23 julho 2005

Um Ocidente masoquista

No passado dia 21 de Julho os extremistas islâmicos voltaram a atacar.
Foi o segundo ataque a Londres em menos de duas semanas, e o terceiro atentado da Al-Qaeda na Europa - o que não quer dizer que muitos mais não tenham sido impedidos.
Perante tantos - e tão graves - ataques, não faltou quem quisesse - por vezes desesperadamente - arranjar culpados onde eles não existem.
Lembro-me, apenas para citar os exemplos mais recentes, de António Vitorino - para quem as acções terroristas tinham a sua origem na pobreza em que o mundo árabe vivia e vive ainda.
Lembro-me também de Mário Soares, que culpava a ocupação do Iraque.
E lembro-me ainda de Boaventura Sousa Santos (BSS), para quem tudo se limitava à humilhação que os árabes sofriam às mãos dos ocidentais.
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Os argumentos deste tipo agradam muito aos progressistas.
Contudo, uma análise mais cuidada revela as bases frágeis e tíbias sobre as quais toda esta retórica está alicerçada. Mas vamos por partes.
Ponto primeiro: a pobreza não é, definitivamente, a causa do terroristo - pelo menos, deste terrorismo.
Questionemo-nos: serão os líderes destas organizações indivíduos pobres, maltrapilhos ou indigentes?
É óbvio que não - veja-se o caso de Bin Laden.
E os bombistas propriamente ditos? Serão eles recrutados das camadas mais baixas da sociedade?
Também não, fácil de ver - às mentes mais retinentes recomendo que se informem acerca das profissões exercidas pelos culpados dos ataques a Londres da semana passada.
E, para dar por findo este ponto, uma última pergunta: será que há alguma relação entre a pobreza e o crime terrorista?
De novo, a resposta é não. Até porque, se isso fosse verdade, seria África - e não o Médio-Oriente - a grande "Meca" do terrorismo. Identificar a pobreza com terrorismo é, portanto, um erro crasso.
Mas e que dizer da tese de Mário Soares?
Quanto a isto, creio que basta afirmar que os atentados às torres gémeas - os mais graves de todos - se deram muito antes da invasão do Iraque pelas forças da coligação. Aliás, as invasões do Iraque e do Afeganistão foram precisamente uma consequência dos ataques do 11 de Setembro.
Resta, portanto, a tese peregrina da "humilhação", focada por BSS.
Penso que este é um ponto fulcral de toda a questão: o que é a "humilhação" para BSS?
Na Europa, os muçulmanos podem seguir a sua religião e ver os seus pensamentos respeitados.
Na Europa, os muçulmanos têm direito a condições de que não dispõem nos seus países de origem (segurança social, liberdade, etc.).
Na Europa, as mulheres muçulmanas não são espancadas por mostrar a face nem apedrejadas por terem sido violadas.
De que se queixa, então, BSS?
A única resposta plausível é que os muçulmanos, infelizmente para BSS, não têm nada de que se lamentar.
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Ao contrário do que pretendem alguns iluminados da Esquerda , este terrorismo não é uma forma de luta contra imperialismos ou tiranias - a única forma que povos minoritários teriam para se poderem expressar.
Cegos pela ideologia, estes radicais esquerdistas tendem a ver tudo como diferenças culturais. Diferenças que não podem ser combatidas com armas mas com ideias. No fundo, a solução é o diálogo.
Esquecem-se, contudo, que o diálogo só é possível quando há nele duas partes interessadas - uma que quer falar e outra que quer ouvir.
Ora, neste caso a "outra" parte não quer ouvir.
E não quer ouvir porque o que está aqui em causa não é uma luta por um objectivo político - como a concessão de terras, a igualdade entre etnias, etc. - mas sim um objectivo religioso: a única coisa em que os extremistas islâmicos estão efectivamente interessados é na destruição de um modo de vida - representado pelo mundo ocidental - que vai contra os seus princípios.
Não ver isto é não compreender nada (como diria Mário Soares).
É fechar os olhos ao niilismo em que começamos a cair quando admitimos que em mesquitas francesas e inglesas se incite os fiéis a praticar a jihad - sob o pretexto do respeito pelas culturas diferentes.
Ou quando achamos normal que alguns líderes árabes - residentes em solo europeu - apareçam na televisão a dizer que os atentados foram uma coisa positiva.
A respeito disto, falaram bem dois jornalistas do jornal árabe Al-Sharq Al-awsat, ao denunciarem os donativos que algumas capitais do Médio-Oriente fazem para "caridade" - que neste, caso, é mais conhecida por "guerra santa"; um dos jornalistas fez também uma afirmação que julgo paradigmática: «Enquanto ouvirmos vozes de muçulmanos condenar os atentados com "mas" e "se", os bombistas suicidas e os assassinos terão razões para pensar que têm o apoio dos muçulmanos.»
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Apenas estranho uma coisa: porque é que os suspeitos do costume, que se mostram sempre tão lestos a procurar as causas do terrorismo, não se mostram igualmente solícitos a procurar "relativizar" outras questões?
Por que é que o terrorista islâmico vê os seus actos minimizados pelo facto de provir de uma cultura diferente mas o capitalista americano não tem direito à mesma indulgência?
Por que é que o extremismo tem de ser compreendido mas o fascismo não?
Por que é que se diz que a invasão do Iraque foi um erro completo e não se diz que em consequência disso quase 80% dos dirigentes da Al-Qaeda estão mortos ou foram capturados?
Não tenho respostas para isto. Será compreensão mútua entre ideologias? Sinceramente, não sei.
Mas sei uma coisa: esta via - a da desresponsabilização do terrorista e consequente imputação de culpas ao Ocidente - não é a via a seguir.
Não nos devemos sentir culpados por vivermos em liberdade.
Ou por podermos dizer o que pensamos.
Ou por não obrigarmos as mulheres a taparem o rosto.
Ou por vivermos num mundo pacífico onde cada um pode escolher a sua religião.
Mas claro, cada um sabe de si. Até porque o masoquismo não paga imposto.

