04 outubro 2005

Porque os Árabes não gostam da América

Em consequência de uma investigação por mim levada a cabo, dei de caras com uma publicação datada de 6 de Setembro de 2004, em que se relatava um documentário passado na “Discovery Times Channel”, da autoria do jornalista Thomas L. Friedman e, achando o seu resultado interessante, decidi partilhar o mesmo neste espaço.
A premissa do dito documentário era andar pelas Universidades Árabes e questionar os estudantes e professores das ditas Universidades acerca da razão pela qual 19 jovens árabes decidiram pôr termo às suas vidas, levando consigo mais de 3000 inocentes americanos, no dia 11 de Setembro de 2001. As respostas encontradas por Friedman são, no mínimo, curiosas.
Boa parte dos entrevistados afirmou que a razão pela qual os Árabes contestam os EUA é o apoio que o Tio Sam dá a Israel e a outros ditadores no Mundo Árabe. De acordo com um estudante, todo a gente ficou chocada com o 11/9, mas isso (dizem eles) são coisas que acontecem todos os dias no Mundo árabe.
Outro estudante referiu que a culpa é dos Estados Unidos, pois eles insistem em catalogar os árabes no Médio-Oriente de terroristas. De facto, esta ideia estereotipada por parte dos Ocidentais não é favorável à construção de boas relações entre os países mas, não foram 19 suecos que atacaram os EUA mas sim 19 muçulmanos.
O jornalista aproveita também para referir mais um ponto que me parece pertinente: Os Árabes culpam o mal-estar das suas sociedades nos EUA e na Grã- Bretanha. Ora, esta lógica não se apresenta como correcta, e é até contraditória, pois eles próprios no seu “Relatório de Desenvolvimento Humano Árabe” (elaborado por eles, árabes) afirmam que querem deixar os seus países devido à incapacidade política e à miséria social, mas também não deixam de dizer que os EUA são responsáveis pelos ditadores das nações árabes.
Uma outra razão pelo ódio contra os Estados Unidos provém de uma gritante lacuna nos sistemas noticiosos árabes. Entre outras coisas, nos dias subsequentes ao 11 de Setembro, correu por essas agências noticiosas árabes a notícia de que a CIA e o Mossad estiveram por detrás dos atentados; noticiaram também que 4000 judeus que trabalhavam no World Trade Center foram dispensados do trabalho nesse mesmo dia; e de que as eleições à presidência em 2000 foram sabotadas, porque Al Gore é judeu e logo não poderia mudar-se para a Casa Branca.
O documentário também refere a natureza dos terroristas. Friedman viajou até à Bélgica, um país em que as disputas entre nativos e muçulmanos têm crescido, partindo do pressuposto de que os nativos acusam os muçulmanos de não se integrarem, e os muçulmanos acusam os seus anfitriões de serem discriminatórios para com eles. Ora, estes muçulmanos desiludidos com a vida europeia são alvos fáceis para as mesquitas radicais que assentaram raiais na Europa. De acordo com Bernard Henri Levy em “Quem matou Daniel Pearl?”, os muçulmanos descontentes e frustados com a vida ocidental são alvos mais fáceis e susceptíveis de serem influenciados pelas mesquitas fanáticas. Levy dá o exemplo do terrorista Ahmed Omar Saeed Sheikh.
O próprio Friedman também dá um exemplo: Mohammed Atta, um árabe culto, que queria ser um fiscal para o planeamento e urbanização, foi “radicalizado” por uma mesquita em Hamburgo e foi, como todos sabemos, um dos “mártires” do 11 de Setembro.
Assim é possível perceber como os árabes vêem os EUA, e qual a sua relação com o país: Odeiam-no, culpam-no de todo o mal que lhes acontece mas esquecem-se, na minha opinião, de que mais do que culpar os outros, deverão ser eles a tomar a iniciativa e procurar a reviravolta social pelas suas próprias mãos, em vez de acatarem como certas e irrefutáveis as “verdades” lançadas pelos seus governos, corruptos e incompetentes que apenas procuram o seu bem e ignoram o da população.
É fácil atirar com as culpas para cima dos outros, ainda por cima quando os “outros” são o país mais rico e desenvolvido do Mundo, mas é mais difícil olhar para dentro e encontrar os verdadeiros podres. Se calhar não olham porque não lhes deixam, se não lhes deixam é porque não nos encontrarmos face a um regime muito aberto, se não é um regime aberto é um regime fechado que “fabrica” e “inventa” inimigos, aos quais acusa de impedir a evolução económico-político-social: os EUA. Portanto, este ódio para com os EUA não é nada mais do que uma tentativa do poder político e religioso local de desviar a atenção dos verdadeiros problemas, dando à população um inimigo para os distrair, usando os media como canal predilecto.
Portanto, esta animosidade face aos Estados Unidos está fundada em princípios erróneos. Na minha opinião, torna-se fácil para o mais abusivo dos países procurar criticar o mais aberto e liberal de todos, e é por isso que os EUA são criticados. Por ser o país mais rico do Mundo, é fácil fazer-lhe exigências e apontar-lhe defeitos.
Quando se critica os EUA por serem fechados, ou imperialistas, é porque não se está a ver o panorama completo. Em mais nenhum país do Mundo é possível estabelecer uma vida económica estável em tão pouco tempo; em mais nenhum país são os imigrantes (que são muitos) tratados com tanto respeito (os portugueses são disso um exemplo). É por isso um país acolhedor com sentido de certo e errado. Claro que não foge aos interesses “escondidos”, mas ainda assim consegue ser mais justo do que os outros, e por isso mesmo é o alvo preferencial das criticas.
Esta não é uma tentativa de vitimização dos Americanos, mas é a outra face da moeda normalmente empregue que cataloga os EUA como os barões do mal, e os muçulmanos como os coitados que apenas lutam para proteger a sua identidade cultural e racial, quando se calhar o que eles querem é alargar a sua esfera de influência, sem qualquer respeito pelo direito à diferença dos demais.
Aliás, no fundo o ódio aos EUA não pode ser tão grande porque todos os estudantes entrevistados por Friedman (todos!) disseram que adorariam estudar e depois trabalhar nos EUA. E esta?

Comentários

1 Comments:

At sábado, outubro 01, 2011 3:28:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

eles nao gostam nem deles mesmos

 

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