30 junho 2005

Que desconsolo

No outro dia estava a falar com um primo meu que vive nos EUA, e estávamos a conversar acerca da actual situação de Portugal. Falei-lhe da crise económica, da crise política, da crise governativa, da crise social, da crise educativa, da crise de segurança, enfim de todo o triste panorama nacional.
E a reacção dele foi de espanto. Como é que num pequeno País como Portugal era possível manter os anteriores privilégios da função pública? Como era possível a esses funcionários ganhar tanto e produzir tão pouco? Como é que é possível que um pequeno país como o nosso que vive das suas poucas exportações, possa importar mais do que exporta? Como é que este país pode sobreviver se não procurar adoptar recursos de energia alternativos, sabendo que o petróleo irá ficar cada vez mais caro? Como é possível os professores fazerem greve em plena época de exames? Como é possível que 500 indivíduos entrem pela praia de Carcavelos adentro, assaltem os banhistas e não sejam presos? Como é possível que um país que deveria procurar fazer do Turismo uma força, envie todos os estrangeiros para o Algarve? Não haverá mais nada para ver? Como é que é possível os polícias ameaçarem uma “greve às multas”? Vão deixar de existir contra ordenações?
E ele tem razão. Nunca conseguiremos sair desta crise se não nos mexermos nesse sentido. Nós estamos habituados a que o Estado resolva as coisas por nós, que nos dê subsídios e nos sustente. Pois o tempo das vacas gordas acabou. Goste-se ou não do governo (não sou um grande defensor do mesmo), goste-se ou não das medidas (não percebo a subida do IVA. Ok, percebo mas não aceito) o facto é que alguma coisa tem de ser feita.
O País atravessa uma grave crise, mas parece haver sectores da sociedade que a ignoram, que não lha dão o devido valor. Continuam a criticar o governo mas de forma completamente destrutiva. Tenho o máximo de respeito pelos trabalhadores da função pública, mas sinceramente eles estão a protestar o quê? Era justo que um trabalhador do sector privado só se pudesse reformar aos 62, e na função pública essa idade podia descer até aos 52? Eram justas todas as regalias dos trabalhadores da função pública? Eles por acaso estão no desemprego, como os milhares de trabalhadores da Indústria Têxtil aqui no Minho? Não recebem eles os seus ordenados (fruto dos impostos) a tempo e horas? Poderão argumentar acerca dos fracos aumentos. É um facto, mas o salário é certo, está lá todos os meses. Aos restantes trabalhadores isso não acontece.
Depois há a figura do líder sindical, que faz tudo menos zelar pelo interesse dos trabalhadores. Com manifestações como a que vimos nos últimos dias ninguém ganhou: o governo, porque ficou com as orelhas quentes; os trabalhadores que não trabalharam e por isso não irão receber esse dia; e o país que ficou mais um dia parado!! Será que as pessoas não percebem que há alturas em que se deve colocar o interesse nacional acima do resto?
Não nos esqueçamos dos professores, que tiveram a brilhante ideia de fazer uma greve (A pedir o quê? Mais benefícios? Mais tempo de férias?) em plena época de exames. Não terão eles percebido que quem saiu prejudicado foram os alunos. O primeiro ministro não se deve ter importado muito com o assunto, os filhos dele não andam no Secundário. Demonstra uma falta de bom senso atroz.
Resta a única classe com razões para protestar: os polícias. Reconheço que têm de facto fracos meios de trabalho e já mereciam maiores recompensas e modernização do equipamento, para não falar num bom aumento salarial e no seguro para as famílias. Porém quando recorrem ao insulto perdem toda a razão, e desejar a morte ao ministro não lhes fica nada bem.
Sou obrigado a concluir que neste nosso cantinho à beira mar plantado há medo de trabalhar. Só pode ser isso. O País está na cauda da Europa (em vias de ser apanhado pelos países de Leste) e a função pública vem protestar, vem reclamar direitos que julgava ter. Não consigo perceber.
Eu tenho a sorte de conhecer a realidade laboral dos Estados Unidos da América. E posso afirmar que lá as pessoas trabalham e não protestam, pois confiam no seu trabalho, e não têm medo do trabalho. Há uma ética de trabalho. Há portugueses lá que trabalham mais de catorze horas por dia, e não vêm para a Rua pedir a cabeça do ministro. Podem-me dizer: “É uma realidade diferente.” E eu concordo. Estamos a falar do país mais rico do Mundo, que se calhar não precisava de investir o que investe na produção, mas fá-lo; fá-lo pois quer ser cada vez mais rico, há espírito de sacrifício e empreendimento. Há vontade de trabalhar. Aqui não vejo isso. O que vejo é cada um querer fazer menos e ganhar mais.
Pois não pode ser. Temos de acordar e perceber que esses tempo já lá foram, e temos de criar uma onda de trabalho, de produção no país para ajudá-lo a sair desta crise maldita que nos afecta a TODOS. E posso não saber muito de economia, mas posso garantir que não é com greves disparatadas que vamos resolver os problemas de Portugal.
Sou forçado a concordar com o meu primo quando ele disse: “Dude, não te preocupes. Ao menos tens o futebol.” É, valha-nos o nosso joguinho e o meu Benfica.