Comentários

15 Comments:

At segunda-feira, julho 25, 2005 12:40:00 da manhã, Blogger Flecha Negra said...

Pedro

Depois de ler o teu post,permite-me tecer algumas considerações que julgo poderem ajudar-nos a compreender melhor o problema.
O combate ao terrorismo passa pela compreensão das causas e por atacar os problemas, desde as raízes que geram os ódios, como o conflito israelo-palestiano, até às razões de ordem social profunda, como as desigualdades e a desocupação de milhões de jovens do Médio Oriente, do Norte de África e da Ásia.
A luta contra o terrorismo sempre devia ter passado pela união e não pela fractura da Europa e da América, desejada pelos signatários da "Carta dos Nove" e pela "Cimeira dos Açores"; esse combate passa revalorização do papel da ONU e pelo refazer da NATO.
A guerra do Iraque foi um desastre porque só gerou mais ódio!
Porque não actuou os EUA contra o Iraque nos anos 80, em vez de os ter manipulado contra o Irão?
Que se saiba, nesta altura o Iraque já vivia subjugado a uma ditadura. Ou será que era mais importante os interesses dos EUA em termos económicos, de modo a controlar a região?
Porque não actuou os EUA contra Israel ao longo destes anos, e já são muitos infelizmente, pondo cobro a uma ocupação da Palestina que tem provocado mortes incontáveis? A resposta é evidente:não actuou porque os seus interesses económicos falaram mais alto que as vítimas que morrem diariamente na Palestina!
Porque não actuou os EUA contra a Indonésia, quando Timor lutava pela sua justa independência? Uma das razões para uma possivel resposta seria a seguinte: deixariam de ter um dos principais clientes em termos de compra de armamento.
Em França, legislou-se de modo a obrigar os muculmanos a retirar o véu nos estabecimentos de ensino, o que vem desrespeitar as liberdades individuias e culturais de uma comunidade.
Será isto uma sociedade que quer dar exemplos de pacificação, ou não estará a fomentar mais ódios com atitudes irresponsáveis como esta?
Tudo isto que apontei, são ligeiras considerações, que nos podem ajudar a compreender o porquê de vivermos a actual onda de instabilidade.
Poderia dar mais alguns exemplos fundamentados, e não ideias dispersas e superficiais,que foram aquelas que exteriorizas-te, mas que obviamente respeito:
Um abraço.
Flecha Negra

 
At segunda-feira, julho 25, 2005 1:07:00 da manhã, Blogger pedroromano said...

