30 dezembro 2005

As que não vale a pena ler

Pedem-me listagem das escribas por quem vale (ou não vale) a pena perder alguns minutos. Mesmo com o campo de escolha mais restrito do que no caso masculino, podemos alinhavar alguns nomes. Gente que não vale a pena ler: as opiniões desportivas de Judite de Sousa no «Record» - tão boa a analisar o futebol como o marido, Fernando Seara -, as inocuidades coloridas de Margarida Rebelo Pinto no «Portugaldiário», espécie pós-moderna de um feminismo de casa-de-banho e, no digital, os textos delirantes da mandatária para a juventude de Mário Soares. No outro extremo, a qualidade de uma Clara Ferreira Alves é inegável, ainda que pontualmente não consiga disfarçar alguns devaneios irritantes. Ana Sá Lopes, do «Público», também faz parte do grupo que leio regularmente; pena a orientação partidária cegar uma pena bem afinada. Por último, outro representante do sexo feminino que prima pela qualidade é aquele grande nome da nossa análise social, Carlos Castro (julgo que é este o nome), figura de vulto do extinto big show sic*.
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*ironia, hem...

Let's make intelligence history

Ler isto aqui e de seguida isto aqui. A coerência e a superioridade moral do marisco e do caviar.

29 dezembro 2005

Mitos lusitanos



Mitos gregos

Mitos egípcios

28 dezembro 2005

Mitos nórdicos

Ao desbarato (ou Um post draftado há muito tempo mas que com alguma boa vontade ainda vai a tempo)

Quando as cinco «grandes» candidaturas foram oficializadas - e à medida que nas sondagens Cavaco açambarcava contínuas maiorias enquanto Mário Soares continuava a desiludir - Manuel Alegre parecia assumir-se como o candidato que teria mais hipóteses de fazer frente ao antigo primeiro-ministro.
Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã eram - e são - «candidatos-partido». As suas candidaturas permitem-lhes ganhar visibilidade, «aparecer na tv» e repisar os respectivos projectos partidários; por isso mesmo, as suas votações congregam votos de uma reduzida área política, que numericamente tem metas situadas entre os cinco e os oito pontos percentuais.
Já Mário Soares aparecia em cena desgastado, projectando uma imagem esbatida e ultrapassada; não entusiasmava ninguém e alguns erros bem no início (a começar logo pelo timing da apresentação da candidatura e o discurso que então proferiu) não auguravam uma caminhada triunfante.
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Restava assim Manuel Alegre.
E dificilmente as circunstâncias lhe poderiam ser mais favoráveis: aparecia com uma imagem de «lutador traído» (ainda por cima por outro candidato, o que lhe permitiria roubar directamente alguns votos) e surgia como um homem independente de partidos (numa altura bastante delicada para a imagem pública dos políticos); era uma pessoa conhecida, respeitada e com um passado de luta contra a ditadura (algo de que, até aí, apenas Mário Soares se podia ufanar); tinha boa imagem, boa capacidade comunicativa e até uma veia patriótica que lhe poderia roubar alguns votos a uma Direita que via em Cavaco a única possibilidade.
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Desde então, e em pouco tempo, Manuel Alegre deitou tudo a perder.
Não é que tenha feito uma pré-campanha «assim-assim»; foi, em todos os aspectos, uma campanha efectivamente má.
A estratégia começou a revelar-se falha logo quando o recurso à técnica da vitimização foi por demais evidente. Um herói ferido não lamenta a sua má-sorte - luta por ultrapassá-la. Ora, não foi essa a imagem que Manuel Alegre deu, chegando ao ponto de se embrenhar numa questiúncula pouco edificante (e até um pouco caricata) com uma empresa de sondagens, ameaçando-a com um processo.
As tiradas poéticas também se tornaram, com o passar do tempo, palavras vazias. Lugares-comuns como «a minha candidatura permitiu um alargamento da cidadania» ficam bem num manifesto ou num comício - mas não são ideias ou projectos sobre os quais edificar uma candidatura, porque politicamente vazios pouco substanciais.
O mito do «homem independente» foi também desfeito. Alegre foi ingénuo ao pensar que Jerónimo, Louçã e Soares deixariam passar incólumes anos e anos de filiação partidária (PS), durante os quais foi conivente com políticas pouco famosas e votações conturbadas na Assembleia.
Além disto, seu desconhecimento de alguns assuntos foi notório em várias ocasiões. Por exemplo, quando debateu com Francisco Louçã uma possível demissão de Alberto João Jardim. Ou, pior ainda, quando, frente a Jerónimo de Sousa, afirmou que dissolveria a Assembleia se as águas fossem privatizadas - quando ele mesmo havia votado uma proposta na mesma Assembleia que abria portas à gestão privada das águas.
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Houve, contudo, um ponto estratégico em que Manuel Alegre e o seu staff descuraram: a orientação ideológica do discurso do candidato - principalmente nos debates.
Desde o início que este ponto foi mal planeado.
Com Cavaco, Alegre tentou jogar ao centro, acenando com a cabeça e evitando entrar em despique. Perdeu assim aquela que era uma das suas grandes vantagens: a imagem do «homem de esquerda» que não se resigna, que luta por aquilo em que acredita. Ao privilegiar o pragmatismo em detrimento da utopia, Alegre acinzentou-se; no momento em que devia atacar os «socialistas desencantados» que votavam em Cavaco, tentou fazer o jogo «empata» do adversário - e estes eleitores apenas viram mais uma razão para votar no «técnico das finanças».
Depois, quando tentou ganhar a Esquerda, fê-lo de forma atabalhoada. Declarando a Jerónimo que muitas das coisas que este dizia «estão no meu manifesto»; ou dando largas a Louçã para que este, de forma capciosa, lhe desconstruísse o discurso, descascando a parte de fora até mostrar que «lá dentro» estava um «caroço» bastante partidário e ligado ao PS e respectivas políticas.
E assim, incrivelmente, o candidato da Esquerda que estava mais bem colocado revelou-se um flop. Desbaratou o capital com que partia e hipotecou até uma razoável margem de crescimento da sua percentagem de votos (que estava dependente da forma como conseguiria marcar a diferença em relação a Cavaco - e com isso atrair algum do eleitorado socialista que vota no social-democrata - e do número de votos que poderia roubar a Soares - algo que não seria muito difícil, especialmente depois do último debate deste).
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P.S.- Já tinha este post draftado há algum tempo. Escrevi-o um dia depois do último debate (Cavaco e Soares, lembram-se?) mas acabei por me esquecer de o colocar em tempo devido. Em todo o caso, aqui fica.

27 dezembro 2005

Quem não vale a pena ler

Há dois tipos de cronistas insuportáveis: os que vale a pena ler e os que não vale a pena ler.
No primeiro grupo incluem-se, por exemplo, João Pereira Coutinho, Daniel Oliveira, José António Saraiva, Miguel Sousa Tavares. São insuportáveis pela irritante superioridade com que escrevem. João Pereira Coutinho escreve maravilhosamente, com uma ironia refinada e uma capacidade rara de embalar o leitor ao longo de textos que na maioria das vezes ficam condensados em dois - enventualmente três, no máximo - parágrafos; além disso, é um provocador por excelência. Daniel Oliveira também é um óptimo cronista - e, precisamente por isso, o extremismo das posições é frequentemente motivo de irritação para quem dele discorda. O ex-director do Expresso figura também no lote: uma vez por semana desce dos céus para dar ao comum dos mortais a opinião divina de quem é «o maior especialista em política» (palavras suas). Por ser pouco modesto seria apenas um gabarolas inócuo; por acertar quase sempre, é irritante. Já Miguel Sousa Tavares é o caso paradigmático do eterno contestatário mas que (à parte os comentários desportivos, em que temos de dar o devido desconto, e algumas incursões pouco felizes pelo comentário económico), vale (quase) sempre a pena ler.
Estes são os cronistas insuportáveis que vale a pena ler. Depois há os outros: os que, sendo insuportáveis, não vale a pena ler. O maior exemplo é Luís Delgado, caso grave de cegueira ideológica, uma espécie de patologia «direitista-bairrista» à la Pinto da Costa que ninguém com o mínimo de bom-senso é capaz de aguentar durante muito tempo. O seu último artigo é um bom cartão de visita: num texto curto, Luís Delgado arranja espaço - e coragem (ou lata) - para elogiar Santana Lopes (!) e chegar ao ponto de lhe atribuir uma medalha, numa espécie de proclamação de amor em público que chega a ser deprimente para quem vê, dada a fealdade da dama. Bem diz O Sinédrio: ainda acredita no Pai Natal.

