10 janeiro 2007

Esquizofrenia

O blogue vai voltar ao activo. O gajo é o mesmo, o título também - só muda mesmo a localização: aqui, precisamente. O Blogger sempre me deu muitos problemas (não sendo o menor deles o facto de me obrigar aos irritantes ------------- sempre que queria separar parágrafos - as linhas de texto ficavam invariavelmente atarrachadas umas às outras) e a verdade é que também estava com vontade de mudar. Pena só pelo template: adorava o contraste, mas paciência.

21 março 2006

Até um dia

Ter um blogue é um vício. Começa-se a postar semanalmente, quando algo de interesse especial surge, e acaba-se a a escrever sobre o mais irrelevante dos assuntos, perdendo horas e horas a esmiuçar os recantos da blogosfera em busca do último artigo de algum autor favorito, e a actualizar constantemente dezenas de caixas de comentários na ânsia de recebermos uma resposta ou ver os desenvolvimentos da última discussão.
Estes últimos dez meses de blogue foram excelentes. Conheci muita gente (ainda que apenas virtualmente) tive discussões intermináveis e debates interessantíssimos, assisti a polémicas acesas - algumas esclarecedoras, outras nem tanto -, formei várias opiniões, mudei algumas e consolidei muitas outras; e, mais importante, diverti-me imenso. Também deu para aprender muita coisa. A blogosfera é um mundo fascinante – um vício, sim.
Apesar de tudo, até os vícios têm fim. E um dos meus vícios – este blogue – acaba aqui, dez meses e mais de 300 posts depois. O interesse esfriou, o tempo escasseia e tenho razões para crer que nos próximos tempos as oportunidades vão ser cada vez menos. Escrever aqui também serviu para conhecer os meus limites. Que ainda são muitos. Citando o Karloos, sinto, neste momento, que tenho muito que aprender, que tenho muito mais para ler do que para escrever. Vou perder o prazer de escrever e discutir; em compensação, vou ganhar o tempo correspondente para fazer muitas outras coisas, incluindo algumas mais sérias e prementes. Da forma como as coisas estavam, o custo de oportunidade de ter o blogue revelava-se incomportável.
A todos os que por aqui passaram, a todos os que comentaram e linkaram – desde os mais anónimos até alguns dos VIP da blogosfera –, obrigado. O blogue acaba mas tenciono continuar por aí – a visitar e, quando se justifique, a comentar. Quando tiver tempo. Os vícios nunca passam completamente.
Termino deixando uma referência aos meus bloggers favoritos. São muitos, e uma olhadela às listas aqui ao lado dá para ficar com uma ideia. Referir todos é impossível; não mencionar pelo menos o Tiago Mendes e o Luís Aguiar-Conraria seria injusto. Foi óptimo constatar que ainda havia – há – na blogosfera gente capaz de juntar a inteligência à honestidade intelectual, não embarcando na lógica de barricada e pensando pela sua própria cabeça. Foram ponto de paragem obrigatório quando procurei opiniões sensatas e descomprometidas.
Um último obrigado a todos. E agora, olhem, vou à minha vida!

19 março 2006

Há cada um...

Em França, as coisas estão a aquecer. Literalmente. A nova lei que facilita os despedimentos nos primeiros anos de emprego é o motivo dos protestos, das manifestações e do vandalismo.
O cenário repete-se ciclicamente e, quando se dá, a sociologia de casa de banho tem o rótulo na ponta da língua: mais um Maio de 68. Aconteceu com os jovens desintegrados que expurgaram as mágoas nos carros alheios há uns meses e acontece agora, com os meninos da segurança no trabalho. Não me entendam mal: eu também quero segurança no trabalho. Mas, entre um trabalho precário e não ter trabalho algum, alinho pelo segundo sem pensar duas vezes. E, num país em que a taxa de desemprego chegou a ser superior a 30% na faixa etária dos 20 aos 30, desculpem lá, mas o que havia antes não era segurança no emprego, mas sim um desemprego certo e seguro.
Aparentemente, os meninos em França não pensam assim. E, na luta pelo direito à segurança (segurança sem emprego, que vale o que vale) - possivelmente inspirados nas manifestações anti-globalização, esses momentos de êxtase da Esquerda moderna -, sairam à rua, partiram uns vidros e umas monstras, atiraram umas pedras e gritaram meia dúzia de palavras de ordem. Um conceito inovador de revolucionários, portanto: se antes havia o estilo robinwoodesco - tirar aos ricos para dar aos pobres -, desta vez a ideia é destruir a propriedade dos próprios pobres e da classe média. Numa síntese: «x» destrói a propriedade «y» como forma de protesto contra uma lei que lhe retira as possibilidades de ter segurança num emprego «z» - que não é um fim em si, mas sim um meio de ganhar dinheiro que permitirá, mais tarde, ter direito à propriedade (digamos, «y», por exemplo).
Aguardemos ansiosamente os comentários do Bloco de Esquerda e do PCP aos acontecimentos em França.