Flecha negra:

Claro que os interesses económicos dos Estados Unidos foram importantes no delinear da sua política externa. Mas querias o quê? Caridade? Atacar o Iraque por ser uma ditadura que dá abrigo a terroristas é muito diferente de atacar o Iraque simplesmente por este ser uma ditadura. Mas nesta questão não há muito por onde fugir: todas a política externa - seja de que país for - é sempre orientada no sentido de melhorar a actual condição - seja social, económica, financeira, securitária - do país que a promove.

A guerra do Iraque foi um desastre porque só gerou mais ódio? Minha menina, todas as guerras geram ódio, querias o quê? Flores e água benta? Julgo que a percentagem indicada no meu post é mais que suficiente para rebater esse argumento.

Em França, ao contrário do que dizes, não se legislou de modo a obrigar os muculmanos a retirar o véu nos estabecimentos de ensino. O que se fez foi proibir a ostentação de símbolos de cariz religioso - seja muçulmano, SEJA CRISTÃO, SEJA JUDEU, o que é muito diferente. De qualquer forma, a lei foi entretanto revogada.

"razões de ordem social profunda, como as desigualdades e a desocupação de milhões de jovens do Médio Oriente, do Norte de África e da Ásia." Pensei que tinha demonstrado no meu post que é estulto tentar relacionar o terrorismo com as diferenças sociais de um povo ou nação - ao que parece, falhei. De qualquer forma, parece-me estranho referires a desocupação de milhoes de jovens do medio oriente como causa do terrorismo... isto porque, segundo essa lógica, a Alemanha, por exemplo, estaria, neste momento com cerca de 5milhoes de terroristas dentro de casa... isto levando em conta o numero de desempregados... Mas já agora, deixa me referir um caso: o estado social holandês. Lá, os imigrantes muçulmanos têm direito a chorudas pensões por cada filho que têm; como cada um tem cerca de 7 ou 8 filhos, acabam por não precisar de trabalhar, que é o que muitas vezes acontece. Ora, segundo a tua argumentaçao, neste caso o islâmico - devido à falta de emprego - torna-se imediatamente um possível terrorista. Como contornar? Tirar-lhes os benefícios relativos a pensões e subsídios - e com isso descriminá-los - ou deixar tudo como está - e deixa-los transformarem-se em terroristas? As coisas não são tão simples como à primeira vista parecem.

 
At segunda-feira, julho 25, 2005 2:25:00 da manhã, Blogger Flecha Negra said...

Pedro Romano
Mias uma vez nota-se uma certa inconstância nos teus argumentos.
Com que então, desde que que os EUA estejam a lutar pelos seus interesses económicos, isso por si só é justificativo para as inúmeras injustiças que são cometidas em diversas partes do planeta?
Não se trata de uma questão de caridade, mas sim de algo muito mais grave e elementar: Justiça!´
Não esquecer que o Iraque foi atacado à revelia da ONU e da União Europeia, e que os motivos apresentados para tal operação ainda hoje estão por encontrar.
Toda a comunidade internacional criticou a forma como os EUA lideraram o processo, evidenciando uma enorme necessidade de exibir um troféu de caça para consumo interno, tendo como objectivo acalmar a opinião pública da sociedade americana.
Não, minha menina, a guerra do Iraque não foi só um desastre porque gerou mais ódio.
Foi porque o processo para democratizar o país poderia seguir outras vias,( a não ser que a tua mente ache que só o recurso à guerra pode ser gerador de processos democráticos)através da diplomacia.
Mais importante que as tuas percentagens, são os 100 mil mortos estimados desde que o confito se iniciou, segundo dados noticiados na BBC.
Flores e água benta, são expressões reveladoras de uma insensilidade constrangedora!
Em relação a França, vi diversos documentários na BBC sobre o tema, portanto não referiste nada de novo.
"Razões de ordem social profunda, como as desigualdades e a desocupação de milhões de jovens do Médio Oriente, do Norte de África e da Ásia".
A comparação com os 5 milhões de desempregados da Alemanha torna-se ridícula e ingénua porque retirada do seu contexto.
A exploração dos povos,condicionar o seu desenvolvimento com políticas restritivas, não haver equidade entre interesses económicos e problemas sociais gravíssimos,tudo isso contribui para uma expansão negativa de desigualdades e eventuais movimentos de revolta!
Sinto que a tua argumentação é típica de quem nunca saíu do seu casúlo, e observa problemas sérios que preocupam o mundo de hoje, com
uma infantilidade que fica próximo da demência!
Flecha Negra