Solução do problema

Como foi anunciado, é agora dada a solução do quebra-cabeças postado no dia 22.
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Recapitulando:
1) O teste teria lugar na semana seguinte.
2) O teste seria dado em dia surpresa; os alunos teriam conhecimento do dia do teste no próprio dia, portanto.
3) O teste só seria dado se o professor conseguisse garantir que os alunos não poderiam ter conhecimento do dia do teste; se fosse possível algum aluno saber de antemão - com 100% de certeza - que o teste se realizaria no dia «x», então esse dia ficaria imediatamente excluído.
4) A pergunta era, portanto, se o teste poderia ser efectuado na quinta-feira. Vamos à resposta.
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Não, o teste não podia ser marcado para quinta-feira. Porquê? Em primeiro lugar, há um dia que fica automaticamente excluído: sexta-feira. Como esse é o último dia da semana, na noite de quinta-feira os alunos saberiam imediatamente que o teste seria dado no dia seguinte - e isto viola a condição imposta pelo professor, segundo a qual apenas no próprio dia os alunos conhecem o dia do teste. Assim, o último dia disponível passa a ser quinta-feira. Ora, isto levanta um novo problema: na quarta-feira à noite, os alunos sabem já que o dia seguinte é o último dia possível; portanto, sabem que o teste tem de se realizar nesse dia. E assim voltamos ao mesmo: os alunos ficam a saber o dia do teste e a condição volta a ser violada. Corolário: o teste não pode ser na quinta-feira.
O mais engraçado neste tipo de exercícios é que o mesmo argumento serve para invalidar a marcação do teste para segunda, terça e quarta-feira. O número finito de dias impede assim que o professor possa agendar o teste - segundo as condições que estipulou - para essa semana e, mais concretamente, para quinta-feira.
De oito respostas recebidas duas acertaram em cheio: Miguel Madeira e Tiago Mendes. As respectivas respostas já foram publicadas no post em questão - podem dar uma olhada.
Naturalmente, a partir de agora os comentários deixam de ser moderados.

26 dezembro 2005

O teste surpresa

Quem quiser tentar ainda vai a tempo. A resposta é revelada hoje à noite.

24 dezembro 2005

Direitos adquiridos

Ainda bem que o voto é secreto. Assim, o primeiro-ministro José Sócrates pode votar em consciência.

23 dezembro 2005

Dawkins

Mais uma polémica entrevista do conhecido Richard Dawkins. Alguns extractos:
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Pergunta: Está preocupado com o estado da educação, principalmente em temas científicos. Se pudesse ensinar todas as pessoas, em que quereria que as pessoas acreditassem?
Richard Dawkins: Gostaria que elas acreditassem naquilo que as evidências indicassem. Gostaria que olhassem para as evidências, as julgassem com base nos seus méritos e não aceitassem coisas com base em revelações internas ou fé (...) Nem todas as pessoas podem avaliar evidências; não podemos avaliar as evidências da física quântica. Por isso, há uma determinada gama de evidências que têm de ser aceites com base em confiança. Eu, por exemplo, tenho de acreditar naquilo que dizem os físicos, porque sou um biólogo. Mas a ciência funciona através de mecanismos de revisão e avaliação entre pares, de forma a que eu possa confiar na comunidade científica (...).
P: Há muitas pessoas inteligente a quem ensinaram ciência de qualidade - e a teoria da evolução - que podem escolher acreditar nalgo religioso que para eles possa ultrapassar a ciência. Que acha disso?
RD: É realmente difícil saber o que fazer acerca disso. Eu penso que é uma traição à ciência. Penso que essas pessoas têm uma agenda religiosa que, por razões apenas conhecidas por elas mesmos, são elevadas acima da ciência.
P: Que pensa acerca do desespero que alguns sentem quando ponderam a selecção natural? A ideia da evolução faz com que alguns pensem que a vida não tem sentido (...).
RD: (...) O universo não nos deve consolação; não nos deve sentimentos reconfortantes. Se algo é verdade, então é verdade e o melhor é vivermos com isso. Mesmo assim, não acho que as pessoas se devam sentir deprimidas. Eu não sinto. Eu sinto-me entusiasmado. O meu livro «Unweaving the rainbow» é uma tentativa de elevar a ciência ao nível da poesia e mostrar como cada um se pode relacionar com a ciência de forma quase espiritual (...) A contemplação do tamanho e escala do Universo, a complexidade da vida - tudo isso é, para mim, fonte de inspiração. Estudar isto faz com que a minha vida valha a pena.
P: Qual o problema de as pessoas acharem a ideia de um Deus muito satisfatória?
RD: Claro que é satisfatória. Não seria fantástico acreditar num amigo imaginário que ouve todos os nossos pensamentos, escuta as nossas preces, conforta-nos, consola-nos, dá-nos vida depois da morte e ainda nos aconselha? Claro que é satisfatório, se conseguirmos acreditar nisso. Mas quem quer acreditar numa mentira?
P: Disse um dia «não chamem 'Deus' à nossa ignorância» - que é, segundo as suas palavras, o que os defensores do «design inteligente» têm feito. Estão a tomar uma área em que somos ignorantes e a nomeá-la Deus. Acha que a ciência irá um dia explicar tudo aquilo que neste momento apenas imaginamos?
RD: Não tenho resposta para isso. Mas estou igualmente excitado com ambas as perspectivas. Gosto da ideia de podermos entender tudo e também aprecio a ideia de a ciência ser uma questão permanentemente aberta e em contínuo desenvolvimento.
P: Tem criticado a ideia de vida depois da morte. Qual é o mal de um doente terminal de cancro acreditar nisso?
RD: Oh, não há realmente problemas acerca disso. Nunca quereria desiludir alguém que acreditasse nisso. Eu importo-me com aquilo que é verdade para mim próprio, mas não quero andar por aí a dizer a doentes terminais que as suas esperanças não têm fundamento. Se pudesse ter uma conversa com um possível bombista-suicida que pensa que depois do atentado vai acabar no céu, então tentaria dissuadi-lo. Não diria: «não vês que o que fazes é mau?». Diria antes: «Não imagines sequer que vais parar ao paraíso. Não vais. Vais acabar digerido pelo chão».
P: Como se sentiria se a sua filha se tornasse religiosa?
RD: Isso seria uma decisão sua (...) Ela é livre para fazer o que lhe apetecer. Penso que é uma pessoa demasiado inteligente para fazer isso, mas é uma escolha dela.
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Boas entradas

Desejo a todos os portugueses - e em especial aos leitores do blog - umas boas entradas. Não é um desejo vão: é uma afirmação feita com 55,7% de certeza de se vir a concretizar. E com uma margem de erro de 3,5%.

Breve

Relativamente ao problema do teste há uma correcção - ou, pelo menos, um acrescento - a fazer (proposto por um conhecido blogger que, aliás, já resolveu a questão). Um pequeno ponto, então:
Quando o professor diz que os alunos só terão conhecimento do dia do teste no próprio dia está, além de dar uma informação, a impor uma condição. Ou seja, o teste só poderá ser dado no dia «x» se - e só se - os alunos souberem (com 100% de certeza!) do dia do teste nesse preciso dia. Caso consigam descobrir previamente o dia para que o teste está marcado, então o teste já não poderá ter lugar nessa data - porque a condição imposta pelo professor não foi satisfeita.
Já agora, em duas respostas enviadas através de comentários e mais três endereçadas por e-mail, apenas uma está certa. Talvez devesse também ter sido mais explícito noutro ponto: os alunos não podem simplesmente assaltar a casa do professor e verificar a sua agenda (pensei que era um pouco óbvio - até que um anónimo arriscou essa solução), nem podem fazer um malabarismo introduzindo feriados e dias úteis, etc., como sugeriu o sr. Fernando Alves. Para chegar à solução não é preciso recorrer a acções laterais ou factos não definidos no problema. A solução está, de certa forma, «dentro» do próprio sistema lógico do problema: tudo aquilo de que se necessita para chegar à solução foi dito e não é preciso procurar nada debaixo do tapete ou atrás da porta; é uma questão lógica e não de pensamento lateral.
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Hugo, não percebeste: moderar os comentários é apenas uma forma útil de impedir que alguém possa solucionar publicamente o quebra-cabeças e assim impedir outros espíritos de indómita curiosidade de perseguirem por si mesmos - e sem qualquer tipo de ajudas externas - a resposta final... (Fica, mesmo assim, a garantia de que apenas os comentários relativos ao post em questão serão sujeitos a escrutínio).

22 dezembro 2005

Às vezes temos de dar um desconto ao Blasfémias

A imparcialidade do analista desportivo do Blasfémias: «Duas vitórias arrancadas a ferros pela arbitragem é o saldo da equipa encarnada nas 2 últimas jornadas. Quando a equipa está aflita, o que tem acontecido frequentemente, os árbitros fazem o seu papel: inventam faltas a favor dos de sempre, ignoram as regras, ficam cegos perante os lances decisivos que redundam em golos encarnados.Actuam assim porque podem. Porque sabem que ficarão sempre impunes. Que neste país de conluios e compadrios, os dirigentes da arbitragem, da Liga, a imprensa e tudo o resto, desculparão o indesculpável e em uníssono jurarão que «o lance é apenas duvidoso» ainda que ninguém tenha dúvidas.Nuno Gomes ajeitou a bola «com a parte lateral do peito com o braço à ilharga» - assim cuspiu, desonestamente, um comentador da TVI a fazer de "justificador" de serviço. As imagens mostravam que não, que foi mão, mas isso não importa. O país encarnado dirá sempre aquilo em que, com toda a certeza, os mais tolos acabarão, até, por acreditar.Porque o país foi educado assim e creio que já atingimos o ponto de não retorno. O terceiro-mundismo tem muitos rostos.Entretanto, na televisão pública dá um filme sobre o milagre das aparições de Fátima. Na RTP Memória alguém guincha um fado.Nada a fazer, Portugal está igual a si próprio».
Desculpem lá mais foi mesmo com o peito. Ah, sim: e o golo mal anulado?

