17 dezembro 2005

Sondagens

A sondagem hoje publicada no «Expresso» é esclarecedora. A sondagem foi realizada entre 11 e 14 de Dezembro - em plena altura de debates. Para os mais desatentos, reproduzem-se aqui os resultados.
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Cavaco Silva: 55,5%
Mário Soares: 20,4%
Manuel Alegre: 12,5%
Jerónimo de Sousa: 5,7%
Francisco Louçã: 4,8%
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Os resultados não mentem: vitória à primeira volta para Cavaco Silva, Mário Soares ultrapassa Manuel Alegre e Louçã e Jerónimo lutam pela fasquia dos 5/6%.
A percentagem que Cavaco obtém apenas vem confirmar que os discursos dos outros candidatos não têm conseguido atingir os seus potenciais votantes - mesmo aqueles que não fazem parte do seu sector político. Não admira que um responsável da campanha de Mário Soares tenha vindo dizer que «os ataques a Cavaco já passaram» e que a táctica passa agora por «divulgar o programa do candidato Mário Soares». É verdade, mas não houve premeditação estratégica - o estilo é mudado por falta de eficácia.
A descida de Manuel Alegre também não me espanta. O entusiasmo que a sua candidatura gerou - principalmente numa faixa que em princípio estaria destinada a Mário Soares, mas também a alguma direita que apreciava a veia patriota - tem vindo a esfriar. Pessoalmente acho que tem feito debates globalmente fracos, a seguir uma estratégia errada; contra Cavaco tentou mostrar sensatez, contra Louçã tentou ganhar alguma da esquerda ao falar de «trabalhadores e direitos sociais» e contra Soares fez os possíveis para se assumir como uma figura verdadeiramente «presidenciável». Ainda que, em si mesmos, os vários debates tenham sido razoáveis - apesar da falta de conhecimento técnico nalgumas questões e o «tiro ao lado» que foi falar duma eventual dissolução da Assembleia em caso de privatização da água -, o somatório de todos eles foi francamente mau (atenção, isto não são derivas holistas!) revelando uma pessoa pouco preparada, contraditória e demasiado preocupada em adequar o discurso de forma a captar capciosamente sectores chave do eleitorado; numa expressão: um «meias tintas» - que num candidato como Cavaco é compreensível mas que em Alegre é arrasador, porque destrói as bases em que a sua candidatura assenta: credibilidade, valores fortes, honestidade e sensatez (já tinha falado disso antes).
Por último, Jerónimo e Louçã. Confesso que não estava à espera de que o comunista ultrapassasse o adversário da extrema-esquerda. Os seus poucos trunfos - a simpatia, a imagem do «bom e honesto trabalhador» - não me parecia suficiente para ultrapassar os conhecimentos, a argúcia e a experiência de Louçã. As respectivas prestações nos debates só remarcavam esta ideia: Louçã convicto e com boas performances - ainda que longe do brilhantismo a que cheguei a assistir; Jerónimo deslocado, frequentemente perdido e desnorteado, muitas vezes a ter de se socorrer da velha cassete dos «trabalhadores, exploração do grande capital, oprimidos», blá, blá, blá. No debate com Cavaco chegou a levar lições de economia e, incrível, conseguiu fazer com que o adversário chegasse a sorrir genuinamente e de forma descontraída, o que diz bem da qualidade dos seus argumentos e da maneira como os expõe. Mesmo assim, o comunista está na frente. Acredito que até às eleições os resultados destes dois candidatos acabarão por se inverter.
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P.S.- O Margens de erro já fez a sua análise.

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