17 novembro 2005

Estatísticas

O jornal «Público» (a que só tive acesso a esta infeliz - e tardia - hora) faz hoje primeira página com o desemprego crescente. Título: «Número de licenciados no desemprego duplicou»; subtítulo: «já há 430 mil desempregados, 60 mil com formação superior». Abre-se o jornal e acede-se a mais alguns dados interessantes. Atenção: tudo isto são dados do Instituto Nacional de estatísticas.
  • o desemprego, no terceiro trimestre de 2005, atingia cerca de 430 mil pessoas - o correspondente a 7,7% da população activa.
  • em Outubro de 2005 havia quase meio milhão de pessoas inscritas em centros de emprego.
  • a fase de maior crescimento do desemprego deu-se no período 2002/03.
  • 24,8% do número total de desempregados mantém essa condição durante mais de dois anos.
  • o número de desempregados licenciados ascende a 59600.

Apesar de tudo isto, ainda há quem queira aumentar os subsídios de desemprego (verdadeira lógica da batata: com finanças em mau estado gasta-se mais dinheiro com cada vez mais pessoas) e manter a rigidez do código laboral (não sendo questão sensível, é óbvio que para um jovem é melhor ter um trabalho precário e mal pago que não ter trabalho de todo). Há pouco tempo, foi a vez do Presidente da República de clamar por «mais formação». Sim, do que nós precisamos é mais e mais licenciados, mais pessoas cultas, inteligentes e letradas a engrossar as filas dos centros de emprego. Teria sido mais arguto falar na necessidade de criar mais empregos e estimular a competitividade (nome feio pelas consequências que traz - ou pelas medidas que ela exige). Teria sido mais interessante debater o número de advogados que todos os anos são formados nas nossas universidades (muitos dos quais vão contribuir para estatísticas deste género) enquanto se analisava o número de médicos (a Ordem dos médicos não quer mais vagas porque isso «degradaria o ensino»). Nas licenciaturas de cariz científico, o panorama é mesmo desolador. A solução é ir trabalhar para fora ou mendigar qualquer coisita por aqui, sinal óbvio e inequívoco de que o que de bom se produz pouco é aproveitado e daquilo que de mau se cria muito pouco é desperdiçado. Físico, químico ou biólogo? Não há muito a fazer: porta de saída ou o chão das casas de banho, é pegar ou largar. Já só falta aparecer um qualquer iluminado a dizer que «há vida para lá das estatísticas»...

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