À espera

Enquanto esperamos pelo tão propalado «quizz nº5», não resisto a colocar aqui um passatempo similar. Ora aqui vai.
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Sexta-feira da penúltima semana de aulas. A turma tem ainda um último teste por realizar. O professor não gosta da turma e diz aos jovens que o teste será na semana seguinte (ou seja, na última semana de aulas) e realizar-se-á às 13:30 mas eles só terão conhecimento da data do teste no próprio dia, às 8:00 (um teste surpresa, portanto).
Ora, alguns alunos da turma participam num torneio de futebol e têm jogo agendado para quinta-feira. Sem saber em que dia vai ser o teste, começam agora a considerar a hipótese de alterar o jogo - caso contrário arriscam-se a ter de faltar ao teste (ou ao jogo).
Agora a pergunta: os alunos devem estar preocupados com a possibilidade de o teste se realizar na quinta-feira?
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Uma breve recapitulação, com todos os dados necessários para a resolução do problema.
1) O dia do teste não é conhecido, a não ser pelo professor 2) Condição fundamental: o professor disse que os alunos só terão conhecimento do dia do teste no próprio dia, às 08:00; de onde se extrai que 3) os alunos sabem às 08:00 que nesse dia vai haver teste, às 13:00 4) O teste tem necessariamente de ser realizado nessa semana. A pergunta é, portanto - e tendo em conta as condições -, se a possibilidade de ele se realizar na quinta-feira é uma realidade.
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As respostas podem ser endereçadas por e-mail ou através da caixa de comentários, que estará, até à revelação da resposta, obviamente moderada pelo proprietário do blog (ou seja, eu próprio...). O(s) vencedor(es) ganha(m) automaticamente um exemplar do livro «Tratado de semiótica geral: A linguagem, a verdade e o poder», 4ª edição revista a corrigida - uma leitura obrigatória e agradável.
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P.S. Prémios limitados ao stock existente e despesas de envio não incluídas.

O de ontem foi especialmente esclarecedor

Debates serviram para esclarecer carácter dos candidatos.

21 dezembro 2005

Quase me esquecia

... de anunciar que já está on-line o jornal digital Comum. É produzido e editado por alunos de comunicação social da Universidade do Minho e é uma boa forma de pôr em prática os conhecimentos adquiridos ao longo do(s) ano(s). Na redacção pontificam, entre outros, dois indivíduos que escrevem (mais ou menos...) regularmente num blog obscuro.

O humanista

Mário Soares, definitivamente um democrata e um humanista, revolveu memórias antigas e expôs ao país os esqueletos do armário de Cavaco: as culpas no número de desempregados, as culpas no valor do défice, as culpas na má administração dos fundos europeus. Pior ainda: Cavaco é economista. E a malta das ciências tem a horrível mania de falar de coisas abstractas, como números. Não que Soares se sinta diminuído. Em boa verdade, ele próprio tem também o «bichinho» dos números - mais concretamente os números de telefone dos amigalhaços europeus que lhe faziam confidências tenebrosas acerca da parca tagarelice do antigo primeiro-ministro.
Mais há mais: Cavaco é rústico; nunca leu Dante, Petrarca ou Homero; não ouve Mozart nem come de boca fechada; não conhece D. Afonso Henriques nem percebe as maravilhas do dorso de uma tartaruga dos Galápagos. Além disso, Cavaco não tem espírito democrata. E Soares, um caso raro de respeito, integridade e tolerância, aproveita a deixa e assume-se como o bastião da «união dos portugueses».
Entendem-se os ataques: em debates com sabor a tertúlia, Soares quer mais sangue e menos chá; título disputado com regras dá prestígio - mas ganhar à Boavista é mais saboroso. À procura de um centro que perdeu ao longo dos anos, Soares tem de correr por fora, empurrando quando o árbitro não olha e jogando duro quando este lho permite. A figura humanista é, afinal, multifacetada - e sabe, quando as circunstâncias o propiciam, aplicar a judiciosa canelada.
Ideias próprias? Poucas. Ficámos, pelo menos, a saber as suas ideias acerca das ideias de Cavaco Silva. O grande e verdadeiro problema de Cavaco é debater os temas que os entrevistadores propõem e não os temas que ele, o velhinho Mário, acha que Cavaco deveria debater. Cavaco não fala, está calado. Cavaco não dialoga, refugia-se no silêncio. Cavaco é uma esfinge. Cavaco é um fantasma. Já em relação às suas - de Soares - opiniões, essas, podem esperar - «já lá vamos, já lá vamos». Importante é Cavaco. Cavaco. Sempre Cavaco. Soares esbraceja, insulta e ridiculariza. À espera de ter atenção. Faz birra, quer falar «e ele não fala». Sim, Mário, já entendemos. Mas seria melhor que, antes de entrar em conversa - com quem quer seja - aprenda as mais elementares regras da boa educação e decência. E acaba por ser irónico que alguém que desejava «dialogar com os terroristas» não consiga, ao fim e ao cabo, dialogar com um concorrente.

20 dezembro 2005

Tempo de mudanças

Chegámos ao fim de uma era.
Primeiro foi José António Saraiva a abandonar o cargo de director do «Expresso».
Agora é o jogador Beto que começa a ser equacionado como possível transferência.
E depois, o que virá? Alberto João Jardim e Pinto da Costa pedem a reforma?

Ainda não é desta

Ainda não é desta que os palestinianos se vão ver livre deste homem. Muitos gritaram "vivas" pelas ruas de Gaza quandos e soube da trobose de Sharon. No entanto, o homem é de ferro e amanhã deve sair do hospital. Ainda bem. É o único capaz de resolver as coisas a bem com os palestinianos.

19 dezembro 2005

Ainda «mão invisível»

Depois da primeira, outro tipo de «mão invisível»: preços dos medicamentos baixaram 40% com o fim do cartel.

Resumo do fim de semana

Manuel Alegre rejeita ser um Presidente corta-fitas. Para ele, as funções do mais alto representante da Nação não se devem esgotar em meras cerimónias formais: é importante que um candidato tenha a hombridade de usar os seus poderes em situações limite, como é o caso da privatização das águas ou a continuidade do João Carlos Malato como apresentador da RTP1.
Já Jerónimo de Sousa revelou ontem a sua faceta religiosa, ao falar de um tal de S. Jerónimo, que ajuda os pobres.
Entretanto, Daniel Oliveira deu lições de democracia no programa «O eixo do mal» ao afirmar que na questão da pena de morte o povo não deve ser soberano. Aliás, nem o povo nem o Estado. Em boa verdade, a pena de morte deve ser abolida simplesmente... porque sim. Como parto do princípio de que a sua opção não se funda num qualquer sistema ético universal (até porque, como ele certamente diria, os valores são todos «relativos», uma «construção social»), sou levado a pensar que o cronista do «Expresso» seguiu os passos de Jerónimo, abraçando, num momento de iluminação, a causa divina. E, como Deus não legisla, passará a ser Daniel Oliveira a Sua voz na Terra - fazendo as vezes de profeta e colmatando assim uma grave lacuna no seu partido, que possuía já um diácono mas clamava ainda por um representante legítimo do Senhor.

And the winner is...

Em época de atribuição de prémios, o Anjos e Demónios também já fez a sua escolha. O grande vencedor é O Insurgente.

18 dezembro 2005

A evitar

... outras coisas politicamente incorrectas, n'O Insurgente, no Notas Várias e n'A Grande Loja do Queijo Limiano.

