19 abril 2005

Onde está o Campeão Europeu?

Há um ano atrás, o F.C. Porto liderava confortavelmente a tabela classificativa, seguia em frente na Taça de Portugal e estava a algumas semanas de se sagrar Campeão Europeu.
Hoje, e apenas um ano passado, arrasta-se moribundo pelo 5º lugar da SuperLiga, expia os pecados que o afastaram da Liga dos Campeões e lambe as feridas da eliminação prematura daTaça de Portugal - "houve Taça", disse-se na altura, mas a verdade é que as coisas não acontecem por acaso.
E o que aconteceu, então, à equipa que deslumbrou a Europa na época transacta?
As saídas, disseram uns.
Os negócios de bastidores, acorreram outros.
O Presidente, retorquiram outros entredentes.
Talvez um pouco de tudo. Mas o que verdadeiramente preparou o cenário para esta época desastrosa foi, paradoxalmente, uma vitória inesperada na Liga dos Campeões. Estranho? Talvez. Acertado? Sem dúvida.
Vejamos porquê.
Como todos sabemos, não é normal uma equipa da 2ª divisão europeia (clubes que não participem nas Ligas Alemã, Ingles, Italiana e Espanhola) conseguir, sequer, chegar à final da Liga dos Campeões. Por um lado, é bom para o clube - o dinheiro, a valorização dos jogadores, e especialmente o prestígio são ganhos inalienáveis. Por outro lado, é mau - é sinónimo de que alguém vai sair. Estes "incómodos", chamemo-lhes assim, logicamente não se fariam sentir num Manchester United, num Real Madrid ou num Bayern de Munique. Mas quem é o jogador que, no seu perfeito juízo e depois de ter jogado uma final europeia, tem a mínima vontade de passar o ano seguinte a jogar em campos vazios, lamaçentos, mal tratados e muitas vezes com uma irritante melodia de fundo (como é o caso do "Bailinho da Madeira" no Estádio Engenheiro Rui Alves)? Nenhum, obviamente. O jogador que foi Campeão Nacional e Europeu num clube português, está destinado a mais altos voos, quer por motivos de ordem económica, quer pela perspectiva de maiores desafios, uma vez que, cá dentro de portas, pouco mais há a saborear.
Muitos criticaram Pinto da Costa por ter vendido uma equipa campeã.
Mas o mal não foi a venda de uma equipa campeã - o mal foi foi a compra de jogadores de qualidade dúbia e sentido profissional questionável.
Os jogadores queriam sair, o que fazer? Prendê-los? Deixar que entrassem numa espiral de más exibições por falta de motivação e com isso hipotecar uma possível venda? O negócio de Ricardo Carvalho foi fantástico - 30 milhões de Euros por um defesa é coisa nunca vista em Portugal. O de Paulo Ferreira foi ainda melhor, dado que o clube das Antas recebeu 20 milhões por um jogador que, apesar de muito bom, não é nenhum fora-de-série. E o próprio Deco foi de grande proveito para os cofres portistas, ao garantir um encaixe de 3 milhões de contos (moeda antiga) e ainda a vinda do craque Quaresma. Julgo até que a venda de Maniche não seria de todo descabida - um jogador que fez aquele fantástico europeu podia ser vendido por soma recorde. Agora, é vê-lo desmotivado, cansado e de cabeça perdida a arrastar o traseiro pelos relvados e a desperdiçar o seu enorme talento (capacidade de passe longo e curto invulgar, grande sentido de desmarcação e uma fantástica dinâmica, capaz de pôr em movimento um meio-campo amorfo).
Pinto da Costa fez o que tinha a fazer - vendeu. E vendeu bem.
O problema foi na altura de contratar. Diego revelou-se um flop tremendo. Postiga, uma donzela ofendida incapaz de marcar seja o que for. Fabiano, um retardado que a única coisa de fabuloso que tem é mesmo o salário, e muitos outros, como Areias (coitado, ainda deve estar para perceber que é que deu ao clube para o contratar), Leandro, etc.
No final de época, deveria ter sido assumido um corte com o passado. Uma renovação de balneário, dado que mantê-lo seria impossível. Isso não aconteceu. Pinto da Costa tentou sossegar os adeptos atirando-lhes areia para os olhos e apregoando aos quatro ventos que "apenas saíram 3 titulares..."
Desaproveitou assim uma fantástica oportunidade para, de bolsos cheios e com um enorme capital de confiança, tentar criar uma nova equipa, uma base a crescer com o trabalho de um treinador bem escolhido (outro dos seus erros) e capaz de, a curto e médio prazo, dar alegrias aos seus adeptos.
Não o fez.
E os resultados estão à vista.

Comentários

2 Comments:

At quarta-feira, abril 20, 2005 12:11:00 da tarde, Blogger Phillipe Vieira said...

Romano, venho por este meio estrear-me na vida comentarista no que ao teu blog diz respeito. Concordo na plenitude com aquilo que disseste ascerca do insucesso do FCP esta temporada. Foi tudo fruto de uma péssima planificação e demasiados erros de gestão. Contudo, não nos podemos esquecer que eles só estão a 4 pontos do glorioso, têm um calendário fácil e nenhuma competição paralela. Além do mais, também devemos ter em atenção que no nosso SLB irá acontecer o mesmo (provavelmente) no final da época. Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Peit, Simão são apenas nomes de alguns dos elementos que num futuro mais ou menos próximo poderão ter que dizer adeus a Lisboa e à Luz.

Para terminar, continua ou não com o blog mas não te esqueças de ir visitar o afrontamentos.blogspot.com e comentar os posts, principalmente os meus!!!!!!!!!
Ciao aí, caro colega bloguista

 
At quarta-feira, abril 20, 2005 1:26:00 da tarde, Blogger Alberto Miguel Teixeira said...

Eu, na qualidade de bom des(portista) que sou considero que esta epoca tem sido desastrosa po meu FCP, mas tem em atenção o facto de nós mesmo a jogar mal estamos a 4 pontos do primeiro lugar...Claro que é mau, quando comparado com o ano passado, mas não se fazem epocas como as dos anos anteriores, até porque o principal(para mim) obreiro disto tudo foi Mourinho. O Areias, ou até mesmo o Pepe jogava bem com ele!!! Hasta

 

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