14 dezembro 2005

Tacticismos

Manuel Alegre está mesmo empenhado na luta pela cadeira presidencial. Se, no início, a sua candidatura ainda poderia passar por um «ajuste de contas» com Mário Soares ou apenas uma saída digna mas condenada ao fracasso, agora as coisas são bem diferentes, com as sondagens a colocarem-no muito próximo de uma segunda volta com Cavaco. E, a partir daí, tudo é possível - inclusive ganhar.
A sua postura nos debates reflecte essa mudança - de candidato «simpático» para candidato «presidenciável». Contra Cavaco, demonstrou bom senso e razoabilidade ao alargar o espartilho ideológico - e, por vezes, até deu a ideia de que entre ele e o antigo primeiro-ministro não havia diferença alguma; aqui, lutou pelo centro. Contra Louçã, evitou cair na ratoeira do ataque e não perdeu a aura de «homem de esquerda», que, num meio onde pontificam o antiquado Jerónimo, o desencantado Soares e o revolucionário Louça, lhe valerá sempre muitos votos. (Pois, não aguentou até ao final e teve mesmo de dizer que «o Dr. Francisco Louçã tem uma certa tendência para se pôr numa posição de superioridade moral sobre outra esquerda», mas ninguém é de ferro).
Estou agora muito curioso para saber como vai o eleitorado reagir a «este» Alegre. Será que este estilo «meias tintas» (expressão retirada do debate de ontem à noite) não poderá prejudicar um candidato cujo maior trunfo será, porventura, a confiança que inspira na esquerda desencantada com Mário Soares - mas que não quer ceder à direita nem à irresponsabilidade demagógica da extrema-esquerda? A ver vamos.

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