25 outubro 2005

Desresponsabilização

Espanta-se o Henrique Raposo (o meu favorito d'O Acidental, diga-se de passagem) com a inocente benevolência de um Estado que permite coisas como estas. Entendo a indignação - mas porquê o espanto? A inconsciência humana e respectiva inimputabilidade perante os seus actos está desde há muito - mas cada vez mais - enraizada na nossa sociedade - desde o homem que processa a companhia tabagista pelo cancro de pulmão até ao criminoso de navalha que viola e mata porque está desenraizado na sociedade, passando, claro, pelo condutor ébrio cuja culpa se encontra apagada pelo facto de ser impossível resistir a um óptimo vinho depois do jantar.
«Cómico ou ridículo»? Os dois, provavelmente, mas também evidência óbvia da influência - que se manteve ao longo dos anos - de uma certa escola de pensamento francês que tanto agradou a muitos intelectuais - dos quais Foucault foi apenas o rosto mais visível - que rejeitava o «ser» como motivo de acção. Não era o homem que fazia - era a sociedade (através das famigeradas «estruturas») que o fazia fazer; não havia vontade - havia o inconsciente Freudiano, a alienação Marxista e a sociedade de repressão. De igual forma não havia responsabilidade, pensamento racional ou intenção; não havia premeditação nem consciência activa; nem ética nem congeminação. E, claro, não havia culpa.

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