Politicamente correcto

No Prozacland o politicamente correcto está em debate: são estes dois os posts a que me refiro. Há ainda outro post - que por razões técnicas (suponho) não consigo linkar - interessante. Na impossibilidade de colocar hiperligação, deixo aqui a citação: «Eu diria que uma das razões por que algumas pessoas gritam a inferioridade moral dos europeus nestes casos é para não deixar ouvir as vozes que perguntam: "Os europeus ganharam porque eram intrinsecamente superiores?" Essas vozes ecoaram e ecoam dentro da cabeça de muitos peruanos e de muitos africanos. Porque é que foram os europeus a controlar o mundo? Esta questão não está respondida na cabeça de praticamente ninguém. Apenas existe na cabeça das pessoas o axioma de que todos os homens são iguais. Acredito nesse axioma. Todos teremos a ganhar se o provarmos a partir de axiomas mais auto evidentes. Em vez de calarmos estas perguntas».
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Bem, se provarmos o axioma a partir de outros axiomas ele deixa de ser um axioma - e passa a ser um teorema; mas isso é outra estória. A «igualdade» dos homens é ponto quente: à partida uma evidência, é porventura causadora das mais agudas fracturas entre a biologia e a sociologia. E, claro, é politicamente incorrecto falar de vantagens inatas de «x» sobre «y». De certa forma, tanto «x» como «y» são produto de uma sociedade e as diferenças que entre eles se encontram devem-se ao meio em que foram criados. Se em questões físicas os moderados ainda fazem concessões - e admitem que é possível que o facto de os grandes corredores de fundo serem todos negros possa ser explicado por diferenças genéticas (como as diferentes percentagens de fibras rápidas/fibras lentas nos músculos de brancos e negros) - quando o comportamento, ou, de forma mais geral, todo e qualquer processo cognitivo, é trazido para o terreno, não há biólogo ou fisiologista que aguente. «Racista» é, normalmente, o epíteto utilizado; «sexista» também faz parte do léxico argumentativo e «idiota», «mentiroso» e «pseudo-cientista» também são adjectivos recorrentemente invocados. Por alguma razão insondável, o comportamento humano não precede de nenhum sistema físico - ou, precedendo, este é igual em todos os homens, e apenas desse prisma se pode entender que quaisquer diferenças possam ser directamente atribuídas à influência social.
Mas atenhamo-nos ao exemplo transcrito: os europeus conquistaram os africanos porque eram superiores? Há muitas respostas. Uma afirma que os europeus são hoje mais avançados que os africanos porque os exploraram. A argumentação falha, porque apenas desloca a pergunta para outro lado, reformulando-a: por que razão então conseguiram os europeus explorar os africanos? O avanço tecnológico pode explicar, mas de novo a questão é apenas desviada: o que é que fez com que os europeus fossem mais avançados que os africanos? Esta linha de explicações mais não faz do que passar a batata quente para outro.
Há, portanto, algo a escapar. Por alguma razão aparentemente insondável, os europeus tiveram uma vantagem que lhes permitiu conquistar os africanos.
Estou certo de que tal não se deve à inteligência. O clima e geografia africanos, extraordinariamente favoráveis à propagação de doenças, permitem explicar alguma coisa, e decerto que muitos outros factores não serão de desprezar na análise do fenómeno. Mas, é um facto, o «politicamente correcto» limita à partida qualquer estudo verdadeiramente científico em certos domínios. Não se trata de chegar a conclusões erradas - trata-se de eliminar à partida determinado tipo de conclusões que cientificamente parecem pertinentes mas que por não se adequarem à politicamente correcta «igualdade» entre todos os homens são de imediato colocadas de parte.
Alguns teóricos dizem que ao pormos sequer a hipótese de certos povos serem mais inteligentes, mais agressivos, mais tímidos, mais criativos ou mais sensíveis podemos estar a legitimar um novo Holocausto. Afinal de contas, a superioridade germânica foi um dos mitos hitlerianos invocados durante a II Guerra. Interessante, mas errado: os apologistas dessa lógica arriscam-se a ter de se vergar perante o primeiro génio que lhes aparecer à frente. Se «x» é germânico e acredita que os judeus devem ser dizimados porque são intelectualmente inferiores - e invoca para isso estatísticas que demonstram uma média de QI de 150 para os alemães e de 120 para os judeus - então um acto coerente, perante um judeu que, fugindo à média, tenha um QI de 160, seria aceitar subordinar-se a ele.
O espírito da aplicação das leis é precisamente o contrário: para pessoas diferentes, as mesmas exigências. Por exemplo, os requisitos mínimos para um cidadão poder entrar no exército (prestar determinadas provas físicas e atingir certos resultados) não são colocados em função da raça do aspirante - ainda que, como é óbvio, um jovem de ascendência teutónica tenha mais facilidade do que um descendente de asiáticos. A aplicação de uma lei não está, de forma alguma, dependente da existência ou não de diferenças entre aqueles a quem ela se aplica.
Não estou advogar a superioridade de raça alguma sobre outra em determinados aspectos; como disse, simplesmente penso que essa possibilidade é cientificamente plausível - e até provável. A «axiomatização» de «igualdade dos homens» leva, evidentemente, a demonstrações logicamente consistentes mas que não se aplicam à realidade, porque o axioma pode estar errado.
Este «quase-movimento» do «politicamente correcto» está ainda presente em muitos outros pontos. Tem estado presente nos últimos quatro anos, depois do 11 de Setembro - a culpa é dos que exploram, não dos terroristas; tem estado presente em França, particularmente quando se aceita excisões com base numa inegável «igualdade cultural» segundo a qual as culturas não são melhores ou piores, apenas diferentes (o que é verdade, porque conceitos como «melhor» e «pior» só podem ser utilizados depois de muito bem definidos, mas daí a aceitar transgressões de uma lei nacional vai uma grande diferença). Que ele condicione políticas e leis é gravíssimo - mas ainda assim compreensível, porque políticas precedem sempre de uma qualquer maneira pessoal de ver a realidade; que ele invada o território da ciência e hipoteque o conhecimento é, além de grave, ridículo.

Puxar pela cabeça

Os melhores quebra-cabeças da blogosfera estão no aforismos e afins - os «quizzes». Raciocínio lógico, matemático, é o que se pede - esqueçam o pensamento lateral e os jogos de linguagem. O último - «quizz número 4» - já está à espera de ser resolvido (as respostas podem ser enviadas por e-mail) e o penúltimo - muito criativamente chamado de «quizz número 3» - já foi solucionado. Até agora, o mais estimulante e interessante foi o «quizz número 2», que recomendo vivamente a quem tiver tempo para gastar e alguns neurónios que possa dispensar em actividades não lucrativas. E, ao que parece, já está na forja um «quizz número 5»...

17 dezembro 2005

Escolhas

Tomei conhecimento (e apenas hoje - tenho andado muito atarefado) da sondagem que O Insurgente está a fazer acerca dos melhores blogs nacionais. Os nomeados na categoria de melhor blog de direita são: A Arte da Fuga, O Acidental, Blasfémias, Impertinências e Semiramis; para melhor blog de esquerda os candidatos são: o falecido Blog de Esquerda, Bichos carpinteiros, Canhoto, Causa Nossa e A destreza das dúvidas.
Ok, a dicotomia Blogs de esquerda/Blogs de direita acaba por exluir da lista muitos blogs de relevo (penso, por exemplo, na Grande Loja do Queijo Limiano) mas fez-se o possível. Eu já votei: Semiramis (ainda que O Acidental tenha entrado nas minhas cogitações) e Blog de Esquerda.

Sondagens

A sondagem hoje publicada no «Expresso» é esclarecedora. A sondagem foi realizada entre 11 e 14 de Dezembro - em plena altura de debates. Para os mais desatentos, reproduzem-se aqui os resultados.
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Cavaco Silva: 55,5%
Mário Soares: 20,4%
Manuel Alegre: 12,5%
Jerónimo de Sousa: 5,7%
Francisco Louçã: 4,8%
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Os resultados não mentem: vitória à primeira volta para Cavaco Silva, Mário Soares ultrapassa Manuel Alegre e Louçã e Jerónimo lutam pela fasquia dos 5/6%.
A percentagem que Cavaco obtém apenas vem confirmar que os discursos dos outros candidatos não têm conseguido atingir os seus potenciais votantes - mesmo aqueles que não fazem parte do seu sector político. Não admira que um responsável da campanha de Mário Soares tenha vindo dizer que «os ataques a Cavaco já passaram» e que a táctica passa agora por «divulgar o programa do candidato Mário Soares». É verdade, mas não houve premeditação estratégica - o estilo é mudado por falta de eficácia.
A descida de Manuel Alegre também não me espanta. O entusiasmo que a sua candidatura gerou - principalmente numa faixa que em princípio estaria destinada a Mário Soares, mas também a alguma direita que apreciava a veia patriota - tem vindo a esfriar. Pessoalmente acho que tem feito debates globalmente fracos, a seguir uma estratégia errada; contra Cavaco tentou mostrar sensatez, contra Louçã tentou ganhar alguma da esquerda ao falar de «trabalhadores e direitos sociais» e contra Soares fez os possíveis para se assumir como uma figura verdadeiramente «presidenciável». Ainda que, em si mesmos, os vários debates tenham sido razoáveis - apesar da falta de conhecimento técnico nalgumas questões e o «tiro ao lado» que foi falar duma eventual dissolução da Assembleia em caso de privatização da água -, o somatório de todos eles foi francamente mau (atenção, isto não são derivas holistas!) revelando uma pessoa pouco preparada, contraditória e demasiado preocupada em adequar o discurso de forma a captar capciosamente sectores chave do eleitorado; numa expressão: um «meias tintas» - que num candidato como Cavaco é compreensível mas que em Alegre é arrasador, porque destrói as bases em que a sua candidatura assenta: credibilidade, valores fortes, honestidade e sensatez (já tinha falado disso antes).
Por último, Jerónimo e Louçã. Confesso que não estava à espera de que o comunista ultrapassasse o adversário da extrema-esquerda. Os seus poucos trunfos - a simpatia, a imagem do «bom e honesto trabalhador» - não me parecia suficiente para ultrapassar os conhecimentos, a argúcia e a experiência de Louçã. As respectivas prestações nos debates só remarcavam esta ideia: Louçã convicto e com boas performances - ainda que longe do brilhantismo a que cheguei a assistir; Jerónimo deslocado, frequentemente perdido e desnorteado, muitas vezes a ter de se socorrer da velha cassete dos «trabalhadores, exploração do grande capital, oprimidos», blá, blá, blá. No debate com Cavaco chegou a levar lições de economia e, incrível, conseguiu fazer com que o adversário chegasse a sorrir genuinamente e de forma descontraída, o que diz bem da qualidade dos seus argumentos e da maneira como os expõe. Mesmo assim, o comunista está na frente. Acredito que até às eleições os resultados destes dois candidatos acabarão por se inverter.
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P.S.- O Margens de erro já fez a sua análise.

Manoel de Oliveira

Manoel de Oliveira, cineasta de 97 anos, em entrevista ao «El Mundo», deu, perante a pergunta «E o que diz do desejo da mulher pelo homem», a seguinte resposta: «O homem persegue a mulher por instinto e a mulher apercebe-se disso mas é deplorável ser a mulher a perseguir o homem. A mulher é dotada de encantos naturais para provocar o desejo do homem, para o atrair, está consciente disso mas não é atraída pelo desejo do homem. O natural é isto e o contrário uma perversidade. Os direitos do homem e da mulher são dados pela Natureza. A grande qualidade da mulher é o seu ventre, ou seja, garantir a continuidade da espécie humana: ela concebe, pare, amamenta, protege e educa. Esta é a maior oportunidade que se pode ter».

16 dezembro 2005

A «mão invisível» de Louçã...