26 junho 2005

Um Passeio


No outro dia contaram-me um relato impressionante… Vinha o Sr. Moisés Martins no seu carro na auto-estrada à velocidade de 120 km/h, quando se apercebeu de um carro vermelho a um quilómetro de si. Exactamente um minuto depois foi ultrapassado e reconheceu o condutor: Jean Martin Rabot, que vinha das compras em Vigo. Aliás, quando passou pelo excelentíssimo professor de Semiótica, o sociólogo Jean Martin ainda teve tempo de soltar um alegre “Cucu!”. Moisés apercebeu-se imediatamente de que o seu fiel amigo ia em excesso de velocidade. O alegre amigo de Chomsky, Ducrot, Bourdieu e demais intelectuais, viu o seu amigo parado na berma 9 minutos depois do incidente anteriormente descrito. E, Rabot não estava sozinho. Ao seu lado estava o guarda Del Neri a admoestá-lo com uma bela multa! Moisés apreciou a situação, e até pensou que era merecido. Porém, o douto professor de Semiótica na Universidade do Minho veio intrigado o resto do caminho: Admitindo que as suas velocidades (Moisés e Rabot) se tinham mantido constantes, há quanto tempo tinha Del Neri mandado parar Rabot? As respostas deverão ser entregues ou na secção dos comments ou então ao professor Pedro Portela… não conta para a nota. Caso eu próprio consiga resolver o problema, colocarei a resposta em tempo oportuno.

21 junho 2005

Adeus Camarada!

