05 dezembro 2005

Pedagogia

Em Inglaterra, Blair deu murro na mesa - e, farto da marotice da criançada, decidiu punir os progenitores, optando por uma versão revista e polida das velhas reguadas do século XX. A partir de agora, a pouca educação, insolência e, caso extremo, a violência do aluno passam a pesar na bolsa dos papás e das mamãs, no que se poderá considerar o primeiro imposto sobre a violência juvenil da História. Concomitantemente, também ao tutor se outorgam maiores poderes, podendo este, a partir de agora, fazer uso da força em caso de necessidade - em tradução britânica, «submeter o aluno à disciplina», verbo pouco sensato que noutros locais poderia dar azo a pronta reedição do clássico «Vigiar e punir».
Eu, cá bem longe, aplaudo a coragem: não é todos os dias que o bom senso leva a melhor sobre o «discurso do psicólogo». Anos de hipocrisia desresponsabilizadora e «encarneirização» politicamente correcta tornaram professores - e alguns alunos - reféns de educandos pouco educados, que fazem da sala um recreio e dos colegas bobos da festa. E quando alguém se insurgia eis que pais preocupados e «cientistas sociais» informados desciam dos céus para ensinar a plebe a educar a malta jovem; repressão era coisa do passado - o ideal é que o menino aprenda por si o que está mal, que aja em consciência; o menino bate no gordinho, grita ao professor e goza com o «caixa-de-óculos»? Ora, mas é natural, é a fase das descobertas; temos de deixar experimentar, não podemos ser intolerantes.
Querem um conselho: imitem os ingleses. Tornar dóceis os mais insurrectos não é assim tão difícil - o mais complicado será, talvez, ultrapassar os rótulos de «salazarista», «fascista» e «opressor». Ensinar que a sociedade tem regras e normas faz-se enquanto o diabo esfrega um olho. Ou enquanto se retira um crucifixo de uma sala.

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