16 março 2006

Eu vou!


É já no próximo dia 2 de Junho que Roger Waters vem actual a Portugal no âmbito do festival de música "Rock in Rio".
Sendo um grande fã dos Pink Floyd (para mim ainda a melhor banda de todos os tempos) não posso deixar passar a oportunidade de ver o seu líder ao vivo. Grande parte das fabulosas letras dos Floyd foram escritas por Waters, se bem que na sua sua maioria interpretadas por David Gilmour.
Os Pink Floyd ficarão na história como uma das bandas mais invoadoras de sempre. São considerados a maior referência do rock psicadélico dos finais da década de '60 e inícios da de '70, tendo mais tarde conseguido unir esse estilo de música a um rock mais próximo do blues, formando um som inigualável e, por isso mesmo, belo.
Esse mesmo som tem atingido gerações, fazendo com que a música dos Pink Floyd não conheça barreiras e toque todos aqueles que a ouçam, quer o tenham feito nos anos '70, '80, '90 ou nos dias de hoje. É intemporal.
Também são frequentes as tentativas por parte de grupos mais novos em igualarem o som dos Floyd. No entanto, não se conseguem aproximar do brilho e da pureza da música composta pelo quarteto formado por Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason.
Álbuns como "Meddle" (1971), "The Dark Side of the Moon" (1973), "Wish You Were Here" (1975) e "The Wall" (1979) são marcantes para a história da música e do rock.
A banda desmembrou-se após "The Final Cut" (1981), tendo todos os elementos prosseguido carreiras a solo. Nessa altura se viu que era Roger Waters a alma do grupo, tendo conseguido editar 3 álbuns de boa qualidade, bastante próximos da marca "Pink Floyd". Os restantes não conseguiram tanto sucesso, e em 1987 juntaram-se de novo para lançar "A Momentary Lapse of reason". Waters não gostou de os ver gravar um álbum debaixo do nome "Pink Floyd" tendo processado os membros da banda. Esta situação levou a anos de tensão entre Gilmour, Wright e Mason com Waters. Roger acbou por desistir do processo, e o trio lançou ainda "Division Bell" em 1994, e a digressão mundial "Pulse" que os trouxe ao Estádio José Alvalade em Agosto de 1995, tendo esgotado os estádio em duas noites consecutivas. Feito inigualável.
A banda juntou-se no passado mês de julho para participar no "Live 8". Foi a priemeira vez que os quatro tocaram juntos em mais de 20 anos.
Waters veio a Portugal em 2001 no âmbito da "In the Flesh Tour", esgotando o Pavilhão Atlântico duas noites seguidas. Ele regressa agora para o "Rock in Rio", num dia que conta com as presenças de Jota Quest, Rui Veloso e Carlos Santana.
A actuação de Waters deverá incidir mais sobre a sua carreira a solo, mas não deverá passar por cime de músicas míticas dos Floyd, como "Wish you were here", "Hey You", "Comfortably Numb", "Time" entre outras.
Aliás, será provavelmente pela possibilidade de recordar essas músicas ao som de um dos membros originais dos Floyd, que muita gente irá ver o concerto de Roger Waters.
Eu vou!