Sei que já se passaram uns dias, mas andei atarefado e não pude publicar o post em tempo mais oportuno. Contudo, devo referir que o tema acerca do qual vou discursar (como dizia Ricoeur, “O texto é o discurso fixado pela escrita”) é intemporal devido à grande questão levantada.
Como todos sabem, no dia 13 de Junho faleceu Álvaro Cunhal. Na tarde do Sábado anterior já o general Vasco Gonçalves havia também ele desaparecido. Portanto, em poucos dias duas figuras incontornáveis do período pós 25 de Abril desapareceram para sempre.
Vasco Gonçalves liderou 4 governos provisórios num espaço pouco inferior a uma ano. Depois quase que desapareceu da vida política; Cunhal liderou o Partido Comunista Português (PCP) durante 3 décadas (algumas das quais passadas nas clandestinidade), tendo abdicado em 1992 a favor de Carlos Carvalhas. Cunhal foi perseguido, preso, torturado e ostracizado no tempo que passou na prisão (no Forte de Peniche, de 1949 a 1960). Em 1960 fugiu. Voltou após o 25 de Abril de 1974 e tudo fez para transformar Portugal numa cópia da URSS.
Para mim, Álvaro Cunhal é incontestavelmente a figura mais rica. Não só devido às suas acções políticas mas também por tudo aquilo que ele passou devido a essas suas visões políticas. Numa altura em que a repressão estava na ordem do dia, Cunhal foi sempre capaz de lutar pelos seus ideais e conseguiu habilmente ludibriar frequentemente a PIDE. Fugiu, pois só assim conseguiria organizar o partido de gente de confiança que fizesse a resistência (silenciosa e por vezes dolorosa) cá dentro e o informasse dos acontecimentos. Mesmo na clandestinidade lutou pelos seus ideais e, foi várias vezes a Moscovo falar com Estaline, e depois com Kruschev acerca de ajudas ao PCP e a Portugal. Os soviéticos sempre encararam o PCP com descrença e desconfiança, e por isso não cederam às pretensões de Cunhal.
Cunhal estava só. Mas não desistiu e, apesar do bastião do Comunismo o ter negligenciado ele continuou a luta. A sua luta.
Com o 25 de Abril, Cunhal viu todo esse esforço recompensado, e acolheu com entusiasmo a intenção da União Soviética em ajudar Portugal. Regressou a Portugal a 27 de Abril. Cunhal tudo fez para introduzir o comunismo em Portugal. De eleições a revoltas militares e a tentativas de guerra civil, tudo tentou Cunhal para implementar a sua doutrina no seu país. Não conseguiu. Com a Perestroika, Cunhal viveu iludido (não terá sido essa uma ilusão voluntária?). Acreditava que era apenas a reformulação da União Soviética, uma reestruturação. Mas, com a Queda do Muro de Berlim em 1989 e a consequente dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o comunismo na Europa desaparecia. Cunhal via o seu império ideal sucumbir devido à sua própria política. Não foi um país estrangeiro que destruiu a URSS, foi ela que se destruiu a si mesma. Consumiu-se. Gorbachev (líder soviético que instituiu a Perestroika) passou a ser um inimigo público. Cunhal acusou-o de corromper os ideais comunistas, e disse publicamente aquando da passagem de Gorbachev por Portugal que não o queria ver.
Cunhal, triste, refugiou-se em casa e na escrita de livros sob o pseudónimo de Manuel Tiago. Dizem uns que tinha bastante jeito, não só para a escrita como também para a pintura. É de consenso geral que era um homem extraordinariamente inteligente.
Não vivi esse tempo (com alguma mágoa. Deve ter sido empolgante), nem partilho dos seus ideais (nem pouco mais ou menos. Acho que num Mundo de globalização, esta doutrina nem faz sentido) mas, confesso que me sinto pequeno face ao legado deste homem. Num tempo em que vemos políticos a saltar de bancada em bancada, ministros a nomear os amigos sem qualificações para cargos de gestão importantíssimos (e é este um governo de esquerda….), sermos confrontados com um homem que defendeu sempre um ideal, que lutou por esse ideal, que sofreu por esse ideal, que nunca desistiu do seu ideal e da sua superioridade face aos outros é… (à falta de outro termo) brutal!
Álvaro Cunhal era o último grande comunista à escala Europeia. Com o seu desaparecimento o comunismo perde a sua referência, e para muitos perde também a sua força motriz. Que é o hoje o Comunismo? É um regime de opressão na China, em Cuba e na Coreia do Norte, e está representado por partidos cada vez mais moderados (são praticamente socialistas) e quase insignificantes na Europa.
Temo que com o desaparecimento de Álvaro Cunhal, o famoso ministro sem pasta dos governos provisórios, também o Comunismo tenha desaparecido.
Pelo menos ficarão para sempre na retina momentos como a sua chegada a Lisboa em apoteose, e o seu debate com Mário Soares. Grande debate. Um debate de ideias. E, claro a célebre tirada: “Olhe que não, olhe que não!”
Acabo com uma dúvida. Sei que as coisas mudaram, e por muito que defendam as diferenças entre esquerda e direita, nas questões fundamentais ela não existe, mas interrogo-me se algum dos nossos políticos de elite (Durão Barroso; António Gueterres; José Sócrates; António Vitorino; Cavaco Silva) seriam capazes de suportar o que Cunhal suportou em nome de um ideal que representa hoje um fracasso? Seriam?
Adeus Camarada!