Diz Pacheco Pereira, no Abrupto: «O problema com Louçã não são as suas capacidades, é o facto de elas ofuscarem, na nossa mediania comunicacional, o escrutínio do seu radicalismo, das inverdades da sua propaganda, e da essência demagógica e populista do seu discurso arrogante e moralista. Louçã é o único que fala como escreve, inclui os sublinhados, as aspas, as vírgulas e os pontos finais. É um discurso fechado e cerrado a qualquer interpretação, ou porque ele próprio fornece o quadro da sua interpretação, como se uma mão invisível fosse sublinhando a marcador amarelo e vermelho as frases que temos que ver, ou porque nos acena de imediato com o pecado moral em que estamos a cair se com ele não concordamos».
Ele lá bem no fundo até nem é contra a «mão invisível»...

Um mundo em mudança

Após as declarações de Francisco Louçã durante o debate com Manuel Alegre - «Se estiverem em causa as regras democráticas, a demissão [de um presidente de um Governo regional] é constitucional» -, Alberto João Jardim manteve-se calado.

14 dezembro 2005

Justiça

«O líder do grupo que matou domingo um agente da PSP em Lagos é português, está indiciado por vários crimes de assalto à mão armada e saiu da prisão há 20 dias, noticia hoje a imprensa.
O Diário de Notícias, que cita fontes policiais, diz que o «cabecilha do gang», luso-espanhol, é conhecido como «Pecas», tem cerca de 30 anos e está indiciado em vários processo de assaltos à mão armada em várias zonas do país.
Após o último assalto que efectuou, à Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Tunes, concelho de Silves, «Pecas» foi preso, mas libertado há cerca de um mês.
O Correio da Manhã avança que a Polícia Judiciária deteve segunda-feira um homem de cerca de 20 anos, alegadamente relacionado com o grupo envolvido no crime.
O jornal acrescenta que este homem estava evadido da cadeia.
Segunda-feira, a GNR localizou em Silves, uma das viaturas envolvidas no crime, que foi antecedido por um assalto frustrado ao Multibanco de um supermercado em Budens, Vila do Bispo.
Os outros dois carros envolvidos nesse assalto foram encontrados horas depois do crime, que vitimou o agente Sérgio Martins, cujo funeral se realiza hoje.
Ainda sobre o acidente de domingo, o Correio da Manhã avança que um dos agentes da PSP que estava na barreira de estrada para travar os assaltantes tentou disparar, mas a arma que tinha encravou.
De acordo com o diário, que cita uma fonte da PSP de Faro, o agente que tentou disparar baixou-se para desencravar a arma e foi nesse momento que um dos assaltantes disparou, atingindo o chefe Sérgio Martins na cabeça.
Por sua vez, o Público noticia que a esquadra de Lagos não possuía lagartas de pregos, utilizadas em barreiras de estrada como recomendam directivas da Direcção Nacional da PSP.»
(Via Portugaldiário).
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É sempre consolador constatar a responsabilidade com que estes assuntos são tratados. Com uma polícia brutal, violenta e fascista, os criminosos têm, obviamente, uma necessidade visceral e inelutável de combaterem a ordem vigente - e opressora - pela força, têm de disparar uns tiros para descarregar a adrenalina e dar vazão aos sentimentos reprimidos. A minha simpatia está com o «Pecas».

Proposta

Tendo em conta a natureza dos poderes presidenciais - e uma vez que todos os candidatos se manifestaram, até agora, de acordo com a extensão dos ditos -, o figurino dos debates e entrevistas poderia, de agora em diante, focar aspectos mais consentâneos com a realidade. Em vez do habitual inquérito acerca da Justiça, da economia, da idade dos candidatos, dos homossexuais, dos crucifixos, da água, da energia, etc., proponho que sejam as seguintes perguntas a marcar a agenda política. Decerto que são problemas que de forma muito mais premente e recorrente se irão colocar ao futuro Presidente da República.
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1) É a favor de uma remodelação do sistema de inaugurações - concordando, portanto, com a introdução do x-acto - ou, por outro lado, está do lado daqueles que afirmam que a tesoura ainda é do melhor que há?
2) Depois da homenagem - e condecoração - a Bono, vocalista da banda U2, acha que os nomes de Alexandre Frota e José Castelo Branco são bons candidatos a idêntica honraria?
3) Mensagem de natal: com uma ou duas bandeiras de Portugal como pano de fundo?
4) Como tenciona lidar com Alberto João Jardim? (Ok, esta pode passar à frente).
5) Como tenciona lider com Pedro Santana Lopes caso este volte ao poder?
6) Que lugares tenciona visitar «em missão diplomática»?

Tacticismos

Manuel Alegre está mesmo empenhado na luta pela cadeira presidencial. Se, no início, a sua candidatura ainda poderia passar por um «ajuste de contas» com Mário Soares ou apenas uma saída digna mas condenada ao fracasso, agora as coisas são bem diferentes, com as sondagens a colocarem-no muito próximo de uma segunda volta com Cavaco. E, a partir daí, tudo é possível - inclusive ganhar.
A sua postura nos debates reflecte essa mudança - de candidato «simpático» para candidato «presidenciável». Contra Cavaco, demonstrou bom senso e razoabilidade ao alargar o espartilho ideológico - e, por vezes, até deu a ideia de que entre ele e o antigo primeiro-ministro não havia diferença alguma; aqui, lutou pelo centro. Contra Louçã, evitou cair na ratoeira do ataque e não perdeu a aura de «homem de esquerda», que, num meio onde pontificam o antiquado Jerónimo, o desencantado Soares e o revolucionário Louça, lhe valerá sempre muitos votos. (Pois, não aguentou até ao final e teve mesmo de dizer que «o Dr. Francisco Louçã tem uma certa tendência para se pôr numa posição de superioridade moral sobre outra esquerda», mas ninguém é de ferro).
Estou agora muito curioso para saber como vai o eleitorado reagir a «este» Alegre. Será que este estilo «meias tintas» (expressão retirada do debate de ontem à noite) não poderá prejudicar um candidato cujo maior trunfo será, porventura, a confiança que inspira na esquerda desencantada com Mário Soares - mas que não quer ceder à direita nem à irresponsabilidade demagógica da extrema-esquerda? A ver vamos.

11 dezembro 2005

Hilariante

Via Tau-Tau, o ritual de acasalamento de um comunista. A não perder!

09 dezembro 2005

Perguntas complicadas

Pergunta número um: estaria disposto a aceitar a liberalização completa dos despedimentos?
Pergunta número dois: está de acordo com o envolvimento de Portugal na invasão do Iraque (promovida por um dos partidos que o apoia)?
Pergunta número três: está de acordo com o aumento da idade de reforma?
À primeira deu boa resposta. Alguma falta de convicção quando tomou a palavra não serve para apagar a coragem com que referiu que, apesar de tudo, a liberalização dos despedimentos pode não ser um factor de desemprego - mas um factor de aumento da taxa de emprego. À segunda pergunta deu réplica menos assertiva, que o adversário soube explorar muito bem, terminando com um ataque doloroso que a reclamação de um estatuto «supra-partidário» não conseguiu fazer esquecer. E a idade de reforma? Estava a ir razoavelmente bem até dizer que «os direitos adquiridos para mim são intocáveis».
Houve ainda uma pergunta à partida que se revelou capciosa: a lei da imigração. O candidato tem de rever rapidamente os exemplos que utiliza; se dizer que num caso de esperança média de vida de «90 ou 100 anos» a «idade de reforma tem necessariamente de aumentar» soa desajustado (porque este aumento tem de se consumar com esta esperança média de vida), afirmar o perigo de uma eventual nova lei da nacionalidade com base num hipotético cenário em que os portugueses seriam uma minoria no seu próprio país é um bocado... engraçado, como disse Louçã.
Mesmo assim, e de uma perspectiva global, acho que Cavaco fez um debate bom (tendo em conta os entrevistadores, o adversário e, naturalmente, aquilo que dele se pode esperar). Este era, possivelmente, o teste mais difícil - e considero que passou. Vamos agora ver como se vai sair quando estiver frente a frente com Mário Soares.