 
At segunda-feira, julho 25, 2005 1:00:00 da tarde, Blogger pedroromano said...

"Com que então, desde que que os EUA estejam a lutar pelos seus interesses económicos, isso por si só é justificativo para as inúmeras injustiças que são cometidas em diversas partes do planeta?"

Não, não é. O que não é razoável é pedir um intervencionismo dos EUA em toda e qualquer situação do mundo em que se verifiquem injustiças. Na questão de Timor, por exemplo, que tinham eles a ver com isso? Obrigação moral?

"Não esquecer que o Iraque foi atacado à revelia da ONU e da União Europeia, e que os motivos apresentados para tal operação ainda hoje estão por encontrar."

Quem não vê hoje na ONU um baluarte de boa vontade? O problema é outro: pura e simplesmente não actuam; a comunidade internacional posicionou-se contra o ataque ao Iraque; verdadeiro, mas parcialmente. Sabes, por exemplo, onde tinham a França e a Rússia - duas das nações que mais criticaram os EUA pela invasão - os seus grandes interesses petrolíferos? No Iraque, exactamente.

"Foi porque o processo para democratizar o país poderia seguir outras vias,( a não ser que a tua mente ache que só o recurso à guerra pode ser gerador de processos democráticos)através da diplomacia."

Não sei a que propósito vem aqui a democratização do Iraque, mas já que falas nele, tenho a dizer que, infelizmente, o processo de democratização do Iraque simplesmente não aconteceria por si mesmo, não só pelos líderes em si mas também porque é um país sem tradição democrática. Que outras vias sugeres? Diz-me uma, apenas uma. O problema é que não há.

"Mais importante que as tuas percentagens, são os 100 mil mortos estimados desde que o confito se iniciou, segundo dados noticiados na BBC."

Logo aqui cais num erro básico, porque tentas criticar a guerra no Iraque a partir do número de mortos que causou. Ora, se a guerra do Iraque é, para ti, uma guerra errada porque foi iniciada sem um móbil apropriado, então não precisas dos mortos para justificar nada.
Na II Guerra morreram 50milhoes de pessoas. Presumo que aches que melhor teria sido deixar o camarada Adolf avançar pela Europa fora e conquistar tudo que lhe aparecia à frente, certo?
Já agora, deixa-me que te diga que durante o regime do Saddam morreram muito mais de 100 mil pessoas.

"Em relação a França, vi diversos documentários na BBC sobre o tema, portanto não referiste nada de novo."
Se já estavas ao corrente daquilo que te falei, só posso concluir que no teu anterior comment mentiste deliberadamente ao fazeres apenas menção aos casos islâmicos e não católicos.

"A exploração dos povos,condicionar o seu desenvolvimento com políticas restritivas, não haver equidade entre interesses económicos e problemas sociais gravíssimos,tudo isso contribui para uma expansão negativa de desigualdades e eventuais movimentos de revolta!"

Chegámos a um ponto importante:
1)Dá-me um exemplo de exploração económica.
2)Dá-me um exemplo de uma expansãoa negativa das desigualdades da qual o ocidente seja culpado
3)Dá-me um exemplo de políticas restritivas que condicionem os povos árabes.

