09 outubro 2005

Imperialismo (?)

Paquistão atingido por sismo. Dois mil e trezentos mortos - estimativa simpática e, pior, provisória. Tragédia? Sim, claro. Catástrofe? Definitivamente. Uma catástrofe natural - e incontrolável, imprevisível e indomável, como todas as outras deste género.
Mas ao contrário do Katrina, este sismo não tem filiação partidária, não foi criado pelo homem e não foi castigo divino; não foi culpa de um presidente imbecil ou de uma administração negligente e belicista. Este sismo foi, afinal de contas, aquilo que realmente foi: um desastre natural.
Aguardam-se as reacções - se houver - dos evangelistas que ainda há menos de um mês ocupavam o tempo livre a endrominar muito boa gente - nem Quioto teve paz. Mesma resposta ou inversão da lógica e aceitação da triste condição humana que pouco pode fazer contra a força da natureza? Entre as duas, arrisco a segunda. Sim, a coerência é uma coisa bonita, mas só nos anos bissextos. Infelizmente, o Atlântico traça uma linha para lá da qual certos olhares se tornam um pouco desfocados e degeneram em estrabismo bilioso.
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P.S.- Entretanto, estudos recentes demonstram que há uma relação directa entre a capacidade de resposta à fúria da Natureza e o grau de democracia e liberdade de uma sociedade.

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