25 outubro 2005

Nem tudo é Mau

Sabemos que hoje Portugal atravessa uma das suas maiores crises económicas de sempre. Crise essa agravada pelo aumento da dívida externa e pela situação caótica em que se encontram as contas do Estado e as finanças públicas.
Ora, na semana passada o ministro da Finanças, Teixeira dos Santos, apresentou um orçamento digno dos governos mais centristas e direitistas (porque não dize-lo: Centro-direita), que relembra os de Manuela Ferreira Leite, e nos deixa a supor que se calhar as medidas da ex- ministra das Finanças não fossem tão duras ou desnecessariamente severas. Pois, no dito orçamento o ministro prevê um aumento das exportações de 5,7 %.
Á primeira vista muitos duvidam que tal seja possível. A nossa economia é muita débil e necessita tanto das relações externas, quanto de ser protegida internamente. Contudo, há casos que, felizmente, fogem a essa situação de mesquinhez e incapacidade criativa e empresarial.
Falo, por exemplo, da “Casa dos Queijos”. “A Casa dos Queijos” é um consórcio de nove produtores da Serra da Estrela ao Alentejo e vai avançar fortemente para a exportação dos seus queijos, numa primeira fase, e numa outra, produtos como os enchidos, mel, azeite e compotas. Tudo isto só é possível graças ao trabalho empreendedor do seu sócio-gerente, João Carlos Pessoa, que conseguiu reunir uma série de contactos nacionais e internacionais que permitiram esta negociação. Foram negociações muito difíceis e morosas, e só há três semanas as autoridades brasileiras deram luz verde à exportação.
“O nosso queijo não chegará barato ao Brasil”, refere o empresário, sendo € 75, o preço base. Restaurantes de luxo brasileiros e outros especializados em comida portuguesa, de São Paulo e do Rio de Janeiro; as grandes cadeias de distribuição e demais importadores apressaram-se a fazer encomendas. Salienta o responsável que há uma “receptividade absurda aos queijos”.
O “slogan” utilizado pelo grupo para sensibilizar os brasileiros, é “Cabral estava nos devendo essa”. O próximo passo para o grupo serão os EUA.
Noutro campo, mas também digno de realce situa-se Rui Nabeiro e a Delta Cafés.
A Delta é hoje uma das principais marcas de café em Espanha e após as negociações com a Ibersol e a Café das Indias, viu reforçada a sua posição no mercado espanhol, pretendendo atingir uma quota de mercado igual a 15 %, de entre mais de 700 marcas, já que essas são duas redes de restauração que fornece, entre outras, a Pizza Hut, a Burger King, ou as bem espanholas “boutiques de café”.
Nabeiro também pretende atingir a França, onde tem ainda uma presença algo fraca. Contudo a empresa está determinada em tomar de rompante o mercado francês, e não esqueceu a Ásia: Rui Nabeiro quer levar o café português à China.
E, eu pergunto, Porque não?
É bom saber que ainda temos bons exemplos de empresários empreendedores e que gostam de tomar riscos. Sei que não são estes os únicos casos, mas sei também que não há muitos como eles.

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