09 outubro 2005

O porcelanas

O discurso de Valentim é um pouco menos imbecil que o de Fátima Felgueiras mas também não deixa ninguém indiferente. Está tudo lá: a delicadeza na forma como tira o microfone ao assessor, a linguagem polida, a subtileza semântica, as figuras de estilo cuidadosamente empregues, o timbre de voz controlado e sibilante. Junto de Valentim, a oratória de um Hulk Hogan soa a James Joyce. O público, por sua vez, faz lembrar os cãezinhos de Pavlov: Valentim grita, a multidão delirante exulta; Valentim abre os braços e a juventude grita; Valentim faz um gesto com a mão e o povo urra; Valentim berra e pugna contra os poderes instalados e contra a «mentira e a calúnia» e as gentes de Gondomar juntam-se em coro como animais açoitados. Primário.

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