31 agosto 2005

E tudo a Katrina levou

Na passada segunda-feira de tarde (em Portugal) a tempestade Katrina assolou a cidade de New Orleans, no Estado do Louisiana nos EUA. Foi relativamente breve a passagem da tempestade pela bela cidade americana, mas os danos por ela causados serão intemporais.
Hoje, New Orleans é uma cidade submersa em que o pânico das epidemias alastra-se, onde as pessoas ficaram desalojadas, e algumas (para já 50) morreram por não se quererem separar das suas casas. Pensa-se que muitas mais poderiam ter morrido se, no passado domingo, o Presidente George W. Bush não tivesse aconselhado os habitantes a procurarem refúgio e, a abandonarem a cidade.
De certeza que o resultado teria sido bem pior caso o Presidente não tivesse falado à população. Bush não procurou alarmar excessivamente os habitantes, apenas os avisou da iminência da chegada “do Katrina” e da necessidade de se acautelarem.
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“O Katrina” chegou, destruiu, e foi para norte onde passou de tempestade forte a uma “simples” tempestade tropical de grau 2 (outrora fora de grau 5).
Agora, olha-se para a cidade e vêem-se telhados. A própria cidade de New Orleans é naturalmente permeável, já que 80 % da cidade encontra-se abaixo do nível da água, sendo agora a situação pior já que alguns diques já cederam e outros dão mostras de falhas.
As pessoas que não “fugiram” da cidade, procuraram refúgio num recinto de futebol americano. O Superdome cumpriu a sua missão, tendo protegido aqueles que se encontravam lá dentro, apesar de agora ser necessário sair de lá, pois o recinto já não apresenta as necessárias condições de segurança.
As pessoas começam a vaguear pela cidade, observando o caos em que a sua vida ficou. Assim de um momento para o outro, milhares de americanos perderam tudo aquilo que tinham: casa, carro, economias, trabalho e, nalguns casos, família.
Neste momento, New Orleans é uma “cidade fantasma”: não tem nem electricidade nem água potável, e corre o risco de ver a sua população afectada por epidemias devido ao facto de as suas ruas estarem cobertas por águas contaminadas.
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Perante tudo isto somos colocados perante uma pergunta pertinente: O que somos? Sim, o que é que nós realmente representamos neste Mundo? Seremos tão importantes, tão impermeáveis quanto isso? Num espaço de horas, uma tempestade tropical arrasou uma cidade e todos os seus habitantes (não nos esqueçamos dos efeitos do tsunami no Sudeste Asiático, e dos Incêndios em Portugal). Anos e anos de civilização, de progresso, de vidas foram dizimados por uma tempestade, um simples acto da natureza.
As tempestades (e restantes calamidades naturais, como os tremores de terra, tufões, os tsunamis, alguns incêndios e, até, a própria seca) são o resultado de agentes naturais, e são devastadoras: “ O Katrina” destruiu grande parte das plataformas de petróleo no Golfo do México, contribuindo decisivamente para o contínuo aumento do preço do crude em Wallstreet, ajudando à evidente crise económica Mundial.
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A grande questão que eu aqui quero focar é a seguinte: Sempre que somos confrontados com desastres naturais (como os acima enunciados) somos também confrontados com a nossa pequenez: O que representa o comum dos Homens perante a força bruta e perene da Natureza? Penso que de quando em vez devemos ser recordados de que a nossa vida só é possível, graças à existência da Natureza, e daquilo que ela nos dá: desde logo a alimentação e o ar que respiramos, sem esquecer o espaço para fazermos as nossas casas e os recursos naturais para explorarmos. Como constatação de tudo isto, proponho que cada um faça um exame de consciência e veja se está a tratar bem da Mãe Natureza, pois nós precisamos mais dela, do que ela de nós.
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Dizem que “Depois da tempestade vem a bonança”, e no caso dos habitantes de New Orleans espero bem que sim.

Comentários

3 Comments:

At quarta-feira, agosto 31, 2005 7:33:00 da tarde, Blogger Diana Andrade said...

Escreves tão bem... é uma pena nunca escreveres para mim... talvez agora que eu vou andar na mesma escola que tu, me ligues mais um bocado.

bjs, e vemo-no na festa da sara...

 
At sábado, setembro 03, 2005 12:22:00 da manhã, Blogger Alberto Miguel Teixeira said...

Pois é. Parece que a mulher-furacão Katrina dançou o Último Tango em Nova Orleães. Fica bem e abç*

 
At segunda-feira, setembro 05, 2005 10:36:00 da tarde, Blogger Phillipe Vieira said...

apenas gostaria de dizer que aquando da feitura deste meu post, as consequências humanas e sociais do furacão não eram conhecidas.
aproveito para realçar a tragédia que a passagem deste furacão significa para uma população inteira.

 

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