27 novembro 2005

Crucifixos

Podendo desagradar a muita gente - especialmente católica, naturalmente -, retirar os crucifixos das escolas está em conssonância com o Estado laico que é Portugal.
Pessoalmente, pouco me afecta. Desconfio que também em nada irá alterar a vida dos alunos das escolas. Desconfio ainda de que os próprios professores, os funcionários e outros que ganham a vida a trabalhar nas escolas sofram revés ou ganhem ânimo com tal medida.
Não: de facto, a única coisa que isto pode prevenir é que algum aluno mais incauto acabe por apanhar com um crucifixo na cabeça em caso de sismo. De forma análoga, a presença dos mesmos não traz nada de mais e é perfeitamente inócua: não influencia ninguém nem deixa de influenciar. Não está em causa o impacte da religião na vida das pessoas: está em causa a falta de impacte que um mero símbolo da mesma (não) tem numa sala de aula.
Gera-se assim, de uma forma insólita e sob um pretexto ridículo, mais uma «guerrinha» entre a organização «República e Laicidade» (da qual faz parte o insuspeito Fernando Rosas), que encarna o jacobinismo e tem como razão de vida a redução da Igreja à sua expressão mais ínfima e insignificante e a própria Igreja Católica - as reacções têm sido exageradas e um pouco mais de contenção não faria mal (ainda hoje um conhecido dizia-me que durante a missa o padre fizera protestara contra a retirada dos crucifixos ironizando e dizendo que «um dia destes os professores não podem ser catequistas»); a veemência dos protestos acaba por empolar uma questão.
É admissível que alguém pense que as escolas não deveriam ter crucifixos; é admissível que alguém pense que as escolas deviam ter os crucifixos. Não sei se será saudável que pessoas empenhem o seu tempo em lutar pela permanência ou retirada dos mesmos.
Resumindo e concluindo: será que uma medida tão anódina deveria, entre pessoas sérias, suscitar tantos problemas?

Comentários

5 Comments:

At domingo, novembro 27, 2005 10:44:00 da tarde, Blogger Elise said...

Precisa-se de congruência. O discurso em relação aos crucifixos não tem a mesma intensidade do discurso em relação aos feriados religiosos. E o que é mais grave para um estado laico?

 
At terça-feira, novembro 29, 2005 5:44:00 da tarde, Blogger Filipe Alves said...

Concordo com a retirada dos crucifixos, mas qual é o mal de o Estado reconhecer que uma grande parte dos cidadãos são católicos e têm direito a celebrar os dias santos da sua religião? Não vejo mal algum nisso ou qualquer atentado ao laicismo (que se confunde muitas vezes com ateísmo de Estado), desde que os Judeus, Muçulmanos, Hindus, etc, possam também celebrar as suas festas religiosas.

 
At sexta-feira, dezembro 02, 2005 3:44:00 da tarde, Anonymous blog Portugal Abrupto, mas ... said...

Filipe Alves disse...
" ... Laicismo (que se confunde muitas vezes com ateísmo de Estado) --->
pois é filipe ...
É esse o problema . Querem fazer crer, alguém, que laicismo (neutralidade ) é ateismo , e até, anti-religiosidade.

 
At sexta-feira, dezembro 02, 2005 3:45:00 da tarde, Anonymous blog Portugal Abrupto, mas ... said...

O mal, é confundir-se estado laico, com estado Ateu.

Um estado laico, não é um estado Ateu. Um estado laico, quer dizer que não tem religião oficial, nem é oficialmente ateu como a Coreia do Norte (que a Elise tanto gosta ) ou a ex. URSS, ou CUBA.

Um estado laico, pode e deve ter aquilo que a maioria das pessoas são : cristãs.
Recusar os crucifixos nas escolas, é deixar de ser laico para passar a ser ateu (E ANTI- CRISTÃO )

Recusar os feriados religiosos, é recusar aquilo que a maioria do povo é , a história, etc
Mas é acima de tudo, deixar de ser laico, para passar a ser ateu oficialmente .

E mais : eu , sou o povo - eu pago impostos, e pago as escolas - Se meia dúzia de ignorantes, e taxistas (como o suspeito Fernando Rosas, que se não fosse estas coisas ninguém sabia quem era ) á volta do mov. Republica e Laicidade querem escolas sem crucifixos, é com eles
Eu , quero que as escolas dos meus filhos, tenham crucifixos . E em nome, do estado laico ... Pois o estado, não é ateu

UMA PAREDE NUA, É SÍMBOLO DO ATEÍSMO, COMO QUALQUER NÃO INCAUTO, OU NÃO INGÉNUO, SABE

EVIDENTE, QUE CONCORDO COM O AUTOR -. QUAL O INTERESSE DISTO ? ZERO

MAS A MIM, É ISSO QUE ME ASSUSTA - OS FAMOSOS REPUBLICANOS, DESCENDENTES DOS ATENTADOS ASSASSINOS NA RUA CONTRA UM PAI E UM FILHO (QUE "POR ACASO" ERAM REI E PRÍNCIPE ) ANDEM PRECISAMENTE A SE INTERESSAR POR ISSO

PROVA, QUE CONTINUAM A MESMA PORCARIA DE SEMPRE -. PRECONCEITUOSOS CONTRA A IGREJA, COM UMA "AGENDA" MEIA SECRETA (como diz o autor e bem, toda a gente sabe qual é )
E IGNORANTES : CONTINUAM A DIZER POR EXEMPLO, QUE A IGREJA É RESPONSÁVEL PELO ATRASO DO PAIS, SEM "ACEITAREM EVIDÊNCIAS" QUE A IGREJA FEZ DE PORTUGAL A MAIOR POTÊNCIA MUNDIAL NO SÉC. XVI (E SEM ELES, LAICOS) , SEM "ACEITAREM A EVIDÊNCIA" QUE A CATÓLICA IRLANDA, É HOJE UM POTENTO A TODA A FORÇA ... E CONTINUA POR EXEMPLO , ANTI ABORTO / PRÓ VIDA .

QUE OS MOVE ? QUE ÓDIOS E PRECONCEITOS ?

Sem mais

 
At sexta-feira, dezembro 02, 2005 3:58:00 da tarde, Anonymous blog Portugal Abrupto, mas ... said...

Em conclusão, tenho que dizer que se concordo com o autor em muita coisa, menos quando ele diz " o insuspeito Fernando Rosas ", tenho que acrescentar, que pelo acima exposto, quando diz

"" Podendo desagradar a muita gente - especialmente católica, naturalmente -, retirar os crucifixos das escolas está em conssonância com o Estado laico que é Portugal""

É TOTALMENTE FALSO

UMA PAREDE NUA , É SÍMBOLO DO ATEÍSMO, COMO QUALQUER NÃO INCAUTO, OU NÃO INGÉNUO, SABE

RETIRAR OS CRUCIFIXOS DAS ESCOLAS, É UM ATENTADO AO LAICISMO DO ESTADO.
E UM ATENTADO Á DEMOCRACIA EM PORTUGAL (NO SENTIDO QUE O POVO É QUE MANDA )

E É TORNAR O ESTADO OFICIALMENTE ATEU, ANTI-RELIGIOSO , E ANTI DEMOCRÁTICO





Sem Mais,
PQ

 

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