17 junho 2005

Sinais de vida

Quando, há coisa de dois ou três meses, dei como oficialmente aberto este espaço, estava longe de imaginar aquilo em que ele se iria tornar.
Comecei com um Post sobre a eleição do Papa, se a memória não me falha.
Depois - com menos de vinte e cinco minutos de permeio -, surgiu um sobre o Futebol Clube do Porto.
Desde então, muita coisa aconteceu.
Tive alguns Posts com sucesso; alguns, com uma boa dose de humor (modéstia à parte) e outros que passaram completamente ao lado de quem quer que fosse.
Tudo isto com a entrada de um novo colaborador de permeio - o Phillipe.
Ontem, quando passava uma última vista de olhos pela sebenta de Métodos para me preparar para o Exame (que, a propósito, me correu relativamente bem), lembrei-me deste meu cantinho. É verdade, apesar de ser o meu blog, há muito tempo que não o visitava (será o termo correcto, "visitar"? Afinal de contas visitamos a casa dos outros, nunca a nossa própria casa - neste caso, não se trata duma visita; mas como não conheço termo melhor para este contexto, acho que me vou ficar pelo inapropriado "visitar").
Passei os olhos por alguns Posts, li alguns comentários (ou melhor, reli alguns comentários) e no processo dei-me conta duma coisa... É verdade, já não Posto nada há muito tempo.
Enfim, vicissitudes da vida: exames, frequências, compromissos, estudos, eu sei lá que mais.
Sim, bem sei que neste momento devem estar todos a interrogar-se porque carga de água estou eu para aqui com estas divagações. Mas não, ao contrário do que se possa pensar, a performance de há uma semana não deixou marcas psicológicas em mim - asseguro que a imitação do Prof. Moisés não me condicionou a eloquência do discurso e concisão de raciocínio.
Enfim, a verdade é que só aqui vim para... como diz o título, dar "sinais de vida".
Espero que, passados os exames, o tempo - que agora parece ser sempre tão curto - me permita dar o devido tratamento a este meu cantinho.
Até lá, apenas gostaria de dizer umas coisinhas.
Em primeiro lugar, desejar boa sorte a todos (com efeitos retroactivos, pelo que este desejo é também extensível ao passado Exame de Sociologia).
Em segundo lugar, endereçar as minhas sentidas condolências à menina Ana Drago; acredite ela que lamento profundamente a pouca gentileza que Deus todo poderoso teve no momento de lhe conceder capacidades intelectuais (se querem saber o porquê, sugiro que passem por este site: www.politicaxix.blogs.sapo).
Por último, e, como dizem os nossos camaradas franceses, "last but not least", apenas uma pequena coisinha (e esta vai bem dedicadinha para o Del Neri e para o Berto):
WOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! IT IS TIME TO PLAY THE GAME!

08 junho 2005

CS de A a Z



Pois é. O fim do ano está aí à porta. Com ele vêm os exames e depois as muito merecidas férias. No entanto, e como medida recreativa, decidi animar o pessoal antes dos exames, dando-lhes a moral necessária para atacarem os livros. De facto, já passou um ano (lectivo) desde que nos juntámos em Setembro. Enquanto grupo já passámos por muito, e enquanto indivíduos crescemos todos (cada um à sua maneira…).
Resolvi proceder à enumeração alfabética de termos, expressões, pessoas que à sua maneira deixaram a sua marca no 1 º ano do curso de Comunicação Social na prestigiada Universidade do Minho. Aqui vai ela:

A
Albertosa. Nome do mui nobre e honrado professor de Informática e Telecomunicações. De facto, iluminou-nos com a sua sabedoria em frente do PC, e graças a si e aos seus ensinamentos teremos sempre emprego em qualquer firma a fazer exercícios de Excel.

B
Benfica. Clube prestigiadíssimo, que reúne a maior parte dos afectos da turma. Actual campeão nacional, é sem sombra de dúvida o maior clube português. Nunca ninguém esquecerá as horas de discussão entre os mais variadíssimos elementos da turma acerca das incidências futebolísticas do fim-de-semana, sempre com o SLB como pano de fundo.