Tudo isto porque,de novo, PENSEI que tinha mostrado no post que não é a pobreza que causa o terrorismo, seja porque os terroristas islâmicos NÃO SÃO pessoas de dificuldades económicas (bin laden?), seja porque não é nos países mais pobres que mais terrorismo existe. Já agora: porque carga de água os árabes se deveriam revoltar contra os europeus e americanos quando eles são oprimidos exactamente pelas mãos dos seus próprios líderes??

 
At terça-feira, julho 26, 2005 1:34:00 da manhã, Blogger Flecha Negra said...

Pedro
Mais algumas considerações:

"Não, não é. O que não é razoável é pedir um intervencionismo dos EUA em toda e qualquer situação do mundo em que se verifiquem injustiças. Na questão de Timor, por exemplo, que tinham eles a ver com isso? Obrigação moral?"

Na maior parte dos casos, as intervenções dos EUA não são motivadas por razões de solidariedade, mas sim de interesses políticos, económicos.
Basta ler um pouco sobre história mundial do século XX, para se chegar a esta conclusão óbvia.
Por aquilo que vejo, história não deve ser o teu forte!
Em relação a Timor, no mínimo deveriam ter as mesmas obrigações morais das nações que se preocuparam em tornar Timor um país livre e soberano!

"Quem não vê hoje na ONU um baluarte de boa vontade? O problema é outro: pura e simplesmente não actuam;"

A ONU tem sido a responsável pela resolução de vários conflitos a nivel mundial, pela resolução de problemas que tem a ver com a degradação de condicções socio-económicas em vários países do globo.
Certo é, que muitas vezes as suas acções são insuficientes face ao alastrar de múltiplas situações em que se torna necessário actuar.
O que a UNU não pode nem deve ser, é uma simples marionete dos EUA.


"o processo de democratização do Iraque simplesmente não aconteceria por si mesmo, não só pelos líderes em si mas também porque é um país sem tradição democrática."

O processo de democratização aconteceria pelo via diplomática:
Poderia eventualmente, haver avanços e recuos na sua execução, como é obvio, mas seria uma forma mais responsável de ultrapassar o regime de ditadorial no Iraque.
Essa é que é boa, então todos os regimes que não têm tradição democrática nunca poderão a vir a ser democráticos? Nunca poderão evoluir na sua sociedade, em termos de mentalidade, em termos políticos, em termos sócio-económicos e culturais? Estarão condenados a ficarem estáticos no tempo?
Claro que não, meu amigo, cada sociedade tem o seu ritmo próprio de evoluir! O que a comunidade internacional deve fazer, é criar condicções propícias para ajudar estes países a evoluirem lentamente
mas de forma segura.


"Ora, se a guerra do Iraque é, para ti, uma guerra errada porque foi iniciada sem um móbil apropriado, então não precisas dos mortos para justificar nada."

A guerra do Iraque, foi um erro pelos motivos que citei anteriormente. Em relação aos mortos, embora tenha havido muitas chacinas na ditadura do Saddam, todas elas condenáveis, não justifica que semelhantes erros sejam justificação para a morte de mais de 100 mil pessoas.

Questões como a pobreza, a exploração económica, diferenças culturais, fanatismo religioso, tudo isso podem ser factores que contribuem para o clima de terrorismo em que vivemos.
É um problema nuito complexo!
Um abraço,
Flecha Negra

 
At terça-feira, julho 26, 2005 2:08:00 da manhã, Blogger pedroromano said...

Flecha (isto começa a ameaçar tornar-se um chat, mas pronto - ainda por cima a duas vozes):

"Na maior parte dos casos, as intervenções dos EUA não são motivadas por razões de solidariedade, mas sim de interesses políticos, económicos."
Naturalmente. Foi exactamente isso que eu disse anteriormente. Tal como a política de qualquer outro país se baseia em interesses políticos e económicos. Achas que a Austrália se meteu em Timor por causa de quê?... E se Portugal fez alguma coisa por isso foi devido às responsabilidades que tinha na situação em que Timor se encontrava, fruto duma descolonialização feita à pressa e pouco inteligente.