14 março 2006


No dia 12 de Março de 2005, José Sócrates tomou posse como Primeiro-Ministro de Portugal, o primeiro socialista a fazê-lo com maioria absoluta.
Hoje, passado um ano do início da sua governação pode-se começar a esboçar um retracto daquilo que tem sido Sócrates como Primeiro-ministro.
Parece-me a mim que este foi um ano, apesar de tudo, positivo. A pouco e pouco Sócrates habituou-nos ao seu estilo autoritário e rigoroso, contrastando em absoluto com António Gueterres, seu antigo “chefe” e actual Alto-comissário para os refugiados. Sócrates é muito mais activo que Guterres, e repudia a passividade, a ignorância e a estupidez. De facto, quem poderia dizer que Sócrates seria tão diferente do seu mentor?
Foi Mário Soares que, durante a campanha eleitoral, disse que o primeiro-ministro deveria ser alguém capaz de “dar murros na mesa e ter coragem em determinadas situações. Sócrates é o anti-Guterres.”
Sócrates é um PM rigoroso, objectivo e disciplinado. Obriga os seus ministros a contarem-lhe tudo aquilo que se passa nos seus ministérios – organizando para o efeito uma reunião semanal às segundas-feiras – sendo no entanto um defensor exímio de todos eles.
Aliás se há mais algum ponto em que Sócrates divirja de Guterres é exactamente na estabilidade governamental. Muitos foram as reformas no governo causadas por pressões privadas e da comunicação social no tempo de Guterres; ora, Sócrates não se deixa pressionar e protege os ministros até à extensão das suas forças. A única excepção foi Campos e Cunha mas, convenhamos, este não tinha grande vontade de continuar nas suas funções. Mas Teixeira dos Santos – seu substituto – Correia de Campos, Manuel Pinho, Isabel Pires de Lima e até Freitas do Amaral já foram “salvos” por Sócrates em tempos de dificuldade.
Concordando-se ou não com as decisões de Sócrates enquanto PM, é necessário admirar o estilo seguro e imperial com que anuncia essas medidas. Faz às vezes lembrar… Cavaco Silva na certeza das suas resoluções e na confiança que – procura – incutir aos cidadãos. Claro que muitos dirão que beneficia do facto de governar com maioria absoluta, de ter defrontado um opositor em queda – Santana Lopes – e de ter passado em pouco tempo de deputado, a líder da oposição a primeiro-ministro.
Eu, por outro lado, prefiro ver o outro lado da coisa. Prefiro ver a sua capacidade profissional, a audácia de algumas das suas posições e avaliar a confiança que ele me transmite enquanto primeiro-ministro. Claro que ainda não cumpriu algumas das suas promessas eleitorais mas, pelo menos, já as começou a preparar e a por em prática. O plano tecnológico, a venda livre de medicamentos que não necessitem de receita, a OTA e o TGV, medidas na educação entre outras.É indiscutível que num ano, e passando o país por uma irremediável crise económica e social, Sócrates tem trabalhado bem. Tivessem Guterres e Barroso feito o mesmo e se calhar viveríamos bem melhor.
Por paradoxal que pareça, José Sócrates é o primeiro socialista a liderar um governo de maioria absoluta, mas é também o menos socialista de todos os anteriores socialistas líderes de governo, e provavelmente o mais eficaz e eficiente no aproveitamento dos recursos à sua disposição. Dá que pensar…
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Apenas queria acrecentar que em entrevista ao Expresso, Sócrates revelou que a medida que mais lhe custou foi o aumento do IVA. E, sem dúvida, que é essa a medida que lhe traz maiores doses de contestação.

13 março 2006

Berlusconi, um homem que prima pela subtileza

Berlusconi abandonou ontem uma entrevista. À saída, conotou a entrevistadora com a Esquerda - como «é de Esquerda, não deixa as outras pessoas falarem».
Rezemos agora para que nem toda a Direita seja conotada com o camarada Silvio.

11 março 2006

Telmo, tu queima-lhe a casa, pá

Freitas do Amaral chamou ignorante a Telmo Correia.