Recomendadíssimo

A simplicidade deste post de João Miranda. Igualmente recomendada a visita à caixa de comentários, da qual reproduzo aqui alguns dos mais interessantes apontamentos.
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Comentando a afirmação de João Miranda - «O que lhe posso dizer é que os processos sociais futuros serão uma consequência do ambiente externo e do estado actual de todas as células de todos os seres humanos», o leitor MP-S diz: «Isso poderá, ou não, ser verdade. No entanto, o problema nao está ai. O problema é que a nossa capacidade de previsão de sistemas tao complexos como as sociedades humanas, ou seres humanos, é tao limitada que, do ponto de vista prático, temos (quase) sempre de recorrer a outros niveis de descrição superiores para conseguir obter alguma informação relevante. Estamos ainda muito longe de conseguir descrever, ou sequer formular as questões acerca da consciência a partir dos constituintes fisico-quimicos que, em princípio, devem estar na sua base».
Comentário: É evidente. Mas nem o reduccionismo pretende ser uma metodologia nem a impossibilidade de uma previsão segura em casos concretos lhe pode constituir obstáculo.
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A observação de João Miranda no comentário seguinte expressa bem o reduccionismo:
«1. Eu não defendo que as sociedades humanas podem ser simplificadas; 2. Eu defendo que tanto as sociedades humanas como o clima são o resultado da interacção de elementos mais simples; 3. Eu defendo que nem as sociedades humanas nem o clima pode ser previsto com o poder computacional disponível. 4. Eu defendo que tanto as sociedades humanas como o clima podem ser previstos em princípio, mas não na prática».
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Comentando João Miranda - «Eu defendo que tanto as sociedades humanas como o clima podem ser previstos em princípio, mas não na prática» -, diz-se: « Há pelo menos dois problemas com essa ideia: se a física quântica estiver certa e vivermos num universo indeterminista, podemos saber absolutamente toda a informação sobre o Universo, num dado momento, e ainda assim não seremos capazes de prever para onde vai evoluir o sistema. Mesmo se o determinismo estivesse correcto, e construíssemos um computador que pudesse seguir todos os quarks do Universo a cada momento, o próprio computador interagiria com o seu ambiente de uma forma que não poderia prever, pelo que seria incapaz de tomar em conta essa interacção nas suas previsões. Claro que prever o clima e as sociedade humanas é um problema muito mais simples do que prever tudo, mas é preciso ter cuidado com o sentido de "prever em princípio". Haverá sempre desvios, por pequenos que sejam, e pode ser que seja possível uma previsão a 10 anos e não a 100, a 10 000 ou 1 000 000, mesmo em princípio. Outra questão que me surgiu: se quisermos prever o comportamento de um cardume de peixes, e o comportamento dos peixes for influenciado por um feedback do cardume como um todo (por exemplo, a sua forma geométrica), será possível fazer qualquer previsão apenas pelo estudo dos peixes, mesmo se soubermos absolutamente tudo o que se pode saber sobre eles?».
Depois, João Miranda responde: «1. A física quântica não é indeterminista. 2. Ainda que fosse, não há sinais de indeterminismo nos fenómenos macroscópicos. O indeterminismo, a existir, cancela-se a si próprio. 3. Se o indeterminismo estivesse correcto nenhuma teoria poderia explicar o que quer que seja. "Mesmo se o determinismo estivesse correcto, e construíssemos um computador que pudesse seguir todos os quarks do Universo a cada momento, o próprio computador interagiria com o seu ambiente de uma forma que não poderia prever, pelo que seria incapaz de tomar em conta essa interacção nas suas previsões". 1. É possível isolar o computador do fenómeno que se está a estudar. Se eu colocar um computador em Marte é pouco provável que ele influencia o clima na Terra ou a economia. 2. A possibilidade de previsão concreta é irrelevante para a questão do reduccionismo. O reduccionimo está correcto se:a) a previsão for possível em princípio;b) a compreensão da realidade a partir das suas partes for possível dentro de determinados limites».
Se a física quântica estiver certa, o universo pode ou não ser indeterminista. A indeterminação surge aquando da observação, quando se dá o colapso da função de onda. Isso depende, como o João Miranda explica mais tarde, da interpretação que dela se faz; segundo a concepção de Copenhaga, a necessidade de observação implica uma indeterminação (certas interpretações levam ainda à ideia de necessidade de uma consciência superior para observar todas as partículas - o que implicaria, curiosamente, a existência de um qualquer tipo de Deus).
Em todo o caso, não vejo que tenha a incerteza de Heisenberg a ver com a oposição holismo/reduccionismo. Pode ser - e certamente que o é - importante para o determinismo. Mas o holismo, julgo eu, não se sustenta da indeterminação dos sistemas mas sim da incapacidade de o todo ser apreendido em função da soma das partes. Aliás, nunca vi em discussões deste género um holista invocar a incerteza de Heisenberg como forma de refutar o reduccionismo. (Apesar de tudo, não concordo com o dogmatismo de João Miranda na sua rejeição, em absoluto, da visão de Copenhaga; por enquanto, digo apenas que o universo é possivelmente indeterminado).
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Depois, outro leitor diz: «Concordo sem reservas, mas para mim não se trata de o reducionismo ser "correcto", mas sim útil». Ponto interessante. Penso que o reduccionismo como tese filosófica é correcta; se é útil ou não, isso é outra coisa a que é difícil responder. Isto porque o processo científico é, na sua essência, um impulso reduccionista. Na biologia não «reduzimos» simplesmente quando procuramos as suas bases nas respostas da química: «reduzimos» todas as vezes que dividimos um ser nas suas partes constituintes com o fim de o estudar; reduzismos sempre que procuramos o mecanismo de reflexo condicionado no sistema nervoso. Também se reduz na sociologia e na psicologia, muito embora sejam os estudiosos destas áreas os maiores defensores do holismo, segundo julgo saber. Não entendo como pode algum cientista ser impelido por um «impulso reduccionista»: a ciência faz-se, em qualquer caso, num processo de permanente aprofundamento. Já houve holistas que tentaram fazer ciência de forma reduccionista - tentanto apreender o todo em função das partes -, a única diferença que consigo encontrar entre reduccionistas e holistas é no facto destes últimos manterem, em princípio, a seguinte reserva: o que fazemos é útil, mas em última análise a apreensão completa do todo em função das partes é impossível. É-me difícil, pelo menor por enquanto, conceber uma metodologia «holista», se é que isso existe.
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João Vasco diz depois: «É assim: o João Miranda está errado. Estou no último ano da licenciatura de Física. A Mecânica Quântica é um modelo indeterminista. Pode estar errado, mas tanto quanto sabemos está certo. Se estiver certo, o Universo é indeterminista. Nota: A equação se Shrodinger prevê deterministicamente a função de onda, mas a função de onda apenas permite obter densidades de probabilidades. Assim sendo, a equação de Shrodinger é uma equação que se refere a um modelo indeterminista». Ao que João Miranda contrapõe, e muito bem: «Isso é a interpretação de Copenhaga, que como disse não é a única possível». Interessante, mas não acrescenta nada. Está-se a tratar de determinismos e não de holismos/reduccionismos. Mas mantenhamo-nos na mecânica quântica, é interessante. Para os «indeterministas» (será que o termo existe?) ela constitui um problema para a aplicação de regras deterministas a casos concretos; ora, como o João Miranda explica mais tarde, em processos macroscópicos a incerteza praticamente não actua. Eu posso estar neste momento a teclar no meu computador e há uma probabilidade de algumas partículas que o constituem estarem a efectuar coisas estranhas, previstas na teoria. Mas o facto do artefacto ser constituído por biliões e biliões de partículas faz com que esses efeitos estranhos se diluam e não sejam notados de forma macroscópica. A incerteza quântica é, fundamentalmente, um ponto contra um «ideal determinista» - mas não actua (salvo casos limite, como o célebre gato de Schrodinger) como facto contra a aplicação prática de ideias deterministas. Pessoalmente, julgo que a teoria do caos constitui muito maior óbice à questão «prática» do determinismo - e esta é, paradoxalmente, uma teoria da evolução de sistemas... deterministas.
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Um último ponto, contra os holismos. Suponhamos que para um atleta lesionado dois diferentes fisioterapeutas prescrevem duas terapias diferentes. O primeiro, «x», recomenda a conjugação de certos exercícios durante um dado período de tempo. O segundo, «y» aconselha um ritual em que o atleta tem de bater 10 vezes as mãos no chão e dar duas cambalhotas para a frente. Qual parece mais razóavel? O primeiro claro; afinal de contas, os exercícios permitem trabalhar os músculos e a conjugação de alguns desses exercícios pode ter um efeito global total. Mas a segunda não parece muito razoável: isso seria como acreditar que há uma lei «geral» que não pode ser reduzida a nada, que simplesmente diz «bater com as mãos e dar cambalhotas cura lesões». Esqueçam o rídiculo do exemplo escolhido: o que me interessava salientar era a estranheza de o holismo postular leis que não se reduzem a outras mais básicas, essa crença numa emergência de algo superior à soma das partes (rectifico: algo superior à conjugação das partes).
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P.S.- Ao momento em que escrevo isto o João Galamba escreveu um texto de resposta. Escassez de tempo impede-me de o ler mas logo à noite sai mais um post. Espero! Uff!

07 dezembro 2005

Coisas da vida

Uma permuta de posições entre três agremiações desportivas despertou veículos às 22:00 para violenta chinfrineira. Sim, são vinte e dois homens a correr atrás de uma bola... mas talvez não seja isso.
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P.S.- O Manchester está mesmo mal; ver Nistelrooy, Ronaldo, Rooney, Ferdinand, Van der Sar, Scholes e Giggs serem eliminados pelo João Pereira, Beto e Mantorras... C'est la vie!

Outros tempos

A propósito do jogo de hoje, descobri o galhardete que anunciava a final da Taça dos Campeões em 1968 no Estádio de Wembley. Final fantástica entre o Benfica, campeão Europeu em 1961 e 1962 e finalista vencido em 1963 e 1965, e o Manchester United, jovem equipa Inglesa treinada por Matt Busby, à procura do rumo após um violento acidente de avião ter morto metade da equipa.
Era o Benfica de Eusébio, Simões, Torres, Coluna, Germano, Costa Pereira, entre outros, contra o Man Utd dos irmãos Charlton, Denis Law e de um tal de George Best.
O jogo foi equilibrado. No final dos 90 minutos, estava em 1-1. Eusébio falhara um oportunidade flagrante pouco antes dos 90. O prolongamento foi desastroso para a equipa 100% nacional: 3 golos sem resposta. Resultado final: 4-1; o Manchester ganhava a sua primeira taça dos Clubes Campeões Europeus.
Claro que isto foi em '68 e qualquer semelhança com o jogo de logo é pura coincidência.

