04 dezembro 2005

Opiniões

Mário Soares já fez breve resenha dos seus méritos: tem cultura humanista, sabe de História, sabe de geografia, sabe de arte e música clássica, sabe falar, é «fixe», é de esquerda, tem experiência, é simpático, não reconheceria uma equação diferencial nem que tropeçasse nela, foi primeiro-ministro, não gosta de economia. Há, contudo, outra característica de que se pode orgulhar: Mário Soares é um peso pesado na área da ciência política. É pelo menos essa a impressão com que se fica depois das mais recentes declarações que o «Diário de Notícias» reproduziu: Soares diz que «Cavaco tem vergonha do próprio partido». Aceita-se – e compreende-se –, mas uma coisa me ocorre: se a votação de Mário Soares for realmente bastante inferior ao eleitorado do PS, quererá isso dizer que, neste caso, é o partido que tem vergonha do candidato? Não sejamos lineares: a esquerda está dividida, tem quatro candidatos, isso explica as pequenas percentagens, certo? Bem, seria uma hipótese – mas Soares ensina-nos que «há uma série de pronunciamentos subtis que desejo sublinhar e que significam que a direita é a menos unida da vida política, porque o PSD deixou cair o PPD e o CDS deixou cair o PP». Ora aí está: a direita fracturada e uma esquerda unida. A finalizar, Mário Soares admitiu que se candidatava para «incomodar» Cavaco. É legítimo – mas, a julgar pelas sondagens, não está a conseguir incomodar ninguém.

Comentários

1 Comments:

At domingo, dezembro 04, 2005 9:53:00 da tarde, Blogger Filipe Alves said...

Não acho que ele tenha grandes conhecimentos de História... pelo menos, a avaliar por certas coisas que diz.

 

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