01 novembro 2005

Entender as causas

Vladimir Putin, Presidente russo, criticou hoje a postura europeia perante o terrorismo. «A maneira de pensar dos europeus passa pela prática tradicional de acalmar agressores e extremistas através do princípio da negociação prévia». Isto, como é claro e evidente, «é uma filosofia perigosa que, na prática, conduz a grandes tragédias». A concluir, o ex-KGB fez uma comparação entre a situação actual e a dos anos 30 do século passado, quando Chamberlain e Daladier assinaram um pacto com Hitler: «Um ano depois do pacto estalou a II Guerra Mundial».
Isto fez-me pensar e cheguei a conclusões interessantes. Sigam o raciocínio. A II Guerra Mundial teve início com as declarações de guerra por parte dos grandes países europeus à Alemanha. Ora, uma das razões por que a guerra foi declarada foi a política expansionista germânica, que estava a invadir países a torto e a direito (Checoslováquia, Áustria, ainda que de forma peculiar, etc.). E quem foi o responsável por esta política? Hitler, obviamente. Começamos agora a chegar à verdadeira trama (isto dava um novo Código Da Vinci): Hitler apenas conseguiu ascender ao poder em consequência de uma gravíssima crise económica. Portanto, a grande culpada da II Guerra Mundial foi a crise económica. Bem, podíamos ficar por aqui, mas porque não andar um pouco mais para trás? Façamos uma pequena viagem no tempo e observemos o que aconteceu depois da I Guerra Mundial.
Nessa altura os EUA eram credores da maioria dos países europeus - Inglaterra e França (entre outros) deviam o dinheiro que haviam pedido emprestado durante a guerra e a Alemanha devia aquilo que os tratados de paz a obrigavam a pagar. Contudo, os EUA não exigiram o pagamento desta pseudo-dívida à Alemanha - mas não condescenderam com os aliados europeus, uma vez que os empréstimos que estes haviam contraído não eram produto de um tratado mas sim de dinheiro efectivamente emprestado. Os depauperados cofres ingleses e franceses não conseguiram aguentar e, vai daí, abrandaram o pagamento. Reacção dos EUA? Very well, acabou-se o investimento por essas bandas. E depois? Naturalmente, o investimento (e havia muito dinheiro para investir nessa altura...) americano fez-se noutros locais. Como, por exemplo, a Alemanha. A parte engraçada chega agora: com o crash da bolsa em 29 os EUA ficaram em maus lençóis - e, com eles, os países que estavam até aí dependentes do seu investimento. Ou seja, a Alemanha. Foi esta crise económica que levou, mais tarde, Hitler ao poder. E finalmente chegamos à engraçada conclusão: a II Guerra Mundial não teve origem nos alemães mas sim numa estranha e complexa teia de acontecimentos em cadeia cujo primeiro elo foi o investimento americano. Incrível: os americanos aparecem em todas. Assim, creio ter demonstrado sem sombra de dúvida que foi um erro a Europa ter combatido os alemães - devíamos, isso sim, ter tentado «compreendê-los», «dialogar com eles», e, por último, procurar na nossa própria sociedade as maleitas que estiveram na origem do Nazismo. Temos, como dizia o outro, de «ver as causas por detrás das consequências...»
Se isto não fizer sentido para si isso significa que o leitor é um fascista imperialista.

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