Vou sonhar

É hoje que o Glorioso vai discutir a sua permanência na Champions. Só a vitória interessa. Sei perfeitamente que as hipóteses de conseguirmos a qualificação são reduzidas, mas vou sonhar, vou sonhar que é possível ganhar, vou sonhar que é possível vergar o poderoso Manchester à força do Inferno da Luz, vou sonhar que os jogadores do Benfica conseguem ser superiores aos do Manchester, e vou sonhar que Ronaldo e Companhia deixaram a magia em Inglaterra.
Este jogo tem de ser nosso, a vitória tem de ser nossa, a vitória vai ser nossa.
Vou sonhando... enquanto puder.

Maus lençóis



Ontem foi um mau dia para Saddam Hussein no seu julgamento. O ex-ditador iraquiano foi confrontado com o testemunho de uma mulher que afirmou ter sido vítima de abusos físicos e sexuais há mais de 20 anos. Abusos esses que foram cometidos por oficiais à responsabilidade de Hussein. Contou também pormenores acerca do envolvimento de Hussein no massacre de Dujail, onde morreram 140 homens.
Ele lá vai dizendo que não teme ser executado, mas que as coisas vão mal para ele e para o irmão, lá isso vão!

Hip hip



... Urra... porque chegámos aos 10.000!

05 dezembro 2005

Irão e nuclear

Não há forma de saber se o Irão pode vir a tornar-se um perigo. Há indícios - e esses apontam para uma resposta afirmativa. A exploração do nuclear, sob a capa de uma pretensa exploração de alternativas formas de energia concede ao regime de Teerão o poder de que necessita para impor uma política mais agressiva; as afirmações recentes (ainda está bem vivo o célebre «riscar Israel do mapa») indicam a vontade - curiosamente, numa altura em que Sharon, que era visto, mesmo por alguns sectores europeus como elemento de desestabilização no processo de paz, deixa o Likud e se afasta dos grupos israelitas mais à direita. Agora é a vez dos russos entrarem em cena: a venda de mísseis (ainda que alegadamente defensivos) é confirmada, os EUA não gostam e os russos assobiam para o lado.
Sim, se «nós» temos por que razão não deveriam eles ter também? Uma palavra: perigo. Para Israel e EUA principalmente, mas para todos nós por arrasto e, em última análise, para os próprios iranianos. Dar os meios e o poder a quem já conhecemos as intenções - e que intenções! - só revela inocência ou imbecilidade; ou, cenário mais grave, um misto dos dois. De Ahmadinejad já vieram indícios mais que explícitos reveladores das suas intenções; agora, a bola está do lado de cá. A questão está entre aceitar que uma nação liderada por um fanático atinja o ponto limite - altura em que para se conter os seus ímpetos serão necessárias medidas bem mais difícies, onerosas e duras de tomar - e «cortar o mal pela raíz». Podemos estar a cometer um erro, cortando os pés a quem não tem em vista objectivos bélicos? Possível, ainda que extremamente improvável. Mas é com base nesta probabilidade que se tomam decisões. Aquilo que interessa fazer ressaltar é que o enorme perigo que Teerão neste momento representa - ainda que apenas potencialmente - está inflacionado pela enorme probabilidade de este vir a tornar-se um problema. Decerto que os EUA têm poder - mas não representam perigo; e decerto que há Cuba não gosta de muitos Estados ocidentais - mas não tem os meios para se tornar um caso sério (e, neste momento, talvez nem tenha grande vontade). O problema é quando os meios e o desejo de conjugam. Nessas alturas, como diz o povo, «mais vale prevenir que remediar».

Pedagogia

Em Inglaterra, Blair deu murro na mesa - e, farto da marotice da criançada, decidiu punir os progenitores, optando por uma versão revista e polida das velhas reguadas do século XX. A partir de agora, a pouca educação, insolência e, caso extremo, a violência do aluno passam a pesar na bolsa dos papás e das mamãs, no que se poderá considerar o primeiro imposto sobre a violência juvenil da História. Concomitantemente, também ao tutor se outorgam maiores poderes, podendo este, a partir de agora, fazer uso da força em caso de necessidade - em tradução britânica, «submeter o aluno à disciplina», verbo pouco sensato que noutros locais poderia dar azo a pronta reedição do clássico «Vigiar e punir».
Eu, cá bem longe, aplaudo a coragem: não é todos os dias que o bom senso leva a melhor sobre o «discurso do psicólogo». Anos de hipocrisia desresponsabilizadora e «encarneirização» politicamente correcta tornaram professores - e alguns alunos - reféns de educandos pouco educados, que fazem da sala um recreio e dos colegas bobos da festa. E quando alguém se insurgia eis que pais preocupados e «cientistas sociais» informados desciam dos céus para ensinar a plebe a educar a malta jovem; repressão era coisa do passado - o ideal é que o menino aprenda por si o que está mal, que aja em consciência; o menino bate no gordinho, grita ao professor e goza com o «caixa-de-óculos»? Ora, mas é natural, é a fase das descobertas; temos de deixar experimentar, não podemos ser intolerantes.
Querem um conselho: imitem os ingleses. Tornar dóceis os mais insurrectos não é assim tão difícil - o mais complicado será, talvez, ultrapassar os rótulos de «salazarista», «fascista» e «opressor». Ensinar que a sociedade tem regras e normas faz-se enquanto o diabo esfrega um olho. Ou enquanto se retira um crucifixo de uma sala.

A ler

Recomendado: este post, no Semiramis.

04 dezembro 2005

Opiniões

Mário Soares já fez breve resenha dos seus méritos: tem cultura humanista, sabe de História, sabe de geografia, sabe de arte e música clássica, sabe falar, é «fixe», é de esquerda, tem experiência, é simpático, não reconheceria uma equação diferencial nem que tropeçasse nela, foi primeiro-ministro, não gosta de economia. Há, contudo, outra característica de que se pode orgulhar: Mário Soares é um peso pesado na área da ciência política. É pelo menos essa a impressão com que se fica depois das mais recentes declarações que o «Diário de Notícias» reproduziu: Soares diz que «Cavaco tem vergonha do próprio partido». Aceita-se – e compreende-se –, mas uma coisa me ocorre: se a votação de Mário Soares for realmente bastante inferior ao eleitorado do PS, quererá isso dizer que, neste caso, é o partido que tem vergonha do candidato? Não sejamos lineares: a esquerda está dividida, tem quatro candidatos, isso explica as pequenas percentagens, certo? Bem, seria uma hipótese – mas Soares ensina-nos que «há uma série de pronunciamentos subtis que desejo sublinhar e que significam que a direita é a menos unida da vida política, porque o PSD deixou cair o PPD e o CDS deixou cair o PP». Ora aí está: a direita fracturada e uma esquerda unida. A finalizar, Mário Soares admitiu que se candidatava para «incomodar» Cavaco. É legítimo – mas, a julgar pelas sondagens, não está a conseguir incomodar ninguém.

Injustiça

Competição justa implica que os disputantes tenham as mesmas oportunidades e se encontrem ao início nas mesmas condições. Não faz sentido que um atleta possa começar a correr a maratona com vantagem relativamente aos outros assim como é inconcebível que uma equipa de basquetebol inicie a partida já com alguns pontos marcados. É portanto natural que um jogo destes - «prove que sabe mais de futebol que o treinador da sua equipa» - esteja à partida viciado. Não é preciso puxar muito pela cabeça para descobrir que os adeptos de um certo clube nortenho partem com larga vantagem sobre os restantes. Mais fácil só se José Peseiro ainda estivesse no Sporting.

A pergunta errada

Jerónimo de Sousa pertence à velha guarda comunista. Pouco atreito a reorientações ideológicas, persiste no caduco discurso do povo oprimido pelos senhores do capital e a crença numa revolução que há-de vir - a História ainda tem um fim. Assim se entende a forma como estabelece a dicotomia esquerda/direita; de um lado o demoníaco poder opressor, entidade criada pela fusão da tirania com o poder do mercado, esse demiurgo de mundos imperfeitos e gerados de iniquidades várias; do outro, a salvação do proletariado, o seu último resíduo de esperança, o garante da sociedade perfeita que há-de vir. A mudança de mentalidades que a queda do Muro poderia ter facultado afinal de contas não se deu: o mercado, o lucro, a produtividade e o capital (curiosamente tudo conceitos sobre os quais as sociedades mais prósperas foram erigidas) são diabolizados - de um lado a esquerda, que defende os pobres, do outro, a direita, que defende os ricos. Portanto, faz todo o sentido que o povo queira uma esquerda no poder; a direita favorece os ricos, oprime os pobres - logo, o povo não votará nunca, em condições normais, na direita. A diferença não reside em afastamentos de grau na forma de ver a economia, cultura, sociedade e defesa: o que há é uma completa e absoluta oposição entre os «bons» e os «maus». É a linearidade levada ao extremo.
É portanto natural que Jerónimo diga, como disse ontem, que «Portugal e os portugueses podem vencer Cavaco Silva». Óbvio: a eleição de Cavaco não é escolha eleitoral: é perigo a derrubar através do poder do povo. Cavaco não é diferente dos candidatos da esquerda: Cavaco é mau; os outros são bons. Na cartilha revolucionária a hipótese de os portugueses querem Cavaco em Belém nem sequer se coloca - a esquerda é boa, a direita é má, quem em consciência vota nos maus?
Camarada Jerónimo, percebo a tese. O problema é que deu a resposta certa à pergunta errada: sim, os portugueses podem impedir a eleição de Cavaco; mas será que os portugueses querem impedi-la?