C
Caderno. Onde estaríamos nós sem o nosso fiel caderno? Onde anotaríamos nós as preciosidades que nos são debitadas nas aulas? Sem ele estaríamos perdidos! É um elemento necessário a qualquer bom aluno… Alguém tem um caderno de Semiótica actualizado? Perdi o meu…

D
Droga. Que eu saiba, nunca um aluno do prestigiado curso de CS tomou qualquer estupefaciente. Aliás, podem realizar o controlo anti-doping quando quiserem! Mas avisem com… uma semana de antecedência (há sempre uns imponderáveis…)

E
Enterro da Gata. Semana de descompressão estudantil. Bem precisamos dela na altura. Tempo de convívio, de festa, e de ver alguns colegas completamente intoxicados (“Vocês sabem de quem eu estou a falar”).

F
Futsal. Falar do 1º ano de C.S., é falar da sua belíssima equipa de futsal, que morreu na praia no torneio da especialidade. Tinha potencial, mas por qualquer razão as coisas não correram bem… Acho que não deram ouvidos às palestras do Neri!

G
Guarda- Redes. Não foi por ele que as coisas correram mal… O Teixeira só sofreu um, quanto muito dois frangos por jogo! Gostaria o Ricardo de sofrer tão poucos…

H
Hélder. O presidente da Comissão de Praxe, logo o responsável por grande parte da tortura que sofremos no início do ano! Contudo, ganhou o nosso respeito, e vá lá… é um Sportinguista que eu tolero (não é tão mau como o Dias da Cunha).

I
Inocência. Lembram-se do que isto era? No início tínhamos muita, agora…

J
Jantar de Curso. Houve vários. Só fomos a 3. Para o ano, temos de arranjar outro restaurante, e fazer os caloiros pagar mais. Sempre podemos usar a desculpa de que
“… o carro é para vós…”

K
Kickado. Expressão frequentemente usada por elementos do nosso curso, aquando das suas conversa codificadas acerca do NukeZone. Ainda hoje, o resto da turma permanece na completa ignorância acerca do seu verdadeiro significado. Será um insulto: “Foste Kickado!”. Não sei.

L

Luigi Del Neri. Se houve figura que se eternizou aos nossos olhos foi o nosso bom camarada de Viana. O capitão da equipa de futsal, foi sempre aquele bálsamo necessário para a equipa, e até para a restante turma, dotando-a de novas energias pela sua simples presença. Quem não se recorda de algumas das suas célebres actuações em palco? Para que não sabe, o miúdo não se chama Del Neri. De facto, foi baptizado João Santos, mas considera seriamente a hipótese de mudar de nome.

M
Moisés Martins. O nosso aplicado professor de Semiótica tinha que estar presente nesta lista. Alargou os nossos horizontes com considerações semióticas completamente revolucionárias, e é o grande responsável pela altíssima frequência às aulas de Semiótica. Aliás, nós gostamos tanto dele que muitos decidiram renovar contrato com o 1º ano só para continuar a desfrutar da sua companhia.

N
“Nunca me deixes, preciso de ti.” Além de um verso de uma canção dos Da Weasel, era um dos temas de um dos grupos da performance. É de facto uma frase bonita! Cheia de significado e simbologia. Muito gira mesmo. Aliás, eu que o diga, pois a mesma já me foi endereçada e na altura soube mesmo bem. Ai o 10º ano…

O
Orgias. Não. Que eu saiba não houve nenhuma, mas não quer dizer que nós não tivéssemos tentado! O projecto era para ser na casa do Rui, mas depois a mesma foi invadida por inquilinos estranhos. Logo, ficou adiada para o ano. Até poderemos convidar algumas caloiras…

P

Performance. Como o nome indica, momento de elevada representação teatral. Durante 15 ou 20 minutos, um grupo de alunos expõe-se publicamente perante os seus pares, esperando obter a aceitação por parte do exigente professor de Técnicas de Expressão. Momento engraçado (claro que eu estou a escrever isto antes da dita performance. Pode ser que dia 9 a minha opinião seja outra…).

