26 novembro 2005

A figura

Lembro-me de há tempos ter visto Santana Lopes na televisão (SIC Notícias, se bem me lembro) a comentar as eleições presidenciais. Referiu na altura que poderia haver candidatos mais bem posicionados e que o no espaço mais à Direita poderia ainda surgir outro candidato (José António Lima disse ironicamente, em relação a estas declarações: «adivinhe-se quem...»).
Hoje, o inenarrável PSL faz outra vez furor com um texto publicado no «Expresso» - «a lei de Gresham (um ano depois)».
Não pretendo rebater aqui os argumentos de PSL quando defende que a a «moeda menos má» (o seu Governo) foi substituído por uma moeda bem pior (o de Sócrates, evidentemente). Os «factos» - como ele lhes chama - carecem, nalguns casos, de interpretação idónea e acertada e são, noutros casos, mal expostos - falar de crescimento económico, PIB, exportações, importações, impostos, défice, etc., sem falar das condicionantes conjunturais (como, por exemplo, o preço do petróleo) é desonesto.
De facto, o Governo que liderou foi um Executivo à sua imagem e semelhança: errático, muitas vezes perdido e frequentemente desnorteado. Os «episódios», como Sampaio lhes chamou, sucediam-se dia após dia. Chegavam a raiar o rídiculo e o anedótico. O caso em que PSL sentiu necessidade de emitir um comunicado para refutar uma fantochada lateral (questão envolvendo uma sesta antes de um compromisso oficial, se bem me lembro) foi paradigmático: PSL sabia que toda a gente sabia de que matéria ele era feito.
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Desde então, Santana apenas tem dado razão àqueles que sempre o viram como um político pouco sério. O célebre discurso do «vou andar por aí» só confirmou uma personagem virada para si, absolutamente incapaz de assumir erros e que se julga um César perseguido por traidores que saltam de cada esquina escura e de todos os recantos isolados; uma figura que se vê como vítima de tudo - excepto da sua própria incompetência - e que se recusa a entender que o seu tempo acabou; que já não faz parte deste filme; que não passa de um fantasma que, felizmente, já não consegue assombrar ninguém.
Depois desse discurso, das monótonas - e recorrentes - intervenções desculpabilizantes , dos textos, das análises «cuidadosas e imparcias» feitas na televisão, este artigo não traz nada de novo. É redundante e só penaliza o próprio PSL. Quem o leu prestou mais atenção à intenção com que foi escrito do que aos argumentos apresentados.
Entretanto, ele vai continuar por aí. Para mal dos seus pecados.

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