03 dezembro 2005

Confiar no desconhecido

Se certas pessoas tomarem conhecimento da facilidade com que se adultera indevidamente conteúdos que são acedidos por milhares de pessoas todos os dias, isto pode trazer um sério problema. Por exemplo, Pedro Santana Lopes aventurar-se pelo maravilhoso mundo informático para criar um ficheiro seu no Wikipédia, onde se descreve como alguém sério, responsável, sensato e ponderado. Mas o pior nem é isso: tremo só de pensar na possibilidade de Francisco Louçã conseguir aceder ao arquivo correspondente a G. Bush, Globalização ou Liberalismo...

Quem diria

Quase 30% dos empregos são conseguidos por cunhas. Se um privado quer perder dinheiro com um primo desleixado, a questão pode ser problemática - mas o problema é dele. Representa uma tendência infeliz e que limita oportunidades mas não faltarão outros lugares a valorizar o trabalho. Se o caso se dá num cargo público a coisa é mais chata - porque o preço da falta de produtividade está a sair do bolso de cada um.

A que propósito? - rectificação

Caro João:
O Sporting não quer pagar as dívidas. E o Estado deixa.
Mantenha o Benfica, o Porto ou até o Fornos de Algodres (pelo qual tenho uma paixão secreta) débitos similares, a exacção não deverá ser olvidada. Especialmente no caso do Porto, claro!

A piada da semana

Um pouco fora de tema mas... a visitar!

A que propósito?

O Sporting não quer pagar as dívidas. E o Estado deixa.

02 dezembro 2005

Fraquinho

A entrevista de Cavaco Silva a Judite de Sousa hoje na RTP1 mostrou que o discurso de Cavaco Silva ainda tem alguns ligeiríssimos problemas na oratória. Mas o pior mesmo foi quando voltou a usar a ladainha da independência e afirmou que durante os últimos dez anos nunca se meteu na política. Ok, «meter em política» pode ter significados diversos, mas as perguntas da entrevistadora deixaram o professor numa situação difícil da qual não conseguiu sair. Nalguns momentos chegou a ser confrangedor; noutros, raiou o catastrófico. É preciso acreditar mesmo muito num homem que fala assim para se votar nele.

Prognóstico

Bem, tendo em conta que os esverdeados jogam sem o pequenino e que os azulados jogam sem o Postiga, isto leva-me a pensar que o F.C.P. tem todo o favoritismo... ainda para mais com o Ricardo na baliza adversária. Talvez um 2-1.

Diálogos irónicos

Encontrado a meio de uma leitura este diálogo entre um estudante de filosofia e um professor de matemática.
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Aluno: Professor, o que é uma demonstração matemática?
Professor: Não sabe isso? Em que ano está?
Aluno: No terceiro ano da licenciatura.
Professor: Incrível! Demonstrações são aquilo que me tem visto a fazer no quadro três vezes por semana ao longo dos últimos três anos. Isso é que são demonstrações!
Aluno: Desculpe, creio que não me expliquei bem. Sou estudante de filosofia, nunca assisti à sua cadeira.
Professor: Ah! Bem, nesse caso... teve alguma matemática, não teve? Conhece a demonstração do teorema fundamental da álgebra, ou a do teorema fundamental do cálculo?
Aluno [interrompendo]: Já vi alguns desses raciocínios em geometria e álgebra a que chamam demonstrações, mas o que pretendia não é um exemplo mas sim uma definição. Se assim não for, como posso saber que demonstrações estão certas?
Professor: Bem, creio que isso foi tudo explicado pelo lógico Tarski e mais alguns, como Russell ou Peano. De qualquer maneira, o que se faz numa demonstração é escrever os axiomas da teoria numa linguagem formal com uma dada lista de símbolos ou alfabeto. Escreve-se então a hipótese do teorema no mesmo simbolismo e depois mostra-se que é possível transformar as hipóteses, passo a passo, e utilizando as regras da lógica, até chegar à conclusão. Isto é que é uma demonstração.
Aluno: A sério? Isso é espantoso! Tive cálculo elementar e cálculo avançado, álgebra elementar e topologia e nunca ninguém fez isso.
Professor: Ah, é claro que nunca ninguém realmente faz isso. Nunca mais acabava! Mostra-se apenas que seria possível e isso chega.
Aluno: Mas nem isso se parece com o que vi fazer nas aulas ou com o que constava nos livros das cadeiras. Portanto, os matemáticos não fazem demonstrações!
Professor [irritado]: Claro que fazem, deixe de embirrar. Se um teorema não é demonstrado, então não vale nada.
Aluno: O que é então uma demonstração? Se é uma coisa com uma linguagem formal e regras de transformação, então nunca ninguém demonstra nada. É preciso conhecer as linguagens formais e a lógica formal antes de fazer uma demonstração matemática?
Professor: Claro que não! Quanto menos se souber, melhor. São tudo tolices abstractas, de qualquer maneira.
Aluno: Ok, mas então que é afinal uma demonstração
Professor: Olhe, é um raciocínio que convence alguém que entenda do assunto.
Aluno: Alguém que entenda do assunto? Então a definição de demonstração é subjectiva, depende de certas pessoas. Antes de poder decidir se algo é uma demonstração sou obrigado a decidir quem são os peritos. Que tem isso a ver com demonstrar coisas?!
Professor:Não, não, não. Não há nada de subjectivo nisto. Leia alguns livros, esteja atento nalgumas aulas de um matemático competente e vai perceber de certeza.
Aluno: Tem a certeza?
Professor: Bem... talvez não lhe suceda se não tiver mesmo nenhuma aptidão para isto. Também pode acontecer.
Aluno: Ah... Então o professor decide o que é uma demonstração, e, se eu não aprender a decidir da mesma maneira, o professor decide que eu não tenho aptidão.
Professor: Quem poderá decidir se não eu?

01 dezembro 2005

Determinismos

Escrevi há dias que o tema de capa da «Super Interessante» - o destino - era interessante mas fazia confusão entre determinismo e inevitabilidade. Após leitura completa, opinião renovada - e mais bem fundamentada - exige-se.
O artigo está dividido em quatro partes: a concepção de «destino» em várias religiões, ou seja, a inevitabilidade de certos acontecimentos; o determinismo laplaciano; a eterna questão genes/meio social na formação do ser humano; os videntes e adivinhos. O primeiro e o quarto ponto são engraçados mas acessórios; o segundo e terceiro são campos muito mais vastos, interessantes e estimulantes.
Não gosto muito de meter Laplace à conversa em questiúnculas deste género. Não é receio: é simplesmente a convicção de que o seu famoso enunciado não era uma afirmação com fins práticos mas apenas e só a assunção de uma visão de um universo mecanizado cujo funcionamento era totalmente determinado por regras matemáticas - ideia que, aliás, estava em perfeita consonância com o mundo de então. Neste tipo de discussões acho que é sempre de bom tom definir à partida o que se entende por «determinismo»: se olhamos enquanto paradigma que abre portas a uma espécie de «previsão do futuro», então acho que a incerteza quântica é o menor dos seus problemas; se, por outro lado, o encaramos como uma mera posição idealista, então penso que não só não faz sentido trazer a teoria do caos à baila como grande parte das cisões que este problema suscita não têm razão de ser. Além do mais, a teoria quântica (segundo sei, e são conhecimentos de um leigo) pode não ser assim tão indeterminada quanto parece - mas para falar acerca disso teria de entrar com conceitos (como o colapso de função de onda) que, por não dominar, acho melhor não introduzir.
Quanto ao terceiro ponto do artigo parece-me que a revista acaba por se deixar enredar na velha armadilha «sociológica» de rotular aqueles que estudam o comportamento como função de um código genético de «deterministas». A contradição não é difícil de encontrar: aqueles que vêem o homem como uma «tábua rasa» a que se adicionam temporalmente condicionamentos sociais também são, à sua maneira, «deterministas» - a diferença é que neste caso somos determinados pelo que nos é exógeno, enquanto que no caso anterior somos determinados por factores endógenos.
No meio de tudo isto, o ponto mais «quente» não foi falado: livre arbítrio. Causa calafrios só de ouvir.

Debate

Grande debate anda por aqui. Começou com este post, chegou aqui, aqui , aqui, aqui, e agora estabilizou com este post - por enquanto, pelo menos. A não perder.

Old fashioned

Em Inglaterra o actual método de ensinar inglês está em vias de ser extinto. Até aqui o esquema tinha sido o de repetir as palavras associadas aos seus objectos («significante» mais o «referente», para quem gosta destas coisas), que substituira na década de 60 a técnica de construção de palavras através das unidades básicas - os fonemas.
Em baixo um excerto da notícia e aqui o artigo completo.
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«Ruth Kelly, the Education Secretary, said synthetic phonics - which teaches children to assemble words from the 44 building blocks of language (phonemes) - should be used "fast and first".
It will replace the modern 'look and say' method, introduced with the help of Janet and John in the 1960s, of teaching children to recognise each word by repetition, aided by context and pictures. Many teachers have come to dismiss this technique as 'look and guess'.
It will also supersede 'analytic phonics' - a halfway house between the two which breaks words down into their constituent syllables.
The Government today endorsed synthetic phonics following the publication of an interim report by Jim Rose, a former Ofsted director who began an inquiry six months ago
».

Queixas

A Alta Autoridade para a Comunicação Social apreciou uma queixa contra um blog (este aqui, por falar nisso) que teria, segundo a denúncia, expressado opiniões de cariz fascista, racista e xenófobo.
Não tenho a certeza mas creio que esta (tentativa de) sujeição dos blogs às leis que regulamentam o mercado de informação é nova. Estou muito curioso para conhecer o desfecho da coisa.
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