Quanto ao resto, limitaste-te a disparar umas evasivas. Vejamos:

1) Questão da democracia: "O processo de democratização aconteceria pelo via diplomática"
Isso é bonito dizer, claro. Mas estás à espera que eles aceitem tornar-se uma democracia de um momento para o outro?
"cada sociedade tem o seu ritmo próprio de evoluir!" - E no caso dessa "sociedade" albergar no seu seio comunidades terroristas, fomentar o ódio e promover o radicalismo, é susposto "esperarmos" uns séculos pela vinda do Messias que lhes irá abrir os olhos e mostrar a via democrática?


2)"Em relação aos mortos, embora tenha havido muitas chacinas na ditadura do Saddam, todas elas condenáveis, não justifica que semelhantes erros sejam justificação para a morte de mais de 100 mil pessoas." Uma guerra faz-se sempre por um qualquer motivo. No final, a nação vencedora faz um balanço - onde pesa os aspectos positivos e os negativos. O número de mortos é, por isso, sempre relativo. Na II Guerra, por exemplo, morreram 50milhoes de pessoas. Foi o preço a pagar por parar o camarada Adolf antes que invadisse a Inglaterra e afins, instalando na Europa (e depois no mundo?) o seu regime totalitário. A questão dos 100mil mortos - número, aliás muito exagerado, dado que apenas 25% desse valor se reporta a baixas civis (estou a ver que os números não são o teu forte) - é portanto relativa. Talvez um dia saibamos os atentados que foram evitados com estas medidas - e aí poderemos pesar as duas coisas.

3) "Questões como a pobreza, a exploração económica, diferenças culturais, fanatismo religioso, tudo isso podem ser factores que contribuem para o clima de terrorismo em que vivemos." Mais evasivas. Fugiste à pergunta que tte propus anteriormente: nomear um - e apenas um - caso de exploração económica, segregação racial ou humilhação dos quais o Ocidente possa ser culpado.

Cumprimentos

 
At quarta-feira, julho 27, 2005 1:18:00 da manhã, Blogger Flecha Negra said...

Pedro
Nas tuas explanações,tenho vindo a notar que estás a tornar-te um pouco repetitivo nos teus argumentos, evidenciando uma fuga para a frente, passando por cima de interrogações que te são colocadas, e simultaneamente levantando questões menores, que só servem como fogo de vista, para tentar camuflar a tua real ignorância em assuntos que necessitariam da tua parte, maior conhecimento e profundidade, capacidades que para já ainda não possuis.
Não te conheço, mas a demagogia e a inconstância, aliada a uma certa irreverência e porque não um ego inchado, são características de alguém que procura afirmar-se, e que talvez ande à procura de si próprio.
Enfim, a juventude é sinónimo de irreverência mas também de imaturidade!
Mas não te preocupes, Pedro, com o passar dos anos hás-de chegar a ser um homenzinho!
Sabes, eu não sou nem contra nem a favor dos EUA como país, mas sim contra políticas que levam ao mundo actual em que vivemos!
A mesma posição tenho em relação aos paises islâmicos!
O mundo precisa de paz, tolerância!
É nesta "guerra que todos nos devemos empenhar,independentemente
das convicções políticas e religiosas que tenhamos!
Não é com visões extremadas, nem com ideias pré-concebidas, ou com posts que mais não são do que pretexto para evidenciar um certo protagonismo vaidoso e quicá doentio!
O "forum" termina por aqui, porque verifico em ti uma certa imaturidade para desenvolveres este tema.
Assuntos sérios, não devem ser tratados pela rama, mas sim com seriedade e profundidade!
Um abraço
Flecha Negra

 
At quarta-feira, julho 27, 2005 1:47:00 da manhã, Blogger pedroromano said...

Se insisti nos argumentos foi simplesmente porque a eles não deste a resposta devida. Quanto ao assunto do Post em si, estamos conversados.

Quanto ao "resto":

Não pensei que o meu Post e posteriores comentários pudessem dar azo a uma crítica tão feroz e pessoal da tua parte - que chegou até ao ponto de fazer referência em tom jocoso à minha idade; infelizmente para mim, os anos de vida (ainda) não se compram no hipermercado - apesar de nem sempre eles corresponderem a uma maior sabedoria.