Q
Queres. “O que tu queres sei eu”. Expressão do mais alto gabarito e recorte gramatical e semântico. Frequentemente utilizada no laboratório de jornalismo. Sempre proferida por indivíduos do mais alto estatuto e índole social. É deveras uma expressão complicada de entender. De facto, o que será que ele quer…?

R
Rabot. Jean Martin Rabot. Nome do professor de Sociologia. Homem de méritos, amigo íntimo de Michel Maffesoli. Senhor de uma cultura geral riquíssima, é também um conhecedor dos melhores sítios para fazer as compras. Se precisarem de comprar um queijo, falem com ele; se precisarem de um carro falem também com ele; se precisarem de atestar o depósito do carro, falem com ele. Contudo, não se admirem se ele vos mandar a Vigo…

S
Sociologia/ Semiótica. As duas disciplinas míticas de Comunicação Social, pelo menos no que ao 1º ano diz respeito. Leccionadas por dois indivíduos de uma altíssima craveira intelectual e profissional, são as disciplinas mais marcante mas também as mais complicadas. Disciplinas que enriquecem o nosso ser no que a conceitos e personalidades diz respeito. Sem elas, nunca conheceríamos homens da craveira de Maffesoli, Ricoeur e Saussure. Bem hajam (de novo, afirmo que escrevi isto antes dos exames…).

T
“The Game”. Pois é. Não poderia faltar aqui a referência ao maior lutador da actualidade, o Triple H. Este senhor é o grande responsável pela febre de WWE que atravessa actualmente uma facção do 1º ano. A estes comparsas só posso dizer… “Time to play The Game! It’s all about the Game and How you play it; it’s all about control and if you can take it; It’s all about your death, and if you can fake it; It’s all about pain and who’s gonna make it; I am the Game, you don’t want to play me; I am control, no way you can take me (…)”… Resumindo:
“Philli, Philli… THE GAME”.

U
União. Não posso dizer que houve uma união entre toda a turma, porém penso que posso afirmar que nos momentos cruciais estivemos juntos, e que há uma espécie de camaradagem entre todos. Claro que, entre os diversos grupos (e eu falo do meu) há uma forte união mesmo que espicaçada por diferentes pontos de vista… de vez em quando.

V
Valores. Unidade de medição que determina se o ano foi proveitoso ou não. Quando se tem mais de 10 valores a todas as disciplinas foi bom. Quando se tem menos de 10 em 2 ou 3 mas que permitam completar o ano, menos mau. Agora, quando não se têm valores para passar o ano, é legítimo dizer: “Este ano foi pró tecto.”

W
“Woooo!”. Expressão utilizada por Ric Flair e reaplicada pelo meu colega neste blog! Romano, aí vai um
“WOOOO!”!

X
XXX. Para comprovar que no Curso de Comunicação Social não há mentes depravadas, posso afirmar que as Salas do Gold Center que exibem os filmes XXX (bolinha bem vermelha) não registaram a visita de qualquer aluno do curso! Mentes sãs! Para quem não sabia da existência do Gold Center, fica na Avenida da Liberdade, quase em frente ao Teatro Circo, ou melhor ainda, à ZARA. Passem por lá… mas não entrem nas salas de cinema.

Y
“You are successful no matter what they say”. Canção criada e interpretada por Marcos Sabino numa saudosa aula de Técnicas a propósito do seguinte tema: Sucesso. A dita música foi aplicada a um formado em Comunicação Social, que se encontrava momentaneamente a trabalhar no McDonalds. Claro que isto é ficção, e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

Z
Zero. Média das faltas da turma às aulas de Técnicas de Expressão às sextas-feiras de manhã. Somos tão assíduos.

