27 novembro 2005

Concisão e clareza

Ordenando o material académico dou de caras com a (relativamente...) velha sebenta de Semiótica - «A linguagem, a verdade e o poder - Ensaio de Semiótica geral», de Moisés Martins. O tratado marcou de tal forma a minha vida (e as minhas noites em época de exames) que não consigo deixar de colocar aqui uma das minhas passagens favoritas. Ponham os olhos nesta «pérola» da página 51 - a definição de Semiótica e da teoria standard:
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«A semiótica visa uma antropologia estrutural do imaginário (no seu sentido metapsicólogico) humano. Ora esse imaginário é assemântico ou não subjectivado. A matéria prima da Semiótica é uma substância que não é uma substância de conteúdo, mas um puro medium imaginário entre a regulação biológica e a idealidade, indizível, do absoluto. Se o conceito de estrutura é o conceito formal de base da semiótica, o do imaginário como carne é o seu conceito substancial de base (...) A teoria standard trata como semas, ou melhor, como classemas que asseguram as isotopias discursivas globais do esquema narrativo, os semas interoceptivos profundos, categorizantes e abstractos, articulados pelo quadrado semiótico, que não são unidades de conteúdo («valores» no sentido linguístico do termo). Petitot prefere falar de pregnâncias tímicas assemânticas, em vez e em lugar de semas interoceptivos profundos. Entre as instâncias da semântica e da sintaxe, há uma terceira instância: a proprioceptivodade das pregnâncias, e uma nova conversão, a do tímico assemântico em semântica interoceptiva.»