Já o parágrafo do "homenzinho" foi de baixo nível e totalmente despropositado. Talvez os "meus" problemas de ego inchado não sejam tão complicados como os teus de ego ferido. Mas fico feliz por saber que além de versada em ciência política e história, também não deixas os teus créditos por mãos alheias naquilo que à psicologia diz respeito.

Quanto ao "posts que mais não são do que pretexto para evidenciar um certo protagonismo vaidoso e quicá doentio!", quer-me parecer que a quantidade de comentários que lhe dedicaste não se coaduna com a importância que lhe atribuis.

Mas numa coisa concordo contigo: O fórum realmente termina aqui.

Cumprimentos

 
At quarta-feira, julho 27, 2005 7:32:00 da tarde, Blogger Filipe Alves said...

Este texto está muito bom, meu caro. É muito raro encontrar alguém tão lúcido na tua geração. Um dia destes, quando for a Braga, pago-te um copo:) P.S.: gostei particularmente de quando te interrogas sobre se o fascismo também deveria ser "compreendido". Excelente analogia!

 
At quinta-feira, julho 28, 2005 6:33:00 da tarde, Blogger ana paula said...

Pedro, obrigada por não me desiludires. Apesar de nos chocarmos a nível ideológico, fico muito contente por ver alguém da minha idade tão consciente da situação do mundo que nos rodeia. Parabéns. Boas observações.

 
At sexta-feira, julho 29, 2005 12:23:00 da tarde, Anonymous Tricky said...

Já abriu o novo estabelecimento comercial, situado na circunvalação da blogosfera: "A loja do Mestre André". Este está aberto todos os dias, excepto domingos e feriados (nesses dias tenho que ir visitar a sogra e por isso não me encontro presente), 24h por dia. Até ao mês de Setembro, temos descontos nos combustíveis em compras superiores a 10euros. Podem também aderir ao "Cartão do Mestre" que vos dá direito a descontos exclusivos.

Passem por: http://cronicastricksianas.blogspot.com

O vosso comentário é importante para manter os preços baixos.

Hasta!
Mestre André, aka Tricky

 
At quinta-feira, agosto 04, 2005 11:26:00 da tarde, Blogger Phillipe Vieira said...

Bom romano, de facto apresentaste um ponto de vista que eu (na qualidade de cidadão americano)tenho proferido diversas vezes em debates com amigos da "tal" esquerda, que pensam que os muçulmanos atacam apenas porque se procuram defender do "imperialismo americano"... bullshit!

Eles atacam porque querem implantar o seu próprio estilo de vida ao Ocidente, e nós temos todo o direito de defender aquilo que é nosso, e os nosos valores.

Nós prezamos a liberdade, e por isso é que os muçulmanos que residem na Europa (por alguma razão deixaram o Médio Oriente) têm toda a liberdade para praticarem os seus cultos e costumes, e nós não nos metemos nisso.

Agora, quando uma cidade tão cosmopolita como Londres é atacada por elementos que residiam na mesma cidade ou lá próximo, e que durante anos e anos usufruiram das liberdades e das vantagens de viver em Inglaterra, dá que pensar... e quase dá vontade de os "expulsar", mas depois devemos pensar e chegar à conclusão de que não somos bárbaros, e que extraditá-los apenas significaria que éramos iguais a eles.

Devemos de dar valor àquilo que nos é mais querido, e àquilo que nos demarca "dos outros"....

Apenas gostaria de acrescentar aí ao flecha que ele quando critica os EUA não se pode esquecer da História. A história, meu cara, não mente. Após as 2 grandes guerras, os EUA financiaram as recuperações europeias e japonesas; ajudaram a retirar Milosevic do poder; contribuíram para o desmembramento da URSS; e destituíram regimes teroristas no Afeganistão e no Iraque. Vives muito melhor devido a esta acção de policiamento por eles levado a cabo, e esqueces-te de mencionar os milhares de soldados americanos que infelizmente já faleceram, para que todos nós vivamos melhor e com mais segurança.
Em vez de demonstrares alguam ignorância, era preferível que te limitasses a agradecer o facto de alguém se importar com o terrorismo...

God Bless America

 
At sexta-feira, agosto 26, 2005 5:39:00 da tarde, Blogger Elise said...

