22 outubro 2005

Oposição

Ponto número: os Executivos e as suas acções não são todos iguais.
Há Governos cuja acção é ou foi considerada pela maioria do pessoal especializado - como os economistas - boa ou razoavelmente boa de uma forma geral. De forma análoga, há também Governos cuja acção foi ou é vista pelo pessoal especializado como «má» ou, pelo menos, bastante insuficente.
Uma coisa, contudo, atinge a todos - os bons e os maus - por igual: a contundência da crítica - nomeadamente a crítica feita pela Oposição.
Ouvimos as sessões do Parlamento, lemos os jornais e ouvimos os deputados dos partidos e de imediato temos uma certeza: as medidas do Governo são más, perigosas e quase insultuosas.
A crítica mantém-se mesmo quando algumas das medidas em causa se revelam, posteriormente, eficazes: os socialistas culpam o PSD pelo estado do país e os sociais-democratas fazem o mesmo em relação ao PS - e aqui surge a grande contradição.
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Esta questão radica na forma como os partidos portugueses fazem Oposição.
A lógica é «criticar tudo o que mexa»; estar contra tudo o que o Governo propuser, demonstrar os «enormes inconvenientes» das novas medidas, usar todo e qualquer argumento para deitar abaixo e defender exactamente o oposto daquilo que o partido no poder preconiza.
É uma óptima forma de ganhar votos - mas demonstra uma enorme falta de responsabilidade: procura-se amealhar mandatos às custas do país.
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As consequências deste comportamento são notórias: é extraordinariamente difícil a um Governo implementar medidas impopulares.
Qualquer tomada de posição está automaticamente sujeita a crítica - ainda que descabida - e a margem de manobra do Governo diminui.
Sob este prisma, implementar uma «boa» medida pode ser eleitoralmente mau: a Oposição imediatamente «cai em cima» do Ministro que a promoveu e cria uma situação de pressão que a oponião pública, muitas vezes «encarneirizada» pelos media, tende a exacerbar.
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Por razões como estas, tenho apreciado bastante a presidência de Marques Mendes.
Evita criticar quando é óbvio que as políticas em causa são bem ponderadas e não cai na lógica do «bota abaixo». Tenta ser ponderado nas tomadas de posição e sensato nos apontamentos.
Isto beneficia o Primeiro-Ministro, que pode escolher em consciência, sem medo da retaliação irresponsável duma Oposição que apenas critica como forma de ganhar votos, os portugueses, que são os que mais beneficiam de «boas políticas» e a própria Oposição, que se credibiliza. De facto, quem realmente tem a ganhar com uma «nova Oposição» - mais responsável e credibilizada, que critica apenas o que está mal e - é Portugal.
É pena que apenas um partido tenha consciência disto.
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P.S.- Não posso deixar de fazer referência a este excelente post da Quadratura do círculo.

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