S.- Já agora passem também os olhos pela gala de prémios d'O Acidental. Vale a pena.