Em pleno séc XXI estamos perante uma Jihad iniciada por uma minoria fanática que leva à letra um livro escrito há 1500 anos. A jihad não se iniciou por causa do Iraque, não por causa do Afeganistão, não por causa de Timor mas porque o ocidente não é maioritariamente muçulmano.

PS1 -E não se esqueçam da clivagem entre sunitas e xiitas para explicar os atentados no Iraque.

PS2 - O Islão atravessa um período semelhante ao da Igreja Católica na Idade Média.

 
At terça-feira, agosto 30, 2005 10:04:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Talvez isto ajude a compreender a coisa melhor:

Nem as pensam...
Lê-se no "lead" de uma reportagem de Alexandra Lucas Coelho, sobre a situação na Palestina, hoje no Público (link disponível só para assinantes):
«Cisjordânia cortada ao meio. Palestinianos de Jerusalém num gueto. É o que resultará da expansão do colonato Ma"ale Adumim, uma bolha maior que Telavive. É para ligar a Jerusalém, é para sempre, confirma Sharon.»
Poucos dias depois da retirada de Gaza, ficam claros os verdadeiros propósitos de Israel: intensificar a colonização da Cisjordânia. E depois desta "declaração de guerra", ainda querem que os palestinianos abandonem a resistência contra a ocupação e aceitem aplicadamente a anexação das suas terras? E que se resignem a ver sobrar para eles o semideserto de Gaza e uns "bantustões" na Cisjordânia?
Ensandeceram!

Aditamento
«Enquanto 8 500 Israelitas deixaram Gaza, foram 12 000 os que se instalaram na Cisjordânia em menos de um ano» (Le Monde de hoje).


Inserido por VM 29.8.05

A Flecha Negra apresenta algumas questões que devem ser mais tidas em conta e aprofundadas. A questão palestiniana é central neste debate!... Os EUA têm sido mto parciais (é onde estão concentrados os judeus + poderosos) na condução do problema e estão a pôr em perigo a paz mundial.

 
At quarta-feira, agosto 31, 2005 3:25:00 da manhã, Blogger pedroromano said...

Caro "anónimo", devias pensar um pouco mais antes de falar, assim evitavas algumas imbecilidades e fazias menos figuras tristes.

O argumento da parcialidade dos EUA no conflito israel/palestina não é particularmente feliz, porque deixa por explicar os atentados de Madrid e Londres. De qualquer forma, não percebo como pode a parcialidade de um país relativamente a uma questão servir para explicar o assassinato de milhares de civis.

Citar o Vital Moreira, que defendeu há dias atrás a insensibilidade do feto à dor como argumento a favor da despenalização da IVG também não é muito sensato.

Como não estou com pachorra para voltar aqui comentar, deixo-te umas pequenas citações, tiradas de uma entrevista a Omar Bakri Mohammed, Líder do "Londonistão" e Teórico da Al-Qaeda na Europa:

P: Os atentados de 11 de Setembro foram legítimos?
R: Claro que sim. A América atacou o Afeganistão, a Somália, o Sudão, o Iraque, apoia regimes ditatoriais nos países árabes, estacionou tropas em território muçulmano.

P: Mas o que pode justificar matar deliberadamente milhares de civis inocentes?
R: Nós não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e descrentes. E a vida de um descrente não tem qualquer valor. Não tem santidade.

P: Os EUA podem negociar com a Al-Qaeda?
R: A Al-Qaeda é por natureza uma entidade invisível, não é um Estado, por isso não pode dialogar com um Estado. O seu projecto é derrubar os governos corruptos dos países muçulmanos, substitui-los por governos islâmicos e reconstituir o califado. Nessa altura, como Estado, poderão negociar com os EUA, de igual para igual. Primeiro, tentarão um pacto de segurança com eles. Dirão: nós fornecemos o petróleo e viveremos em paz, mas na condição de podermos divulgar livremente o Islão no Ocidente. Se os americanos não permitirem isto, então o califado terá de lhes declarar guerra.


Sabes que mais. É isso mesmo, o problema é a Palestina...

 

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