09 dezembro 2005

Perguntas complicadas

Pergunta número um: estaria disposto a aceitar a liberalização completa dos despedimentos?
Pergunta número dois: está de acordo com o envolvimento de Portugal na invasão do Iraque (promovida por um dos partidos que o apoia)?
Pergunta número três: está de acordo com o aumento da idade de reforma?
À primeira deu boa resposta. Alguma falta de convicção quando tomou a palavra não serve para apagar a coragem com que referiu que, apesar de tudo, a liberalização dos despedimentos pode não ser um factor de desemprego - mas um factor de aumento da taxa de emprego. À segunda pergunta deu réplica menos assertiva, que o adversário soube explorar muito bem, terminando com um ataque doloroso que a reclamação de um estatuto «supra-partidário» não conseguiu fazer esquecer. E a idade de reforma? Estava a ir razoavelmente bem até dizer que «os direitos adquiridos para mim são intocáveis».
Houve ainda uma pergunta à partida que se revelou capciosa: a lei da imigração. O candidato tem de rever rapidamente os exemplos que utiliza; se dizer que num caso de esperança média de vida de «90 ou 100 anos» a «idade de reforma tem necessariamente de aumentar» soa desajustado (porque este aumento tem de se consumar com esta esperança média de vida), afirmar o perigo de uma eventual nova lei da nacionalidade com base num hipotético cenário em que os portugueses seriam uma minoria no seu próprio país é um bocado... engraçado, como disse Louçã.
Mesmo assim, e de uma perspectiva global, acho que Cavaco fez um debate bom (tendo em conta os entrevistadores, o adversário e, naturalmente, aquilo que dele se pode esperar). Este era, possivelmente, o teste mais difícil - e considero que passou. Vamos agora ver como se vai sair quando estiver frente a frente com Mário Soares.

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