Para terminar (e num estilo um pouco Alexandre Sousa Carvalho), deixem-me dizer que foi um prazer partilhar este 1º ano universitário com todos vós. Desejo sinceramente repetir a dose para o ano! Para além de tudo o mais que aconteceu na minha vida pessoal, este ano na universidade foi à sua maneira marcante, e sei que todos vós (uns mais do que outros) contribuíram para essa mesma marca que eu carrego. Por tudo isto, e com certeza muito mais, um voto de bom estudo, boas notas e um grande Verão.

05 junho 2005

A pequena caixa cinzenta

"O Número Primo" nunca está satisfeito.
Sim, tivemos uma óptima entrada no mercado - ao quarto Post já tínhamos 13 comentários -, mas ainda conseguimos fazer melhor. E estamos em crer que, com o progressivo incremento de temáticas tocadas pelo nosso blog, o número de comentadores aumentará exponencialmente.
Assim, depois de temas tão diversos como a actualidade ("Fumo Branco"), o futebol ("Onde está o Campeão Europeu?"), a política ("Semana das facas longas"), o humor ("Prémios 2004/5"), a imprensa cor-de-rosa ("Vida na primeira pessoa") e até os maravilhosos quebra-cabeças ("Era uma vez..."), eis que apresentamos um Post sobre a popularíssima Televisão!
Tentámos, num exercício de imaginação e criatividade, pegar em alguns programas de sucesso e "povoá-los" com novos actores.
Pois vejam o resultado:
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Fiel ou infiel (programa da TVI, sextas à noite):
Santana Lopes (à altura ainda Primeiro-Ministro) decidiu pedir o teste para ver se o seu companheiro, Jorge Sampaio, lhe é fiel.
Em poucos minutos, depois das apresentações feitas e trocados alguns cumprimentos de circunstância, o apresentador do programa, João Kléber, dá início ao teste.
As imagens começam então: José Sócrates, actor profissional ao serviço do programa, convida Sampaio para um café no Palácio de Belém, convite prontamente aceite pelo outro.
A conversa, sempre amena e cordial, começa a aquecer poucos minutos depois.
"Olha, olha bem Santana, ele tá pondo a mão na perna do Sampaio e ele tá deixando!", grita o extasiado João Kléber. "Na altura da verdade ele não vai ceder", garante Santana.
Não é, contudo, o que acontece. Sócrates pergunta a Sampaio como vai o seu relacionamento. "Já esteve melhor", volve o envelhecido Presidente, acrescentando que "ele é muito trapalhão, esquece-se sempre de me trazer rosas, de me mimar... E às vezes leva uns amigos muito broncos para casa, como aquele Morais Sarmento, que só pensa em viagens e mergulhos em Cabo Verde".
"Ele tá falando mal de você! Ele não gosta de você!", grita Kléber. Nesse momento, Sócrates puxa Sampaio para o seu lado e senta-se no seu colo. "Ele tá deixando, ai meu Deus, ai meu Deus, eles vão se beijar! Eles vão se beijar, eu não quero ver, eu não quero ver!", continuar Kléber. Quando lhe perguntam se quer continuar a ver a gravação, Santana é peremptório: "Sim. Não acredito que ele vá acabar com o relacionamento."
Os ânimos aquecem. Sócrates tira a camisola e deita-se por cima de Sampaio. E o beijo acontece. Sampaio convida Sócrates a formar Governo. Ele acede.
O vídeo é interrompido. Sampaio entra na sala com um ramo de flores e diz que o relacionamento estava insustentável, pedindo desculpa. Santana responde: "Como é que pudeste acabar com tudo?! Não tive tempo de te mostrar que sou bom, foram só 3 meses", termina ele. "Mas as coisas não funcionavam", diz Sampaio. "Mas eu perguntei-te 3 vezes se querias acabar - 3 vezes! E tu por 3 vezes disseste que não!", dispara Santana, tentando de seguida agredir Sampaio; mas os seguranças impedem-no. Tentam levá-lo para fora do estúdio. Santana, antes de desaparecer por detrás das câmaras, olha para Sampaio e, de cenho franzido, atira: "Não vais ter sossego... Eu vou andar por aí..."
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Wrestling: RAW (programa da SIC Radical, sextas à noite):
Miguel Portas já está preparado. O desafio lançado na véspera foi prontamente aceite pelo seu opositor de hoje, Paulo Portas, que tem do seu lado o seu empresário, Nobre Guedes.
O árbitro convidado, o sempre imparcial Francisco Louçã, dá início à contenda. Miguel é o primeiro a atacar, com poderosas chapadas no peito do seu irmão. Mas Paulo é rápido e responde com um forte gancho de esquerda, para de seguida aplicar 3 "German Suplexes" seguidos. Tenta o "cover" mas Miguel consegue tirar o ombro do chão. E agora é ele que ataca: um soco em cheio na cara e um "clothesline from hell" encostam Paulo às redes.
Vai ser agora. O Eurodeputado pelo Bloco espera que o adversário se levante e vai a correr contra ele, preparando-se para aplicar um "Spear", mas, incrivelmente, o ex-Ministro da Defesa consegue sair da frente e o agressor acaba por bater com a cara nas cordas. Miguel está mal; começa a sangrar abundantemente da testa e Paulo aproveita para lhe aplicar um "Chokeslam" que o deixa estendido no chão. Está perto de ganhar. Deita-se e faz o "cover" mas, num momento de raiva, Miguel consegue erguer o ombro e tira um saco de haxixe das calças, atirando-o para a cara do irmão. Nobre Guedes fica escandalizado, olha para o árbitro mas Louçã manda seguir, afirmando que drogas leves são legais.
Paulo, ainda tonto, tenta esbofetear o Miguel Portas para ganhar algum tempo mas este dá um murro nos seus testículos. "Golpe baixo!", grita Nobre Guedes. Louçã, novamente, nada assinala. "Levantamento popular, levantamento popular!", berra o exasperado Nobre Guedes.
Mas, para espanto de todos, Paulo consegue a reviravolta com um fantástico "619" e faz o cover. Passam 3 segundo mas o árbitro nada assinala. Paulo, visivelmente cansado, grita pela presença do árbitro, mas de nada lhe vale - Louçã está absorto a fumar um charro. Miguel aproveita a desatenção e liberta-se do seu adversário, colocando-lhe a cabeça entre as suas pernas (neste momento, o eleitorado homossexual do Bloco de Esquerda entra em delírio). Paulo esperneia mas não se consegue soltar. Miguel olha para a plateia, baixa os polegares e aplica-lhe um poderosíssimo "Aborto PowerBomb", deixando-o estendido no tapete. Louçã bate com a mão 3 vezes no chão e o combate termina.
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Um contra todos (programa da RTP1, às 21:30):
O programa tem agora um novo formato: o jogo passou a ser não um-contra-todos mas sim um todos-contra-todos. O apresentador, Carlos Cruz (acabadinho de sair da prisão) dá o mote: "Qual é o 2º Princípio da Termodinâmica?" O primeiro concorrente, Pedro Barbosa, responde: "Bem... eu de dinâmica percebo pouco..." Carlos Cruz, chateado, decide passar ao concorrente seguinte: "Muito bem, quer tentar você, Benni McCarthy, jogador do... Au! Oh homem, então você dá-me uma cotovelada?" "Desculpe, é do hábito. A resposta é o aumento constante da Entropia num sistema fechado" "Muito bem, você acertou! Agora, próxima pergunta: Quando ocorreu o horrível holocausto?" "Ora, não diga isso", volve Pinto da Costa, "aquilo não foi um crime. Simplesmente em zona de festejos Nazi apareceram uns polacos a provocar... por isso não sei de que é que você se queixa!" "É o sistema a falar, é o sistema a falar", atira Dias da Cunha, pouco antes de tombar morto com uma apoplexia. "Vamos passar à frente", diz Cruz, "Qual foi o primeiro Imperador do Sacro-Império Romano-Germânico, na Europa?" "O que é um homem?", pergunta José Castelo Branco. "O que é a Europa?", pergunta George W. Bush. Neste momento o programa é interrompido para um especial Informação: Luís Campos foi contratado pelo Benfica.